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Morre Jorge Picciani, ex-presidente da Alerj

Ele estava internado em um hospital em São Paulo, onde fazia um tratamento de câncer

Morreu na madrugada desta sexta-feira (14) o ex-deputado estadual Jorge Picciani, de 66 anos. Ele estava internado desde o dia 8 de abril no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde fazia um tratamento de câncer na bexiga.

Picciani foi presidente da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj) por vários mandatos. O atual presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), já ofereceu a Casa para o velório.

Conhecido como o “Homem de Palavra”, Picciani era um defensor do estado de direito democrático. Foi aliado do ex-governador Sérgio Cabral e chegou a ser investigado pela Lava Jato, suspeito de corrupção.

Uma de suas características era a habilidade de negociar e conseguir votos. Em uma de suas eleições, conseguiu também eleger também o filho, o ex-deputado estadual Rafael Picciani.

Carreira

Em 1990, Picciani conquistou o primeiro de seus seis mandatos como deputado estadual. Passou por todos os cargos importantes do Legislativo, até se eleger, por quatro mandatos consecutivos, presidente da Alerj (2003-2010). Em 2015, após ficar quatro anos afastado, voltou a ocupar o cargo.

Um dos seus projetos reduziu as férias dos parlamentares. Foi durante a sua gestão também que a lei proibindo o nepotismo foi aprovada – 3 anos antes de o STF estabelecer a não contratação de parentes como regra nacional. É de sua autoria ainda a lei que garantiu vagões exclusivos para mulheres na hora do rush em trens e no metrô do Rio.

Picciani criou também a Comissão de Ética da Alerj – que levou à cassação quatro deputados –, a TV Alerj, a Escola do Legislativo, o Fórum de Desenvolvimento do Estado e o Parlamento Juvenil.

Em 2010, disputou uma cadeira do Senado. Obteve 3.048.034 de votos e, por uma pequena diferença do segundo colocado (0,8%), não atingiu seu objetivo.

Entre 2011 e 2014, se dedicou à vida empresarial e presidiu o PMDB-RJ.

Candidato nas eleições de 2014 a deputado estadual, Picciani recebeu 76.590 votos. Foi a nona maior votação no Estado do Rio e a terceira do PMDB-RJ.

De volta à Alerj, reassumiu a presidência em 2015, com 65 dos 70 votos dos deputados estaduais. Seu primeiro ato foi propor um pacote de medidas de transparência e austeridade, entre eles a redução do auxílio-educação, que passou a ser estendida a alunos de escolas públicas.

Nos primeiros 20 anos como deputado, ele só se afastou uma vez do Legislativo: em 1993, foi convidado pelo então governador Leonel Brizola para assumir a Secretaria Estadual de Esportes e Lazer e a presidência da Suderj.

As missões eram recuperar o Maracanã, que havia sido interditado após a grade da arquibancada ceder, ferindo dezenas de torcedores no final do campeonato brasileiro, e reabrir o Macaranazinho, que também havia sido fechado após um acidente durante um show de rock que matou um jovem eletrocutado.

Formado em contabilidade pela UERJ e em estatística pela Escola Nacional de Estatística, Jorge Picciani nasceu no dia 25 de março de 1955 e era pecuarista há 30 anos. O grupo Monte Verde, que ele presidia, é uma referência na área de reprodução assistida de gado Nelore e GIR leiteiro no Brasil.

Picciani era casado com Hortência Oliveira Picciani desde 2014 e tinha cinco filhos: o deputado federal Leonardo Picciani; o deputado estadual Rafael Picciani; o zootecnista e empresário Felipe, que presidiu a Associação Nacional de Criadores de Nelore e cuida dos negócios da família; Arthur, de 10 anos, e o caçula Vicenzo.

Prisões

Picciani foi alvo de duas grandes operações contra a corrupção na Alerj. Em novembro de 2017, a Operação Cadeia Velha prendeu o então presidente da Casa, além dos deputados Paulo Mello e Edson Albertassi.

Segundo as investigações, os deputados usavam da sua influência para aprovar projetos na Alerj para favorecer as empresas de ônibus e também as empreiteiras.

Um ano depois, já em prisão domiciliar, Picciani e outros nove parlamentares foram alvo da Furna da Onça, sobre o recebimento de propinas mensais de até R$ 100 mil e de cargos para votar de acordo com o interesse do governo.

O esquema teria movimentado pelo menos R$ 54 milhões, segundo a PF.

*Com informações do G1.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Colabora no jornal O Dia e Blog Cutback.
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