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Clientes denunciam calote de ‘Pastor do Bitcoin’ em Cabo Frio

Eagle Eyes prometia lucros de até 30% ao mês e encerrou atividades; dono da empresa também mantinha igreja apostólica no bairro Jardim Esperança

Nova empresa, mesmo golpe. Em Cabo Frio, o famoso Novo Egito, clientes da Eagle Eyes começaram a denunciar calote dado por ‘Pastor do Bitcoin’. A empresa, que operava com sede na cidade, é mais uma possível pirâmide financeira camuflada de investimento em criptomoedas. Os saques foram suspensos logo depois do anúncio de encerramento das atividades.

A Eagle Eyes Investimento celebrava o contrato com os investidores no bairro Jardim Esperança, a menos de três quarteirões de distância da Igreja Apostólica Ministério Renascer em Silva, também mantida por Jonas Gomes da Silva, o ‘Pastor do Bitcoin’, e prometia lucros entre 15 e 30% ao mês, sem dar muitas explicações, apenas afirmando operar com “trade especializado de criptomoedas”. No contrato, eram utilizadas imagens de Bitcoins.

Uma mulher que investiu cerca de R$ 13 mil reais no mês de julho, fruto de uma poupança de anos, contou que mora no mesmo bairro onde a empresa ficava e conheceu a Eagle Eyes por meio de ‘consultores’.

Os contratos, com aportes iniciais de R$ 2 mil, que rendiam 30% por mês, tiveram lucros reduzidos para 15% ao mês, com investimentos de R$ 3 mil. Todos eram reconhecidos de firma em cartório. O capital social declarado pela Eagle Eyes é de R$ 110 mil.

Na sexta-feira passada (24), após o pagamento de alguns rendimentos, um comunicado foi enviado aos clientes por meio de um aplicativo de mensagens, dizendo que “devido à situação de tudo que tem acontecido em Cabo Frio, a maioria dos investidores estão pedindo o seu capital”. Em seguida, foi anunciado o encerramento. “Agradecemos a todos que acreditaram e confiaram a nós o seu bem, mas decidimos encerrar nossas atividades e devolver o capital de todos”. Desde então, sócio, esposa e família não respondem mais os clientes.

O dinheiro aportado na empresa era retido pela Eagle Eyes por seis meses, impedindo que os clientes efetuassem o saque do valor investido com antecedência.

Em consulta do CNPJ, constata-se que a empresa surgiu em maio deste ano, e apenas Jonas Gomes da Silva, o ‘Pastor do Bitcoin’, conta como sócios. Os telefones fornecidos não respondem.

Além de Jonas, Matheus Silva dos Santos, apontado como contador responsável por efetuar os pagamentos dos rendimentos e cunhado do pastor, também sumiu e deixou de responder os investidores.

Segundo informações, a Eagle Eyes pode ter captado R$ 10 milhões de cinco mil clientes.

Essa é a quinta empresa de investimentos que deixa de realizar os pagamentos a investidores na Região dos Lagos. Em julho desde ano, o Portal RC24h mostrou que outra empresa com sede no bairro Jardim Esperança, a Black Warrior, fechou as portas e deixou clientes a ver navios.

Logo depois, em agosto, um empresário do ramo de criptomoedas, dono da Winzer Cooperativa, em São Pedro da Aldeia, também foi acusado de aplicar golpes e “sumiu”.

Em caso mais recente, a Alphabets, empresa de apostas esportivas, gerou revolta em investidores após “não honrar com o prometido”.

E o caso que ganhou grande repercussão no mundo todo, a GAS Consultoria, que tem Glaidson Acácio dos Santos como dono, e sede em Cabo Frio, também suspendeu pagamentos após bloqueio de bens na Justiça.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Editora no Blog Cutback e colaboradora no jornal O Dia.
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