Surto de Covid-19 em plataformas de petróleo obriga trabalhadores a dormirem no chão

Imagens da P-52 revelam que locais estão sendo transformados em 'covidários'; relatos apontam que trabalhos serão suspensos por 30 dias; hotéis reservados pela Petrobrás em Macaé e Rio das Ostras estão quase lotados

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Um surto de Covid-19 nas plataformas da Petrobras, na Bacia de Campos, no Norte Fluminense, está sujeitando trabalhadores que testaram positivo para a doença a dormirem no chão. É o que revela imagens da plataforma P-52, que foi transformada em uma espécie de ‘covidário’.

Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), os casos de coronavírus nas plataformas só crescem. Uma denúncia afirma que a Petrobras já teria reservado, pelo menos, três hotéis em Macaé e Rio das Ostras para trabalhadores positivados ou com sintomas da doença. Uma das unidades hoteleiras, no último sábado, teria 70 vagas, já na segunda, restavam apenas sete. Em Campos dos Goytacazes, a empresa também teria reservado um hotel para receber os embarcados que estão infectados.

“A Diretoria do Sindipetro-NF está recebendo várias denúncias e a situação, mas parece que o negacionismo do presidente da República se reflete nas plataformas da Petrobrás, que tem mantido os trabalhadores confirmado com COVID à bordo, em alguns casos, por mais de 5 dias com sintomas gripais. Qual seria a intenção? Matar os trabalhadores? Os deixarem loucos? Ou só garantir os bilhões aos acionistas a custo da nossa vida?”, declarou o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

Todos os trabalhadores já estão vacinados contra a doença, o que reflete em casos com menos gravidade, mas a situação ainda é caótica a bordo. Além do estresse que os trabalhadores estão vivendo em meio a esse cenário, a categoria ainda vem sendo vítima de uma série de outros transtornos como falta de cuidado adequado, testagem de forma indevida, dificuldade para desembarque e embarque entre outros, conforme o Sindicato, que afirma seguir cobrando que as empresas cumpram as determinações já feitas pelos órgãos competentes como o Ministério Público do Trabalho e ANVISA.

Um relato de um funcionário que trabalha embarcado em uma plataforma diz que “o bicho ‘tá’ pegando” e “a plataforma toda vai ser interditada”. Além disso, todos os funcionários estão sendo desembarcados em aeronaves exclusivas para quem está com Covid-19, apesar da dificuldade, já que quase “não tem piloto de aeronave para buscar” os embarcados.

DESEMBARQUE VIRA CAOS

Trabalhadores denunciam as dificuldades para desembarcar das plataformas mesmo já tendo cumprido a escala de trabalho. Em P-31, por exemplo, os trabalhadores afirmam que tiveram que aguardar três dias além do previsto para conseguirem desembarcar. Além dos trabalhadores, que já tiveram sua escala concluída, há contaminados e contactantes também aguardando o desembarque, enquanto a empresa alega dificuldades para conseguir voos.

Já na P-25, os trabalhadores ficam indignados com a falta de gestão. Segundo a denúncia, no dia 02 de janeiro um trabalhador desembarcou com Covid-19 e somente no dia 11 de janeiro, a equipe sanitária esteve a bordo para realizar a testagem em massa. O mais agravante, é que na data estava marcado o desembarque dos trabalhadores, que tiveram que esperar seis dias a mais para desembarcarem.

Outra embarcação que enfrenta problemas é a NS-51 flotel Tiradentes. De acordo com algumas denúncias, os trabalhadores não estão conseguindo desembarcar e a empresa tem obrigado os mesmos a trabalharem na folga.

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