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Revelação sobre esquema milionário de ‘Faraó dos Bitcoins’ chegou à PF por meio de denúncia anônima

Polícia Federal afirma que R$ 7 mi encontrados em helicóptero, em Búzios, era de Glaidson Acácio e era oriundo de lavagem de dinheiro. Dinheiro estava escondido em três malas e seria levado para São Paulo

Uma denúncia anônima, feita em abril deste ano, levou a Polícia Federal a puxar o fio da meada sobre o esquema milionário de pirâmide financeira do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos. A dica do informante era de que “haveria uma aeronave fretada que realizaria o transporte por volta das 7h30, a partir do município de Cabo Frio, para um destino não identificado”, conforme consta num trecho do relatório da Polícia Federal, ao qual O GLOBO teve acesso. No entanto, não havia qualquer dado do que seria transportado.

Policiais do Núcleo de Análise da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com apoio da Polícia Federal de Macaé/RJ, acreditaram na informação, apostando se tratar de um grande carregamento de drogas. Agentes federais consultaram o controle aéreo do Aeroporto Internacional de Cabo Frio e constataram que havia a previsão da chegada, às 7h20 daquele dia, do helicóptero prefixo PT-OUP. A aeronave só faria um abastecimento e seguiria para o Hotel Insólito, em Armação de Búzios, conforme o plano de voo. E foi para lá que os policiais se deslocaram para fazer o flagrante.

Chegando ao local veio a surpresa: três pessoas estavam embarcando no helicóptero com três enormes malas contendo R$ 7 milhões em espécie. Robermann Dias Guedes, José Augusto Mariano Fernandes e Helen Barbosa Pinto foram detidos no local. Na delegacia, os dois homens contaram que trabalhavam para a GAS Consultoria e que o dinheiro tinha como destino a cidade de São Paulo. Ao buscar informações sobre a empresa, verificou-se que ela pertencia a Glaidson, conhecido na região dos Lagos como ‘Faraó dos Bitcoins’. O ex-garçom foi indiciado, na última quinta-feira, com mais 21 pessoas por crime contra o sistema financeiro nacional. Ele está preso em Bangu 1, presídio de segurança máxima do Complexo de Gericinó.

Ao se aprofundar no caso, os policiais federais, com o apoio do Ministério Público Federal e de auditores da Receita Federal, descobriram que Glaidson é o chefe de um esquema milionário de pirâmide financeira, que movimentou R$ 38 bilhões em quase seis anos.

Alguns dias depois da apreensão dos R$ 7 milhões, a PF levantou que o helicóptero foi emprestado pelo empresário Adalberto Salgado Júnior. De acordo com o relatório da PF, Salgado é “megainvestidor que tinha vultosos CDBs no Panamericano”. Os investigadores também descobriram que a aeronave pertencia a empresa Fato Gestora de Negócios LTDA.

Segundo ainda o documento que traz as investigações do caso, a Polícia Federal constatou que o helicóptero fez dezenas de viagens para Cabo Frio de janeiro de 2020 até junho de 2021. Entretanto, os investigadores destacam que, após a apreensão do dinheiro na aeronave, nunca mais o helicóptero aterrizou na cidade balneária. Adalberto Salgado parou de emprestar o meio de transporte para Glaidson.

O dono da GAS chegou a ir à PF requerer o dinheiro apreendido, alegando que o montante seria usado para comprar bitcoins. Alguns dias antes da sua prisão no dia 25 de agosto, o ex-garçom retornou à delegacia da Polícia Federal para tentar reaver os R$ 7 milhões. Na ocasião, a quantia já havia sido depositada numa conta da Justiça.

Em depoimento, Glaidson disse que o valor seria transportado para São Paulo “para realizar a compra de bitcoin nas mesas de OTC (mercado de balcão onde se compra as moedas virtuais). Perguntado por que não depositou o dinheiro, fazendo uma transferência bancária, o ex-garçom, que também é ex-pastor, apresentou como justificativa que “os bancos possuem uma rixa com o mercado de criptoativos” e que nunca conseguiu “realizar depósitos bancários acima de R$ 100 mil”.

Glaidson contou ainda que os criptoativos oriundos dessas negociações seriam remetidos para uma equipe de traders, responsáveis pelo envio para as exchanges.

Movimentações suspeitas

De maio de 2015 a novembro de 2021, Glaidson movimentou R$ 38 bilhões. Os dados vieram de Relatórios de Inteligência Financeiras (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citados na investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A prisão do dono da GAS foi pedida à Justiça Federal com base nestes documentos. O procurador da República Douglas Santos Araújo e o delegado federal Guilhermo de Paula Machado Catramby afirmam que as cifras são impressionantes. Cerca de 44% do valor movimentado por Glaidson foram registrados de junho de 2020 a maio de 2021, o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio, registrado em 2018.

O RIF, ao qual O GLOBO teve acesso, aponta operações de Glaidson com pelo menos 8.976 pessoas — sendo 6.249 físicas e 2.727 pessoas jurídicas.

*Com informações do Extra.

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