MPRJ realiza operação para prender traficantes de Maricá que sequestram caminhoneiros

Organização criminosa conta com advogados e despachantes, inclusive em outros estados, para a intermediação e negociação da liberação dos caminhões, em caso de retenção pelas autoridades fiscalizadoras

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realiza, nesta terça-feira (22), uma operação para prender 11 integrantes de uma organização criminosa, ligada ao Comando Vermelho (CV), que sequestra caminhoneiros em Maricá para utilizar os veículos na prática do tráfico de drogas.

De acordo com o MPRJ, o grupo, que tem como base a comunidade do Mutirão, no bairro de São José do Imbassaí, atrai os motoristas para a localidade a pretexto da contratação de fretes inexistentes, roubando os caminhões após a rendição dos profissionais.

As investigações demonstraram uma organização criminosa violenta, articulada e ousada, especializada em atrair caminhoneiros até Maricá para subtrair os caminhões e demais bens pessoais, mantendo as vítimas por dias sequestradas sob graves ameaças, exercidas por meio de intimidação com armamento pesado e agressões.

Após os roubos, motoristas contratados pela facção tomam a direção dos caminhões e se dirigem ao Mato Grosso do Sul, para carregá-los com grande quantidade de entorpecentes e abastecer comunidades dominadas pelo CV, a partir do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.

As vítimas ficavam subjugadas por dias, privadas de água e alimentos, sendo obrigadas a atender telefonemas para evitar que os caminhões fossem apreendidos em rodovias, segundo o Ministério. Para tanto, a organização conta com advogados e despachantes, inclusive em outros estados, para a intermediação e negociação da liberação desses veículos, em caso de retenção pelas autoridades fiscalizadoras.

A organização criminosa é dividida em núcleos. A chefia, que planeja os crimes e atrai as vítimas, é integrada pelo traficante Marcos Vinícius Dias Laurindo, vulgo “Lobo Mau”, chefe do tráfico na comunidade do Mutirão, e pelo seu braço-direito, Wesley Gomes Toledo, vulgo “Pitbull”. Além da chefia, a organização criminosa é formada pelo núcleo operacional, que atua na via pública, abordando e roubando as vítimas, e é responsável pela vigilância do cárcere das mesmas, e o núcleo dos caminhoneiros, responsável por dirigir os caminhões subtraídos até a fronteira com o Paraguai para a busca de entorpecentes.

A operação, do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), é realizada em parceria com a Polícia Civil e conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). 

*Imagem ilustrativa.

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