Técnico de enfermagem suspeito de estupro dentro de hospital em Cabo Frio continua atuando na unidade

Mesmo com exame de corpo de delito testando positivo, autoria do crime ainda não foi confirmada; ocorrência aconteceu em abril e, segundo delegada da DEAM, falta o resultado do DNA para que o inquérito seja concluído

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Nova reviravolta sobre o caso da jovem de 19 anos que acusa um técnico de enfermagem, que trabalha no Hospital Municipal Otime Cardoso dos Santos, de estupro, em Cabo Frio, veio à tona nesta semana. Após o crime de violência sexual que aconteceu neste domingo (10), em São João de Meriti, em que um médico anestesista abusou de uma mulher na mesa de parto e revoltou todo o Brasil, algumas questões foram levantadas: A autoria do crime foi confirmada? O profissional segue atuando na unidade de saúde?

Na época, o suposto agressor não quis opinar sobre o caso, excluindo, inclusive, as redes sociais e mudando o número de telefone. Já a vítima, entrou em contato com o Portal RC24h e deu seu depoimento, além de apresentar o Boletim de Ocorrência. Em busca de novas informações, a reportagem entrou em contato com a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), delegada Waleska Garcez, que afirmou que o exame de corpo de delito deu positivo, mas a autoria do crime ainda não foi confirmada.

“Esse corpo de delito é meio complicado. Em princípio, deu positivo para relação sexual. Mas, é por isso que a gente encaminhou o SAF para exame de DNA, porque a gente ficou na dúvida, já que a menina chegou apagada no hospital. As enfermeiras, no termo delas, disseram que ela estava muito bêbada, alterada, talvez até sob efeito de drogas, então a gente ficou na dúvida: aonde foi que ela manteve relação sexual? Antes ou realmente foi abusada no hospital? Então, mediante esta dúvida, a gente encaminhou ele para fazer o DNA para a gente poder descartar, né? Para não acusar uma pessoa inocente e nem inocentar um culpado. Por isso nós estamos esperando esse laudo (resultado do exame), que vai ser decisivo para a conclusão”, contou a delegada, em áudio, para o Portal.

Além disso, ela disse que, durante as investigações, foi realizado um laudo do local em que a vítima alega ter sido violentada, onde não foi constatado nenhum vestígio de material genético do suspeito. Testemunhas, vítima e suspeito já foram ouvidos, logo, segundo explica, para que o inquérito seja concluído, falta apenas o resultado do teste de DNA feito no resultado do exame de corpo de delito.

“(…) O procedimento está em inquérito instaurado, já está bastante adiantado, foram ouvidas testemunhas, a vítima e o suspeito. Fizemos laudo no local, não foi constatado nenhum vestígio do material genético lá no local onde ela alega ter sofrido os abusos e estamos esperando agora a última diligência, o resultado do exame de DNA (…) É o último ato que a gente está esperando para poder concluir e relatar o inquérito”.

Continua trabalhando

Diferente do médico anestesista de São João de Meriti, que foi imediatamente afastado do hospital após a denúncia, o técnico continua atuando na unidade. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), ele segue com o vínculo empregatício via contrato por prazo determinado e, desde a época do crime, não houve desligamento. Ainda no portal do CNES, que está atualizado até o mês de maio, o suspeito já está na unidade há 11 meses.

Em relação a esta situação, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura, questionando se há possibilidade de afastamento do suspeito, para que, caso ele realmente seja o culpado, poupar outras possíveis vítimas. Em nota, foi afirmado que o município aguarda a conclusão da investigação para que medidas cabíveis sejam tomadas. Também foi solicitado o posicionamento de Erika Borges, secretária municipal de Saúde, mas o município não deu retorno acerca disso.

Dados alarmantes

Sobre os índices de violência sexual em Cabo Frio, conforme o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), o número é alarmante. Os dados levantados pelo Portal indicam que, dentre janeiro e maio, ocorreram 43 casos, o que torna a cidade da Baixada Litorânea onde mais ocorre esse tipo de crime, sendo seguida por Saquarema, com 26, e Araruama, com 23. Destes municípios, apenas o cabo-friense possui uma Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM).

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