Mesmo indiciados por morte de bebê em Cabo Frio, médicos continuam trabalhando

Situação aconteceu no dia 30 de setembro de 2020, mas a conclusão do inquérito veio em 2021. Desde então, os pais lutam para que a morte de Manuella, que tinha síndrome de down, "não tenha sido em vão"

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Dois médicos indiciados por homicídio de uma bebê com síndrome de down no Hospital da Mulher, em Cabo Frio, continuam exercendo a profissão. Quem fez a denúncia foi a família de Manuella Ataíde Chaves, que tinha dois meses quando morreu. Segundo o relato, houve negligência durante o atendimento.

A situação aconteceu no dia 30 de setembro de 2020, onde a bebê apresentava convulsões pela manhã e necessitou de atendimento de emergência. Ao chegar na UPA do município, durante a assistência, os profissionais não conseguiram encontrar a veia da criança, liberando em seguida e afirmando que a paciente estaria bem.

Mas as coisas não correram bem. Durante o período em que retornou para casa, Manuella piorou, se fazendo necessário o retorno ao hospital no fim daquela tarde. Novamente os profissionais, após várias perfurações, não encontraram a veia da criança. Depois disso, foi pedida a transferência dela para o Hospital da Mulher.

Ao chegar no local, a gerência do hospital afirmou que não tinha emergência para a Manuella. Familiares acreditam que o ‘descaso’, como os mesmos afirmam, é devido à aparência da pequena, que tinha Síndrome de Down.

Após ter o atendimento negado, retornaram com a bebê à ambulância. Foi neste momento que a situação dela agravou ainda mais, e ela apresentou mais convulsões. Quando seria feito o caminho para retornar ao hospital, Manuella não resistiu. Foram 14 horas entre o primeiro e último atendimento.

Os pais da criança abriram um procedimento apuratório na secretaria de Saúde, já que, segundo afirmam, o secretário da pasta na época “ignorou todas as tentativas de explicações aos pais”.

Mas eles não desistiram. No ano de 2021, na atual administração, foi aberta uma sindicância, onde os pais recorreram através de denúncias ao MPRJ, Ministério da Saúde e Conselho Tutelar de Cabo Frio – onde, conforme afirmam, ouviram de uma conselheira que “sua filha, por ter falecido, não tinha qualquer direito ali”.

Em seguida, diante de toda a situação, os pais registraram um boletim de ocorrência na 126ª DP (Cabo Frio). Depois das investigações e conclusão do inquérito, foi encaminhada para o Ministério Público de Cabo Frio a solicitação do indiciamento de dois médicos por homicídio.

A maior indignação da família, de acordo com os relatos, é o fato de os dois médicos continuarem trabalhando normalmente na unidade. “Após a morte de Manuella, várias crianças faleceram no município, em circunstâncias suspeitas”, afirmam.

Os familiares da pequena contam ainda que buscam visibilidade para o caso para que “tudo não tenha sido em vão”.

O Portal RC24h entrou em contato com a prefeitura do município que, em nota, afirma que os profissionais não atuam mais no Hospital da Mulher, sendo que, um deles, já está aposentado (não foi confirmado se o profissional ainda exerce a profissão). Além disso, foi informado que será aguardada a decisão final da justiça para que qualquer atitude referente ao desligamento total do profissional envolvido seja tomada.

3 COMENTÁRIOS

  1. Perdi meu filho também quase nesse período,dia 30 de dezembro 2019,passou mau dia 20 de dezembro ficou uma semana internado,voltou pra casa,adoeceu dando convulsão Dino voltou dia 30 é faleceu,muito cuidado mães com seus filhos

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