Vereadora de Araruama acusa marido da prefeita de ameaça de morte; ele nega

Chiquinho da Educação refuta as acusações feitas por Penha Bernardes na sessão da Câmara desta terça-feira (22), e diz que parlamentar é uma atriz

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A sessão da Câmara de Araruama, município da Região dos Lagos, desta terça-feira (22) foi marcada pelos nervos acirrados entre os vereadores da oposição Penha Bernardes (PL) e Oliveira da Guarda (MDB) e o ex-prefeito e primeiro-cavalheiro do município Francisco Ribeiro, o Chiquinho da Educação.

Vereadora desde 2012, Penha acusou Chiquinho de, em 2016, na época da campanha, ameaçá-la de morte em um encontro político para o qual Penha foi chamada pelo próprio irmão, o então ex-vereador Luiz Bernardes, conhecido como Luiz do Táxi (PL).

“Chegando lá, tinha umas cinco, seis pessoas ao redor, meu irmão que me ligou estava lá. Cumprimentei todo mundo, estava concorrendo à reeleição. Quando fui falar com ele [Chiquinho], ele falou: ‘não, não vou te cumprimentar. Você não é digna que eu te cumprimente’”, relatou a vereadora.

“Nunca tinha acontecido nada. Ele nem sabia quem era Penha, conhecia por nome. Nunca tinha esse confronto, eu era uma vereadora tranquila. Ai eu fiqui sem graça, sem saber o que estava acontecendo, sem defesa”, continuou Penha.

Na sequência, a vereadora conta que Chiquinho disse para ela: “Você era para estar sendo enterrada hoje, porque eu ia mandar te matar essa semana”.

Penha, que está grávida, ficou nervosa e começou a chorar na sessão após contar a história, mostrando certa revolta por nenhum dos presentes à época, incluindo o próprio irmão, ter falado qualquer coisa.

“Ainda foi dito para mim: ‘fica quieta, não fala nada, não. Porque eles podem ganhar a eleição e, possivelmente, vamos precisar deles’”, arrematou Penha.

Apesar de Penha não ter atribuído quem disse a frase para ela, o marido da vereadora, Oliveira da Guarda (MDB), a atribuiu ao cunhado. Atualmente, Luiz Bernardes é o líder do Governo da prefeita de Araruama, Lívia Bello (PP), na Câmara.

Antes do embate, a vereador afirmou que não tinha tido qualquer contato com Chiquinho.

“Nunca convivi com ele, conhecia de nome, como coronel, ditador, por esse escândalo de agredir mulheres”, afirmou Bernardes.

O começo da fala de Penha tratou da recusa do governo municipal de Araruama de uma emenda de R$300 mil da deputada federal Daniela do Waguinho (MDB), apoiada por Penha e Oliveira, para comprar um castramóvel, Penha e Oliveira usaram a tribuna para repudiar a ação.

Em entrevista, Penha confirmou tudo que disse no plenário e acrescentou: “quem é mãe sabe que a gente nunca jura pelos filhos, mas eu juro que é tudo verdade”.

A versão de Chiquinho

Procurado pela reportagem, Francisco Ribeiro, que é pré-candidato a deputado estadual afirmou que “o ônus da prova é de quem acusa” e falou que é a vereadora que vai ter que provar a ameaça aconteceu. O ex-prefeito também enviou uma nota por escrito, disponível ao fim desta matéria.

“O irmão dela estava do lado, na porta de uma gráfica em 2016. Ele que tem que responder. Eu não posso responder, porque eu não posso falar de algo que eu não fiz”, disse Chiquinho.

“Isso é tudo uma questão política. Bastou eu colocar meu nome que começam a surgir esses devaneios. Eu jamais falaria isso para uma mulher”, pontuou o ex-prefeito de Araruama.

Ribeiro também negou que tenha marcado encontro com Penha e Luiz e disse que estava na gráfica montando um planejamento quando os irmãos chegaram.

“Ela está inventando. Vocês sabem que ela, declaradamente, apoia o Waguinho (MDB) [prefeito de Belford Roxo] e a esposa do Waguinho [Daniela] e o candidato a deputado deles, por que isso agora? Por que todo esse show?”, questiona Francisco.

Sobre a situação, Chiquinho confirma que realmente não cumprimentou Penha, mas jamais fez ameaça. Por fim disse que já está acostumado com “os espetáculos dessa vereadora” e disparou que “a Globo está perdendo uma grande atriz”.

O vereador Luiz Antônio Bernardes também foi procurado para se posicionar, mas ainda não tivemos resposta.

Quem é quem na história

Francisco Carlos Fernandes Ribeiro era empresário quando foi eleito prefeito de Araruama em 2000 e reeleito em 2004. Até o fim do segundo mandato, acumulou processos e condenações na Justiça, sendo considerado inelegível por diversas vezes.

Contemporâneo a Prefeitura de Chiquinho, Luiz Antônio Bernardes, o Luiz do Táxi, era vereador de carreira quando se tornou inelegível em 2012.

Em 2012, portanto, Luiz lançou a irmã, Penha Bernardes, para concorrer a uma vaga no parlamento. Penha conseguiu se eleger na ocasião e renovou o mandato em 2016 e 2020, mesmo com a volta de Luiz às eleições.

A ocasião citada pela vereadora na sessão desta terça ocorreu na campanha das eleições de 2016 em que Chiquinho lançou a esposa, Lívia Bello, como candidata a prefeita. O segundo mandato de Penha foi de oposição a Lívia, junto com Oliveira da Guarda e Valéria Amaral.

De 2021 para cá, Oliveira e Penha moderaram o tom e pareciam ter deixado a oposição, mas, desde o começo de 2022, voltaram a marcar um veemente contraponto a prefeita e ao marido dela, que é pré-candidato a deputado estadual.

Vereadora de Araruama acusa marido da prefeita de ameaça de morte - Luiz Felipe Rodrigues (RC24h)

Fonte: O Dia

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