Início Cabo Frio VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA/ Mãe acusa padrasto de agredir filha em Cabo Frio

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA/ Mãe acusa padrasto de agredir filha em Cabo Frio

Homem nega todas as acusações e diz que vai processá-la por calúnia e difamação

A violência contra crianças fez mais uma vítima entrar para as estatísticas desse tipo de crime. Caso recente ocorreu em Cabo Frio, no bairro Parque Burle. Ana Carolina da Silva, mãe de uma menina de apenas 6 anos, presenciou agressões feitas pelo ex-padrasto da criança, Kevin de Souza, na madrugada do dia 25 de fevereiro deste ano. O rapaz nega as acusações.

Após um dia de diversão em família, a mãe, que está grávida, foi acordada por gritos de sua filha. “Para, tá doendo”, pedia, aos prantos. Ele foi então até a criança, que estava sentada no sofá, enquanto Kevin limpava suas lágrimas.

Como reação, a mulher empurrou o rapaz para longe, e perguntou à criança o que estava acontecendo. A filha prontamente respondeu que não se lembrava. A partir daí, Ana Carolina percebeu que algo errado poderia estar acontecendo.

A todo momento, Kevin tentava desconversar do assunto, falando que nada havia acontecido e que a menina apenas tinha acordado para ir ao banheiro. Ao questionar o porquê de estar tremendo e chorando, a menina respondeu que apenas estava com frio e sentia dores na parte interna da coxa.

Assim que Gabriela mostrou o local, a mãe ficou apavorada. As pernas da criança estavam tomadas por manchas roxas. Ao perguntar como a menina havia se machucado, como resposta ouviu “Não sei, não lembro, pode ter sido algum bicho, ou um ‘belisco’”.

Vale pontuar que, durante todo instante, Kevin tentava ‘ajudar’, enquanto a menina sempre afirmava não saber o que tinha acontecido. No dia seguinte, quando ficou a sós com a filha, finalmente conseguiu convencê-la a falar sobre o que estava ocorrendo.  

A criança relatou que, antes do episódio, já havia sido agredida pelo padrasto, que a teria pendurado de cabeça para baixo. Ao falar sobre a noite anterior, disse que Kevin a acordou para que fosse ao banheiro fazer ‘xixi’, lavar as partes íntimas e que isso era algo recorrente. Só que naquela vez havia sido diferente, pois o homem começou a agredi-la e beliscar a parte interna de suas coxas.

De acordo com Ana Carolina, tudo foi motivado por ciúmes excessivos que Kevin sentia de sua filha. ‘Dizia que eu dava muita atenção para a criança e pouca para ele’, afirmou. Ao entender o que estava acontecendo, a mulher decidiu que não ficaria mais ali com a filha, mas antes, iria interrogá-lo.

Quando o homem, que estava fora, retornou ao local, Carolina expôs todos os acontecimentos relatados pela filha. Como resposta, imediatamente Kevin negou, afirmando que a menina era mentirosa. A mulher afirmava a todo instante que acreditava na filha e que iria à delegacia denunciar todas as agressões.

De acordo com a mãe da criança, o homem estava “transtornado” e pedia que ela se acalmasse e que parasse de ‘doideira’, pois isso deveria ser resolvido entre eles. Os dois chegaram às “vias de fato”, e Ana Carolina desferiu um soco e um tapa no rosto do ex, que, como resposta, a enforcou. Após a ‘luta’, Carolina se dirigiu até a 126ª DP (Cabo Frio) para realizar o boletim de ocorrência.

Ao ser atendida, foi informada que deveria voltar na semana seguinte. Quando retornou para casa, procurou outras alternativas, tendo em vista que se não fizesse o corpo de delito o quanto antes, os roxos iriam sumir da perna da criança.

No dia 26 de fevereiro, Ana Carolina ligou para o número 180, que é uma escuta qualificada às mulheres em situação de violência. Após ser orientada, a mulher levou a filha ao Conselho Tutelar, onde finalmente conseguiu resolver a situação. Quando retornou à Delegacia da Mulher ainda no dia 26, Carolina foi atendida e conseguiu realizar o exame de corpo de delito na criança, que não chegou a confirmar as agressões relatadas.

Devido a uma mudança repentina para São Pedro da Aldeia, Kevin demorou a ser intimado. Já ele, ao ser questionado pelo Portal RC24h, afirma que, após o acontecimento, foi até à delegacia atualizar seus dados e tentar resolver a situação, dizendo estar disponível 24h caso precisassem de seu depoimento.

O QUE DIZ O PADRASTO

Kevin negou todo o acontecimento. Disse que na própria DP foi constatada sua inocência e que o resultado do corpo de delito comprovava sua versão. “Ela está insatisfeita com o resultado do corpo de delito, com o resultado de todo esse problema, e fica inventando história”, disparou.

O homem disse ainda que vai entrar com um processo de calúnia e difamação contra Carolina na semana que passou, mas não deu retorno.  “Isso não vai ser levado adiante dentro da delegacia, mas eu vou entrar com os meus recursos por fora”.

“A acusação dela contra mim de abuso sexual à filha dela é falsa. A própria filha, em uma conversa privada com a investigadora da Polícia Civil Especialista em Abuso Infantil, negou todas as informações da mãe para tal acusação”, afirmou.

Disse ainda que quando o resultado do corpo de delito saiu, ela “surtou, insultou policiais presentes, dizendo que não estava satisfeita com o andar da investigação, quase sendo presa por desacato”.

Em seu depoimento ao Portal, afirmou que a ex-companheira muda constantemente as acusações, pois primeiro diz que abusou, e não satisfeita após o resultado do exame físico, passou a acusá-lo de agressão física contra a menina.

“Não satisfeita, quer prejudicar minha imagem, porque sabe que através do meio correto, da investigação da polícia e tudo mais, não vai conseguir nada”, disparou.

ABUSO INFANTIL É SÓ FÍSICO?

O abuso infantil é definido como toda forma de violência física, psicológica, maus tratos, sexual ou outro tipo de exploração. Ou seja, não é necessário ter penetração para existir o abuso. De acordo com a psicóloga Camilla Duarte, “o ato pode comprometer a saúde mental e física da criança violada”.

Diz ainda que o maior sinal que esse menor pode dar é a mudança repentina de comportamento. Geralmente caracterizada pela reclusão social, irritabilidade e tristeza. Um exemplo em evidência de tal ato, é o caso do menino Henry de quatro anos, morto pelo padrasto, Dr. Jairinho, no Rio de Janeiro.

O caso tomou grandes proporções após o menino chegar morto ao hospital e, como justificativa, Monique Medeiros, mãe de Henry e Jairinho falaram que encontraram a criança caída em seu quarto. No entanto, a perícia apontou que a morte foi por hemorragia interna e laceração hepática, portanto, com sinais de violência.

Também pode-se pontuar o caso da Ketelen Vitória, de apenas seis anos, que foi torturada pela mãe e a madrasta, no Rio de Janeiro. A criança chegou a ficar internada, mas não resistiu.

A mãe da criança, Gilmara de Farias e sua companheira, Brena Barbosa, foram presas em flagrante por tortura depois que a equipe médica desconfiou dos ferimentos que a criança apresentava e acionou as autoridades.

De acordo com especialistas, para evitar esse tipo de comportamento, é importante construir e manter uma relação de confiança com a criança, para que nos primeiros sinais, a mesma não hesite em compartilhar.

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