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Pastores da Universal roubaram R$3 milhões de dízimos e ‘lavavam’ dinheiro com ‘Faraó dos Bitcoins’

Igreja de Edir Macedo acionou a polícia após constatar prejuízo milionário em seus cofres. Grupo de 12 pastores roubava dinheiro doado por fiéis à instituição e lavava com "Faraó dos Bitcoins"

O Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) está investigando um esquema criminoso em que 12 ex-pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, teriam roubado cerca de R$ 3 milhões em dízimos pagos à instituição, que pertence ao bispo Edir Macedo, dono da TV Record e aliado de Jair Bolsonaro (Sem partido). Os bispos também teriam ligação com Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins.

Segundo informações de uma reportagem publicada neste sábado (9) no site Metrópoles, a denúncia partiu da própria Igreja Universal, que amargou o prejuízo em seus cofres.

A organização criminosa seria comandada pelo ex-pastor regional Nei Carlos dos Santos e abriu empresas de fachada para lavar o dinheiro vindo do dízimo dos fiéis, principalmente no chamado “culto dos 318”, destinado a empresários e pessoas que querem melhorar a vida financeira.

Santos e os outros 11 religiosos também teriam ligação com o Faraó dos Bitcoins, preso pela Polícia Federal em agosto deste ano. A PF acredita que as movimentações bilionárias feitas pelo Faraó teriam começado com o desvio de ofertas dos fiéis da Universal, supostamente facilitadas por Nei.

Segundo a PF, os pastores teriam abastecido o esquema do “Faraó” para lavar dinheiro com a criptomoedas.

Segundo a reportagem, os pastores são acusados de organização criminosa, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

A Universal, vítima dos pastores golpistas, acionou as autoridades policiais ao tomar conhecimento do desfalque milionário. Outra medida adotada pela igreja foi demitir os 12 suspeitos.

Veja foto de alguns dos pastores denunciados pela igreja:

Além dos suspeitos apresentados na imagem acima, outros cinco estão sob investigação: Carlos Alexandre de Oliveira, Cosme da Costa, Dayvid Jasino, Marcelo Eisenhower Neiva e Wanderson de Souza.

Sem saber explicar a origem dos bens acumulados, Nei foi desligado da Universal em 4 de fevereiro deste ano. “Fica evidente que esta empresa (NS Psicologia) pode ter sido constituída para lavar dinheiro do desvio de dízimos e ofertas. O próprio capital social da empresa já seria incompatível com a sua renda, sendo impossível sua criação utilizando valores legais”, diz a Universal em denúncia enviada à PCDF.

Relação com a G.A.S Consultoria

Em denúncia feita à Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) aponta que os representantes da GAS ofereciam uma espécie de contrato de investimento coletivo denominado “Contrato de Prestação de Serviços para Investimento em Bitcoin – moeda criptografada”, por meio do qual assegurariam aos investidores o rendimento bruto mensal de 10% sobre o valor investido por um prazo determinado mediante “aplicação de dinheiro brasileiro em mercado financeiro da moeda criptografada denominada Bitcoin”, com a previsão de que a remuneração da contratada pelos serviços prestados seria “o valor que ultrapasse o percentual líquido auferido pelos Contratantes, enquanto durar o presente contrato”.

Em abril deste ano, houve a apreensão, pela PF, de R$ 7 milhões em espécie, acondicionados em três malas que seriam transportadas de helicóptero do balneário de Armação dos Búzios (RJ) para a cidade de São Paulo (SP), com destinação desconhecida. A própria empresa reconheceu a titularidade dos valores, pleiteando a restituição.

Com o avanço das investigações, informações obtidas por meio de relatórios de inteligência financeira, afastamentos de sigilos fiscais, interceptação telefônica e medidas de busca e apreensão revelaram a magnitude do esquema criminoso, que movimentou, de maneira ilícita, pelo menos R$ 38.223.489.348,97, por meio de pessoas físicas e jurídicas no Brasil e no exterior, sendo mapeadas, até o momento, atividades da organização criminosa em, ao menos, sete países: Estados Unidos da América, Reino Unido, Portugal, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Emirados Árabes Unidos.

Ações judiciais

Centenas de vítimas que sofreram prejuízos após a quebra das pirâmides financeiras promoveram uma corrida aos tribunais para tentar reaver parte dos valores investidos. Segundo o advogado Leonardo Honorato, especialista na área de recuperação de ativos, sócio do escritório Almeida, Honorato e Pimenta Advogados, os clientes da GAS interessados em recuperar os valores investidos devem ajuizar as ações o quanto antes: “Já existem mais de 300 processos distribuídos, considerando somente o estado do Rio de Janeiro e o Distrito Federal e não se tem certeza de que os valores bloqueados pela Justiça sejam suficientes para ressarcir o capital original de todos os investidores”, disse.

Procurada, a defesa da Igreja Universal do Reino de Deus informou que não irá mais se pronunciar sobre os fatos, pois pediu segredo de Justiça no processo sobre os 12 ex-pastores. Também foram feitos contatos com Nei Santos e as defesas de Glaidson e a GAS Consultoria e Tecnologia, mas eles não se manifestaram. Os outros 11 ex-pastores denunciados pela Iurd não foram localizados pela reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações

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