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Artigo de cientistas do NUPEM/UFRJ é publicado em revista internacional e mostra eficiência no modelo macaense de combate a COVID-19

O sistema de geolocalização permitiu rastrear a incidência de casos. Nos seis primeiros meses da pandemia, Macaé registrou 1,8% de letalidade, uma fração cinco vezes menor que a da capital do estado, que foi 10,7%.

O estudo do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ) publicado no dia de hoje 13 de outubro de 2021 na Nature Scientific Reports (https://www.nature.com/articles/s41598-021-99475-7), uma das principais revistas científicas do mundo, aponta Macaé como a cidade mais eficiente no enfrentamento à COVID-19 no estado do Rio de Janeiro, em 2020. A publicação mostra que as ações articuladas envolvendo os setores público (UFRJ, Prefeitura Municipal, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho) e privado (hospitais e empresas do ramo do petróleo) possibilitaram prevenir tanto contaminação quanto mortes pela COVID-19.

A abordagem consistiu na realização de testes moleculares em massa associados à análise científica de dados sobre a disseminação da COVID-19. A metodologia multidisciplinar inovadora que foi conduzida pelo NUPEM/UFRJ envolveu biólogos geneticistas, biomédicos, ecólogos, médicos, engenheiros e estatísticos, que uniram suas especialidades para trabalhar com ciência de dados. Em uma iniciativa exemplar, agentes públicos e privados colaboraram no suporte em estrutura física e recursos financeiros para a realização de milhares de testes para a detecção do SARS-CoV-2.

A rotina das testagens iniciava com a coleta diária de amostras por meio do swab nasal de pacientes sintomáticos que procuravam o Centro de Triagem do Paciente do Coronavírus (CTC) ou estavam hospitalizados. Essas amostras eram então imediatamente enviadas para o NUPEM/UFRJ, junto com o termo de consentimento para o uso de informações relevantes para a pesquisa (idade, endereço residencial, sintomas e ocupação/profissão).

Na universidade, uma parte da equipe submetia cada amostra ao método padrão ouro RT-qPCR, sendo que a notificação do paciente com o resultado do teste ocorria em até 48 horas após a coleta no CTC ou hospital. Paralelamente, outra parte da equipe inseria os dados dos pacientes testados em um sistema de geolocalização desenvolvido pelo Prof. Marcio Medeiros e pela aluna de doutorado em Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC) Janimayri Forastieri de Almeida. Assim, o prazo entre a busca da população pelo serviço e a notificação com o resultado do teste realizado no NUPEM/UFRJ foi muito menor que aquele levado por outros laboratórios aptos a realizarem o teste, como o LACEN. Essa rápida notificação e a adoção do isolamento domiciliar dos casos positivos contribuiu para a restrição de contaminação em Macaé.

Segundo o Professor Rodrigo Nunes da Fonseca, Diretor do NUPEM e autor correspondente do estudo “os resultados do artigo demonstram que a abordagem multidisciplinar e multi-institucional, com o engajamento da sociedade macaense foi capaz de mitigar os efeitos da pandemia no município. Esse é um claro exemplo de como o conhecimento científico pode ajudar diretamente em questões que afetam a sociedade”.

Segundo a Professora Ana Petry, que juntamente com a Professora Natalia Martins Feitosa e o Tecnólogo Bruno Rodrigues são os primeiros autores do artigo, “nosso estudo revela que as regiões mais populosas da cidade tiveram mais casos e mortes e que homens em idade de trabalho foram os mais acometidos”. Segundo a professora Ana, a experiência única de integrar uma equipe tão diversa em suas especialidades e comprometida com a questão de saúde pública mais séria, em séculos, é um marco em sua carreira científica e motivo de extrema realização pessoal”. Como Ecóloga, a Professora Ana adaptou técnicas de análises dados ambientais para a área da saúde, buscando padrões nos sintomas e nos dados de biologia molecular de pacientes positivos para a COVID-19, uma doença que desafia a humanidade desde 2020.

A metodologia desenvolvida no NUPEM/UFRJ foi uma importante ferramenta de gestão para a prefeitura de Macaé. A análise semanal dos dados disponibilizou informações de caráter gerencial da pandemia ao poder público municipal, como índices de incidência dos casos, que permitiam a emissão de alertas e chamados para testagens direcionadas a determinados bairros, isolamento e acompanhamento da evolução das pessoas contaminadas. Na discussão do trabalho, os autores já indicavam uma possível nova onda de contaminações de COVID-19 em Macaé para 2021, tendo em vista a alta circulação de vírus e o aumento do número de linhagens presentes no município, um fato que infelizmente se concretizou.

Mapas da cidade de Macaé demonstrando os bairros e risco relativo de testes para detecção da COVID-19 através de RT-qPCR e de mortes na cidade. Pode-se observar extensa correspondência entre os casos positivos e as mortes.

Resultados

O Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (NUPEM/UFRJ) concluiu o projeto com mais 15 mil testes padrão-ouro de PCR realizados durante 40 semanas em 2020, elevando Macaé ao status de município que proporcionalmente realizou mais testes no estado.

No primeiro semestre de 2020, Macaé registrou 1,8% de letalidade associada à COVID-19, uma fração pelo menos cinco vezes menor que a capital 10,7%. A experiência desse esforço conjunto de engajamento público e privado em Macaé foi bem-sucedida, e pode ter salvado a vida de dezenas de pessoas com o diagnóstico no início da infecção.

O projeto arrecadou doações de pessoas físicas e jurídicas direcionadas a uma conta gerenciada pela fundação COPPETEC da UFRJ. O projeto teve apoio do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho, da Justiça Federal de Macaé e Itaperuna, da AdUFRJ, dos médicos do trabalho da região, além de hospitais e cooperativas de Saúde, como a Unimed Costal do Sol, a Irmandade São João Batista e o Hospital São Lucas. A prestação de contas completa do projeto encontra-se em: http://transparencia.coppetec.ufrj.br/pesquisa-covid19-macae.php

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