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Aplicação errada de vacina contra a Covid em paciente de Cabo Frio ganha destaque na maior revista de radiologia ortopédica do mundo

Paciente teve reação inflamatória cerca de 30 minutos após ser vacinada com AstraZeneca e foi diagnosticada com uma bursite no ombro

Milhões de doses de vacinas para a prevenção de Covid-19 já foram administradas a adultos em todo o mundo durante a pandemia. Uma paciente de Cabo Frio, que foi vacinada no Rio, sofreu uma bursite subacromial-subdeltoide após a aplicação de uma dose da AstraZeneca, relacionada à injeção do líquido na bursa – uma bolsa de líquido que protege a articulação do ombro -, resultou em uma reação inflamatória. O estudo do caso rendeu um artigo publicado na maior revista de radiologia ortopédica do mundo, a Skeletal Radiology.

Conforme o artigo publicado pelos profissionais cabo-frienses Aline Serfaty, da Medscan Lagos, e Pedro Filgueiras Hidalgo, da Ortopedia São Marcos; em conjunto com Tatiane Cantarelli Rodrigues e Abdalla Youseff Skaf, do Departamento de Radiologia do Hospital do Coração, em São Paulo, a mulher, de 61 anos, começou a sentir uma dor excruciante no ombro direito cerca de 30 minutos após tomar a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca.

“Tomamos conhecimento do caso quando a paciente foi na clínica para fazer a ressonância do ombro. Quando vimos as imagens, percebemos as alterações que mostramos no artigo”, explicou a diretora médica da Medscan Lagos, Aline Serfaty, enfatizando que a pesquisa é muito importante na área da saúde. “Sou pesquisadora e meu trabalho é fazer parceria com outros profissionais e fazer pesquisa. Nós temos um grupo e publicamos o que vemos de mais raro para que outras pessoas tenham acesso à informação”.

A paciente demonstrou preocupação com a administração da vacina, especificamente porquê a dose foi aplicada ‘muito alta’ no braço, explica o estudo. Em imagens registradas durante a vacinação, foi possível confirmar que foi utilizada uma técnica incorreta na aplicação.

“A injeção foi administrada no nível de dois dedos de largura da borda lateral do acrômio, que é considerado mais alto que o recomendado”, explica o texto publicado.

Inicialmente, a paciente foi medicada com uma compressa de gelo, pomada no local e medicamentos por cinco dias. Oito semanas após a vacinação, a mulher continuou sentindo uma dor persistente e teve a mobilidade do braço diminuída, atrapalhando nas atividades diárias.

Em exames ortopédicos, foi percebido um edema na parte superior do braço e sensibilidade localizada “no ombro, ao redor do topo da cabeça do úmero e deltóide”. A paciente teve o movimento do ombro limitado.

A paciente passou por exames de Raio-x de rotina, “que não forneceram informações úteis de diagnóstico. Mas uma ultrassonografia diagnosticou a bursite subacromial-subdeltoide.

“A bursa subdeltoide subacromial cheia de líquido estava maior do que é comumente visto para bursite por uso excessivo causada por estresse mecânico. A correlação com tecido sinovial hipertrófico levantou a hipótese de uma causa inflamatória subjacente”, afirma o estudo.

Foi iniciado um tratamento oral com anti-inflamatório, suplementação vitamínica e fisioterapia como forma de minimizar as potenciais complicações que poderiam surgir.

“Como é um acontecimento que não foi descrito anteriormente, temos que publicar para conscientizar as pessoas para esse tipo de alteração. É importante que médicos e profissionais da saúde saibam aplicar a vacina de forma correta. Temos que mostrar que quando não acontece da forma certa, pode dar esse tipo de alteração”, conta Aline sobre a ideia da publicação do artigo.

A paciente desenvolveu dor no ombro logo após a vacinação, possivelmente devido à administração da vacina inadvertidamente maior do que o recomendado. Esta reação adversa também pode ser causada quando a injeção é muito profunda, passando pelo músculo e dentro da bursa.

Ela conta que chegou a perder o movimento do braço direito e está há dois meses em tratamento integral com acompanhamento médico a cada 15 dias e fisioterapia diariamente.

Ainda conforme o artigo, “diretrizes para uma administração adequada, incluindo instruções explícitas para evitar o terço superior do deltóide, ajudaria a reduzir o risco de penetrar na bursa durante as injeções de vacina”.

A técnica inadequada pode reduzir potencialmente a eficácia da vacina ou aumentar o risco de reações adversas locais. Além disso, pacientes com SIRVA – em tradução livre ‘lesão no ombro relacionada à administração da vacina’ -, podem, com a gravidade, ter a disfunção do ombro durando anos.

A Skeletal Radiology é uma revista médica revisada por pares, publicada pela Springer Science + Business Media, cobrindo distúrbios do sistema músculo-esquelético, incluindo a coluna vertebral. É o jornal oficial da The International Skeletal Society.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Colabora no jornal O Dia e Blog Cutback.
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