10/09/2026 — 14:55
  (Horário de Brasília)

RCFM/ Otoni de Paula critica bolsonarismo e anuncia movimento político com Lula

Candidato do PSD explica mudança de posicionamento, critica a polarização e fala sobre o cenário eleitoral de 2026

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O programa Renata Cristiane Online, exibido em formato multiplataforma pela Rádio RCFM, recebeu nesta quinta-feira (10) o candidato a deputado federal Otoni de Paula, pastor evangélico e filiado ao PSD.

Durante a entrevista, Otoni falou sobre sua mudança de posicionamento político, sua relação com o bolsonarismo e a possibilidade de apoiar o presidente Luiz (PT) em um eventual segundo turno. O candidato afirmou que atualmente vota em Ronaldo Caiado, do PSD, mas que não pretende votar em Flávio Bolsonaro (PL) caso a polarização permaneça.

“Se essa polarização continuar, eu não voto em Flávio Bolsonaro”, afirmou Otoni de Paula.

O candidato também anunciou a intenção de iniciar um movimento denominado “Direita Evangélica com Lula”. Segundo ele, existe uma parcela do eleitorado evangélico que apoia Lula e que não se identifica com o posicionamento político predominante em parte das igrejas.

“Eu vou começar um movimento chamado Direita Evangélica com Lula”, declarou.

Otoni apresentou ainda uma estimativa de que mais de 1,2 milhão de eleitores evangélicos no estado do Rio votariam em Lula. Para chegar ao número, considerou uma estimativa de 12 milhões de eleitores no estado, dos quais 30% seriam evangélicos, e afirmou que 30% desse grupo votariam no presidente.

Ao falar sobre sua trajetória política, Otoni relembrou a atuação durante o governo de Wilson Witzel (DC). Segundo ele, mesmo integrando o mesmo partido do então ex-governador, reuniu denúncias e encaminhou o material à Procuradoria-Geral da União.

“Eu tive a coragem, embora sendo do partido dele, eu era o único deputado federal do PSC, eu juntei todas as denúncias e protocolei na Procuradoria-Geral da União”, disse.

O candidato também fez uma autocrítica sobre sua relação anterior com o bolsonarismo. Ele afirmou que passou a refletir sobre suas posições e reconheceu erros cometidos durante esse período.

“Quando eu parei e fiz uma autocrítica, uma autoanálise, eu comecei a perceber: não, Deus, eu errei, eu errei”, afirmou.

Segundo Otoni, o bolsonarismo também teria provocado mudanças nas relações entre pessoas com posições políticas diferentes e influenciado o ambiente de algumas igrejas evangélicas.

“O que o bolsonarismo fez nas famílias, fez na igreja”, declarou.

O candidato relatou ainda situações em que pessoas teriam se afastado ou sido convidadas a deixar igrejas por não apoiarem Bolsonaro. Para ele, a fé não deveria estar condicionada à escolha de um candidato ou grupo político.

Ao longo da entrevista, Otoni também questionou o que considera uma diferença de tratamento em relação a acusações envolvendo Lula e integrantes da família Bolsonaro. Ele citou investigações, patrimônios e transações financeiras ao defender que casos envolvendo políticos sejam analisados sem critérios diferentes.

Otoni afirmou que pretende apresentar durante a campanha sua trajetória política e sua atuação no estado do Rio, além de explicar suas razões para não apoiar Flávio em um eventual cenário de polarização eleitoral.

No quadro “Like e Dislike”, Otoni de Paula citou a democracia brasileira no “like”, afirmando que, apesar das dificuldades, ela ainda sobrevive.

Já no “dislike”, o candidato criticou o que chamou de “polarização tóxica”. Segundo ele, a polarização de ideias é importante para a democracia, mas o cenário atual estaria concentrado em pessoas, deixando de lado o debate sobre o Brasil.

Pier Luro
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