A repercussão das denúncias envolvendo o padre Ademar Ermilindo Pimenta ganhou um novo capítulo em Saquarema. Laura Gabriela, autora da carta aberta que tornou públicas acusações contra o sacerdote, afirmou ter sido afastada de suas atividades na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré após a divulgação dos relatos e das manifestações feitas nas redes sociais.
Segundo Laura, o afastamento teria sido comunicado por uma coordenadora da catequese e atribuído a uma decisão do pároco da comunidade. Em publicação recente, ela afirmou que a medida ocorreu sob a alegação de que estaria promovendo “discursos de ódio”, acusação que nega.
“Em nenhum momento meu objetivo foi promover ódio contra qualquer pessoa. Meu compromisso continua sendo com a verdade, com a proteção dos mais vulneráveis e com o direito de vítimas e testemunhas serem ouvidas com respeito e seriedade”, escreveu.
As denúncias contra o padre Ademar vieram a público após a divulgação de uma carta aberta, posteriormente repercutida nacionalmente pela revista Veja. No documento, Laura relata supostos constrangimentos, intimidações e comportamentos considerados inadequados envolvendo crianças e jovens ligados à comunidade católica. Ela também afirma que autoridades eclesiásticas teriam sido informadas anteriormente sobre relatos semelhantes.
Nos últimos dias, a denunciante publicou um vídeo nas redes sociais lendo uma carta enviada por um ex-integrante da comunidade que preferiu não se identificar. No relato, o jovem descreve situações de desconforto durante o período em que atuou como coroinha, incluindo elogios frequentes à aparência física, abraços considerados excessivos e comportamentos que, segundo ele, causavam constrangimento.
Durante o vídeo, Laura afirma que o caso não se trata de um episódio isolado e sustenta que existiriam outros relatos e documentos encaminhados ao longo dos anos às autoridades religiosas. Ela também declarou que o caso estaria sendo levado às autoridades competentes e à Santa Sé.
Após a repercussão das denúncias, a Arquidiocese de Niterói anunciou a suspensão de Ademar Pimenta do exercício das ordens sacerdotais. Em nota divulgada pelo setor de comunicação da instituição, foi informado que o sacerdote não ocupava ofício eclesiástico desde 2019 e residia em Saquarema, colaborando eventualmente com a paróquia local mediante convite.
A Arquidiocese informou ainda que a suspensão foi determinada após a análise das informações recebidas pela Cúria Metropolitana e que a medida permitiria ao sacerdote dar continuidade ao tratamento de saúde.
Até o momento, não há divulgação de decisão judicial relacionada aos fatos relatados. O padre Ademar Pimenta não se pronunciou publicamente sobre as acusações. As denúncias seguem sendo tratadas no âmbito eclesiástico e poderão ser analisadas pelas autoridades competentes caso sejam formalmente apresentadas aos órgãos de investigação.





