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Retirada de escombros do Galpão do Sal gera polêmica em Cabo Frio

Defensores do patrimônio afirmam que local foi demolido, enquanto prefeitura garante que apenas houve retirada de estruturas que cederam em fevereiro do ano passado

Uma retirada de escombros do Galpão do Sal, localizado no bairro Passagem, em Cabo Frio, gerou polêmica na cidade. O imóvel, que é de propriedade privada, remete ao período salineiro cabo-friense e vem sendo alvo de um conflito de interesses há mais de quatro anos.

O galpão havia sido tombado como patrimônio cultural imaterial histórico da cidade, com tombamento estadual de acordo com a Lei 8606/2019, que entrou em vigor no dia 1º de novembro de 2019. Durante o início da pandemia do coronavírus, uma parte do conjunto arquitetônico desabou. Na época, surgiu a hipótese de ter sido uma demolição proposital, que foi descartada pela Defesa Civil. Um inquérito chegou a ser aberto pela Polícia Civil para investigar o caso.

Os escombros permaneceram no local desde então e, no dia 14 de julho deste ano, a prefeitura de Cabo Frio autorizou a retirada do material decorrente da queda de parte do imóvel, “devendo ser mantida toda a estrutura que segue edificada”, disse o município em nota.

Além disso, a prefeitura também esclareceu que uma solicitação de demolição, “feita pelo proprietário do imóvel, não foi decidida a tempo da tomada de medidas protetivas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural”. O Instituto Nacional do Patrimônio Artístico e Cultural (Iphan), se manifestou favorável à autorização para a demolição do Galpão do Sal, em 24 de julho de 2019.

Se por um lado a prefeitura afirma que somente houve a retirada dos escombros, na outra ponta, defensores do patrimônio histórico afirmam que o local terminou de ser demolido.

Nas redes sociais, o historiador João Christóvão publicou um texto sobre assunto. Ele afirma que não foi uma “surpresa, dada à região onde o galpão estava localizado, os interesses econômicos ali envolvidos e o histórico de pouca ou nenhuma atenção por parte do poder público local a elementos da sua história, sobretudo àquela parcela relacionada à história dos trabalhadores”.

Pessoas ligadas à cultura da cidade temem que o espaço na Avenida Almirante Barroso, com saída para o Canal do Itajuru, seja alvo de especulação imobiliária.

“A cidade resiste mas fica cada vez mais feia na medida que espaços importantes para contar sua história vão sendo apagados e o acesso público a áreas privilegiadas seguem sendo privatizados”, finalizou o historiador.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Editora no Blog Cutback e colaboradora no jornal O Dia.
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