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Advogado do Faraó dos Bitcoins atuou em defesa de vítima do empresário em processo

Matéria do Metrópoles relata que Davi Cardoso representou a própria esposa, que afirmou ter sofrido prejuízos financeiros em negócios com Glaidson

Um caso envolvendo o advogado Davi Cardoso tem gerado polêmica no meio jurídico, suscitando acusações de falta de ética e conflito de interesses, conforme o Código da Ordem dos Advogados do Brasil. Cardoso, que atualmente representa o empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, já atuou em um processo defendendo uma suposta vítima do próprio Glaidson. É o que aponta matéria publicada pelo jornalista Guilherme Amado no portal Metrópoles, na última segunda-feira (12).

Conforme a reportagem, Cardoso obteve na Justiça a revogação de uma das sete prisões preventivas decretadas contra o empresário. No entanto, levantou-se a questão sobre a ética profissional do advogado, uma vez que ele anteriormente representou a própria esposa, Kenya Figueiredo, que afirmou ter sofrido prejuízos financeiros em negócios com Glaidson.

Em setembro de 2021, Davi apresentou um pedido à Justiça em nome da esposa, solicitando o bloqueio de R$ 290 mil nas contas relacionadas a Glaidson e uma indenização de R$ 20 mil por danos morais. Na época, ele alegou que a empresa de Glaidson, a G.A.S. Consultoria, era uma “pirâmide financeira” disfarçada de investimentos em criptomoedas, afirma a matéria.

No entanto, de forma surpreendente, de acordo com a publicação do Metrópoles, o advogado agora defende Glaidson, manifestando comprometimento com a revogação das demais prisões preventivas. Cardoso negou qualquer conflito de interesses, afirmando que deixou o processo da esposa assim que foi procurado pelo empresário para assumir a defesa dele.

“Passam a me acusar de conflito de interesses, pelo simples fato de minha esposa ser cliente da G.A.S. e ter ingressado com uma ação buscando reaver seu crédito em setembro de 2021, quando eu nem sequer conhecia o Glaidson e cogitava defender seus interesses”, afirmou o advogado, acrescentando ainda que jamais atuou “no mesmo processo por duas partes. Na época não atuava em defesa de Glaidson e, assim que fui por ele procurado no intuito de que assumisse sua defesa, deixei o processo de minha esposa, que foi inclusive suspenso em decorrência de recuperação judicial”.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi procurada e afirmou que questões ético-disciplinares são tratadas pelas seccionais estaduais, não comentando casos específicos. O professor de direito da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Beçak, abordou a situação em tese, destacando a gravidade do conflito de interesses e as possíveis consequências legais e éticas.

“Em tese, é crime de tergiversação. Para além do prejuízo no processo penal, que vai causar uma nulidade em parte dele, pode haver infrações éticas, na OAB. Vejo um prejuízo muito grande para as partes envolvidas, o que possibilitaria indenização”, disse.

Beçak completou: “É um mandamento básico: não dá para estar em dois polos. Ou atua em defesa de um interesse ou de outro. É a mesma coisa de um juiz querer ao mesmo tempo julgar e dar dicas para uma das partes, como para contratar um advogado conhecido. É antiético e imoral”.

*Com informações do Metrópoles.

MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem | Site do(a) autor(a)

Pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi; e graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida.

Atuou como produtora/repórter na Lagos TV, Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback. É repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023, além de ser repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora. Também é criadora de conteúdo para a Web 3.0 na Hive.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, na categoria web.

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