Pai de bebê morta por maus tratos havia denunciado mãe ao Conselho Tutelar de Arraial, mas não teve retorno

Maria Sofia, de 1 ano, morreu após sofrer agressões da menor, de 17 anos, e do padrasto

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Nove meses antes de saber da morte cerebral da filha, João Vítor da Silva Flora pediu socorro. O pai avisou que a pequena Maria Sofia Flora, de 1 ano, sofria maus tratos do padrasto e da própria mãe, uma menor de 17 anos.

O pedreiro procurou o Conselho Tutelar de Arraial do Cabo no dia 10 de maio, do ano passado. Lá, relatou que a bebê apanhava com frequência. Acusou a ex-companheira, de espancar, por diversas vezes a filha, além de denunciar as agressões constantes que a menina era submetida pelo namorado da ex-companheira, Mateus Monteiro. 

No fim do ano, o Conselho Tutelar mandou uma mensagem para o pai da criança. Através do WhatsApp, o órgão informou que o caso estava na Justiça e que a Defensoria Pública acompanharia o processo. Não houve mais retorno para a família.

Já a conselheira tutelar de Arraial do Cabo, Giselda, entrou em contato com o Portal e deu a versão dela. Segundo Giselda, o pai da garotinha a procurou no dia 10 de maio do ano passado. “Eu escrevi um termo de declaração da forma que ele me contou. Que a genitora havia ido embora com a Maria Sofia e que ele estava muito preocupado, porque não sabia como a menina estava sendo tratada. Diante de outras coisas que ele me falou que a genitora que era menor de idade também -tinha 16 anos – já estava sendo acompanhada pelo conselho tutelar de Itaperuna e, diante disso, ele pediu e queria entrar com guarda judicial da menina. Eu encaminhei para a promotoria, para que ele fizesse o ajuizamento da guarda. O que coube ao Conselho Tutelar de Arraial do Cabo foi feito, isso que quero deixar bem claro. Mas ela já era acompanhada por outro conselho tutelar e eu não tive contato nenhum com a menina, só com o genitor mesmo. Tentei falar com a genitora, mas não obtive êxito”, explicou a conselheira.

No dia 7 de fevereiro deste ano, a pequena Sofia deu entrada no Hospital Municipal Evandro Freire. Como o estado de saúde da criança era muito grave, precisou ser transferida para o Hospital Municipal Albert Schwietzer. Entubada e sem responder a estímulos, teve a morte cerebral três dias depois. No dia 11, os aparelhos foram desligados. 

Os exames de imagem detectaram traumatismo craniano. A equipe médica desconfiou de maus tratos e encaminhou o corpo da bebê para perícia, no Instituto Médico Legal. No IML, o perito Paulo Fidélis Teixeita atestou que a criança teve sutura entre os ossos da parte superior do crânio, na região da testa. Por conta das agressões, a pequena ainda teve diversas infiltrações hemorrágicas.

O delegado responsável pela investigação encaminhou a mãe, para internação em uma unidade de sócio educação. Flávio Ferreira Rodrigues ainda pediu a prisão temporária, de 30 dias, do padrasto, mas vai pedir que Mateus Monteiro fique preso até o julgamento do caso. 

A avó paterna de Sofia afirma que a morte da neta poderia ter sido evitada. Romilda Nunes da Silva afirma que ela e o filho, que é o pai de Sofia, levaram provas de que a criança era maltratada e estava em risco de morte.

A testemunha é Maria Vitória Barbosa Oliveira, que foi vizinha de Sofia. Ela afirma que a criança era constantemente agredida e quando foi saber o que acontecia, foi ameaçada de morte pelo padastro da menina, Mateus Monteiro.

O Tribunal de Justiça se limitou a dizer que o processo em que o pai pedia a guarda da filha corre, no presente, em segredo de justiça.

Enquanto o caso segue sendo analisado pelo judiciário, Maria Sofia Souza Flora foi enterrada no dia 11 de fevereiro, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio.

*Com informações da Band News FM.

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