O pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, não precisará mais usar tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (23) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou todas as medidas cautelares impostas ao político durante uma investigação da Polícia Federal.
Com a determinação, Canella também deixa de cumprir outras restrições, como recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, comparecimento periódico à Justiça e entrega dos passaportes.
A reportagem teve acesso à decisão, na qual Moraes afirma que, neste momento, não há prova direta da participação do pré-candidato nas operações financeiras analisadas pela Polícia Federal. Segundo o ministro, porém, existem vínculos políticos, funcionais e relacionais que aproximam Canella da estrutura investigada e justificam o aprofundamento das apurações.
A investigação faz parte da Operação Unha e Carne, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis no Rio de Janeiro, com movimentação estimada em R$ 7,6 bilhões. Segundo a Polícia Federal, Canella é investigado como um possível “braço político” do esquema.
Na decisão, Moraes destacou que os elementos reunidos apontam, em tese, para uma possível atuação coordenada entre agentes públicos, operadores econômicos e integrantes de organizações criminosas. A confirmação ou não dessas suspeitas ainda depende do avanço das investigações.
Após a decisão do STF, Canella publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que segue confiante na trajetória política e agradecendo o apoio recebido.
“Ele me conhece, conhece meu coração, conhece meu trabalho, sabe tudo o que eu fiz na vida política para melhorar a vida das pessoas, em defesa do cidadão de bem”, escreveu.
Canella, que já foi prefeito de Belford Roxo e deputado estadual, havia sido preso em flagrante no dia 7 de julho durante uma ação da 6ª fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, agentes encontraram um fuzil de uso restrito em um veículo ligado ao político.
Dias depois, Moraes concedeu liberdade provisória, mas determinou medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo informações apresentadas pela Polícia Militar ao STF, o armamento pertencia à corporação e havia sido disponibilizado para a segurança pessoal de Canella, com autorização formal. O fuzil estava registrado em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela escolta.
Com a nova decisão, Márcio Canella segue como investigado, mas sem qualquer medida cautelar em vigor. A Operação Unha e Carne continua em andamento.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.






