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Consultor de Glaidson assume: “entram R$ 2 bi por hora nas contas” que são ‘transformados’ em criptomoedas em minutos

PF também descobriu que Glaidson abriu empresas no exterior.

Um consultor de Glaidson Acácio dos Santos, preso por um esquema ilegal de bitcoins, afirmou em uma conversa interceptada com autorização da Justiça há um mês que investidores aportavam, por hora, R$ 2 bilhões nas contas das empresas — mesmo assim, se disse tranquilo sobre possíveis bloqueios judiciais. A informação foi divulgada no Portal G1 nesta segunda-feira (27).

“Ah, se bloquearam as contas? Hoje não, risco nenhum, em conta nenhuma. Eles olham e não tem dinheiro”, disse Michael de Souza Magno, um dos consultores de Glaidson.

Michael revelou a estratégia à interlocutora, que não foi identificada pela Polícia Federal (PF): “De dez em dez minutos, entra uma menina na conta do Banco do Brasil e transforma todo o saldo que tem em criptomoedas.”

“Hoje, para você ter uma ideia, entra uma média de dois bi a cada hora na conta da empresa”, destacou.
O telefonema foi dado dias antes da Operação Kryptos, que prendeu Glaidson e um sócio, Tunay Pereira, em 25 de agosto. Michael é considerado foragido.

A PF pediu à Justiça e obteve o bloqueio de R$ 38 bilhões que teriam passado pela GAS Consultoria Bitcoin desde 2015. A decisão atinge quatro contas da GAS e mais outras em nome de Glaidson, Mirelis e sócios.

Dinheiro em envelopes apreendidos na casa de Tunay, sócio de Glaidson — Foto: Reprodução

Empresas no exterior
Policiais e procuradores suspeitam ainda que Glaidson e seus sócios no mercado de criptomoedas abriram contas e empresas em outros países. As operações não foram declaradas à Receita Federal.

A suspeita é que o dinheiro usado seja de pessoas que aplicaram na empresa esperando lucros com a compra de criptomoedas. A força-tarefa concentra as investigações nos Estados Unidos, Emirados Árabes, Portugal, Uruguai, Colômbia e Malta.

As aplicações da GAS Consultoria foram consideradas irregulares pela PF. As suspeitas de gestão temerária e desvio dos investimentos se reforçaram quando a PF apreendeu dinheiro de investidores na casa de Tunay Pereira Lima, sócio de Glaidson.

Em cada envelope havia o nome de Tunay, do investidor e da data da aplicação, o que foi considerado “rústico” pelos investigadores. O controle de investimentos era feito apenas em planilhas de Excel.

Glaidson está preso no complexo penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Na quinta-feira (23), ele e mais 21 pessoas foram indiciadas pela PF por crime contra o sistema financeiro e organização criminosa.

De acordo com as investigações, Glaidson começou a investir em criptomoedas em 2015, incentivado pela mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa.

Em 2017, passou a adquirir joias. Em 2018, viajou a Israel, Itália e Portugal.

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