Movimento no feriadão decepciona comerciantes e empresários de Cabo Frio: “pior Corpus Christi em 13 anos”

Com promessa de 70% de ocupação, hotéis e pousadas registraram apenas 25%, menos que a metade do previsto. Segundo Carlos Cunha, presidente da Associação de Hotéis do município, faltam eventos para atrair público

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A movimentação no feriado de Corpus Christi decepcionou e segue decepcionando comerciantes e empresários de Cabo Frio. Inicialmente, com promessa de 70% de ocupação, a surpresa foi negativa quando a Associação de Hotéis divulgou que o município receberia apenas 25% – menos que a metade do estimado. No bairro Vila Nova, que é considerado termômetro do movimento na cidade – já que é conhecido por receber excursões -, não está sendo diferente.

Rafael Soares, proprietário do restaurante Village, já está no ramo há 13 anos e, em depoimento nesta sexta-feira (17), afirma que no ano passado, mesmo quando a pandemia de Covid-19 estava em alta, o número de clientes foi maior. “É o pior feriado de Corpus Christi (…) [Tivemos apenas] 15% de ocupação aqui, nas casas de aluguel, pousadas… e olhe lá, hein?”, pontua. O empresário atribui tudo isso à economia do país.

Na loja de conveniências que fica em frente ao restaurante, o proprietário Cauã Ferreira também contou que foi uma decepção completa. Ainda mais crítico que Rafael, o comerciante afirmou que este ano foi 100% pior que 2021.

O baixo movimento na cidade pode ser atribuído a uma série de fatores, como a previsão do tempo, que indicava mau tempo, ou à proibição da circulação de ônibus de turismo pela prefeitura, pelo decreto de número 6864, onde foi determinado que os veículos apenas poderiam fazer o embarque e desembarque no Terminal de ônibus, que fica situado no bairro Jacaré.

Em nota, a Associação de Hotéis da cidade afirmou que o ramo gostaria de ter sido avisado com precedência, para que alguma atitude fosse tomada. “Gostaríamos de ter sido avisados com antecedência pela prefeitura de Cabo Frio, para que pudéssemos ter preparado uma operação logística que possibilitasse levar os hospedes aos seus meios de hospedagem contratados. Sem isso, geramos um grande transtorno àqueles que estão na cidade”, disse Carlos Cunha, ex-secretário de turismo do município e atual presidente da associação.

E, ao que tudo indica, a situação realmente indignou turistas e agências que estavam pela região. Por conta da distância de um ponto a outro, um agente de viagem que lidava com hospedes que estavam instalados em um tradicional Hotel localizado na Praia do Forte, que fica a, aproximadamente 4 km do bairro Jacaré, precisou alugar veículos para que acontecesse o transporte dos passageiros e bagagens, sem poder repassar o custo extra. “Não imaginávamos que passaríamos por isso em uma cidade turística”, declarou o proprietário.

O que pode melhorar?

O feriado de Corpus Christi não é o mais conhecido por atrair turistas à cidade, entretanto, Cabo Frio é uma cidade turística, ou seja, é comum que datas festivas atraiam pessoas. Uma brincadeira comum entre moradores, por exemplo, é que a maioria das pessoas que vêm são de Minas Gerais. “Mineiro gosta mesmo é de Cabo Frio”.

E, nesse feriadão, a promessa realmente era receber muitos mineiros. Em Juiz de Fora, por exemplo, na segunda-feira (13), foi dia do padroeiro da cidade, o que fez com que praticamente toda a semana fosse ‘emendada’ em feriados. “Achei que Cabo Frio ia bombar de mineiros”, disse uma moradora. Infelizmente, conforme contam empresários e comerciantes, isso não aconteceu.

E o questionamento que fica é: o que ser ajustado? Segundo Carlos Cunha, faltaram atrativos. “Imagina, você não mora em Cabo Frio. O que é que te traz para Cabo Frio? A praia! Porém a praia, nessa época do ano, não dá, está frio. Qual atrativo que tem em Cabo Frio? Qual evento que traz para Cabo Frio? Não temos nenhum evento na cidade, não temos nenhum evento acontecendo, nem para acontecer”, comentou.

Além disso, o trade turístico afirmou que, nesta sexta-feira, se reuniu com a Associação de Hotéis da cidade para que fossem discutidas opções de evento para a baixa temporada, já que “não podem contar com a prefeitura”. “Estamos procurando alguns produtores, né? As entidades todas se reuniram nessa semana na quarta-feira (15) falando exatamente sobre isso. Já estamos em reunião com os produtores locais trazendo, buscando alternativas para nós mesmos trazermos os eventos para poder atrair público, principalmente nesses meses de maio, junho, agosto, que são assim ‘terroríficos’ para o turismo”, conclui.  

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