10/09/2026 — 13:25
  (Horário de Brasília)

Clínica estética é investigada após paciente relatar complicações graves em Cabo Frio

Mulher afirma ter sofrido queimaduras e infecção após procedimento estético e passado por cirurgia de urgência

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Uma clínica de estética de Cabo Frio é alvo de apuração após uma paciente relatar complicações graves que, segundo ela, surgiram após um procedimento de Endolaser realizado no estabelecimento. Conforme o relato encaminhado ao Portal RC24h, a mulher apresentou inchaço intenso, dores, queimaduras e lesões na região abdominal e posteriormente precisou ser internada e submetida a uma cirurgia de emergência para tratar um abscesso.

A denúncia chegou à redação na quarta-feira (9). A reportagem procurou o Procon de Cabo Frio para acompanhar o caso e, na quinta-feira (10), acompanhou uma nova vistoria realizada no estabelecimento. Durante a apuração, a Vigilância Sanitária informou à reportagem que a clínica havia sido interditada. No entanto, a informação foi contestada pela própria clínica. Ao ser procurada, a proprietária afirmou que o estabelecimento não havia sido interditado e que estaria apenas regularizando documentação.

Diante da divergência, o Procon realizou uma nova fiscalização no local, comandada pela supervisora do órgão, Mônica Bonioli. Ela explicou que a clínica foi parcialmente interditada porque o estabelecimento oferece o procedimento de Endolaser, que, segundo ofício do Conselho Regional de Biomedicina recebido pelo órgão, não está entre os procedimentos estéticos autorizados para biomédicos. O Procon já havia solicitado ao Conselho, em agosto, informações sobre as atividades permitidas à categoria.

Segundo Mônica, a clínica foi notificada a retirar das redes sociais e de outros meios todas as propagandas relacionadas ao procedimento, além de cancelar contratos de clientes que ainda não realizaram o serviço e devolver os valores pagos. A interdição também abrange atividades consideradas exclusivas da medicina.

O estabelecimento terá 10 dias para apresentar justificativas. Conforme a supervisora, poderá ser multado e até perder definitivamente o alvará, dependendo da defesa apresentada. O proprietário informou ao Procon que pretende procurar o Conselho Regional para solicitar uma autorização específica para a realização do Endolaser. Caso consiga o documento, a interdição poderá ser totalmente suspensa.

Paciente relata complicações após procedimento

Segundo o relato da paciente que prefere não se identificar, o procedimento de Endolaser foi realizado no dia 26 de agosto, na Clínica Elegância. Ela afirma que deixou o local apresentando inchaço severo e hipotensão e no dia seguinte apresentou febre. A partir do segundo dia, ainda conforme o relato, o inchaço e as dores teriam se intensificado a ponto de impedir que ela dormisse, obrigando-a a passar as noites sentada.

No dia 31 de agosto, a paciente conta que retornou à clínica para realizar a primeira drenagem com a biomédica Alice Maia. Ela afirma que vinha seguindo rigorosamente a orientação recebida de não retirar a cinta nem mesmo para tomar banho, fazendo apenas a higienização parcial.

Conforme o relato, ao retirar a cinta na clínica, a paciente, que afirma estar bastante debilitada e com limitações de mobilidade, identificou queimaduras na pele, sinal de queimadura no umbigo e duas feridas profundas com presença de fibrina.

Ainda segundo a mulher, apesar da dor que relata como extrema e das lesões que afirma ter apresentado, a profissional realizou a drenagem abdominal por meio de uma fístula que, conforme o relato, teria se aberto no umbigo. A mulher afirma que, após o atendimento, o inchaço teria aumentado ainda mais.

Depois disso, conforme o relato, ela procurou atendimento especializado com uma enfermeira que atua com cuidados de pós-operatório e tratamento de feridas em Cabo Frio. Após a avaliação foi informado a ela o diagnóstico de fístula umbilical e queimaduras profundas com fibrina.

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Cirurgia de emergência

Diante do quadro que relata, a paciente afirma que procurou o Hospital Geral de Arraial do Cabo, onde foi prontamente internada. Segundo ela, o cirurgião de plantão identificou um abscesso de grande proporção no abdômen inferior e indicou uma cirurgia de emergência.

Ainda conforme o relato da mulher, o procedimento foi realizado com anestesia raquidiana devido à incerteza sobre a extensão da infecção. Ela afirma que, durante a cirurgia, os médicos teriam constatado que havia comprometimento de tecidos profundos, além do tecido adiposo, e que teria sido identificado início de necrose e grande acúmulo de secreção purulenta.

Segundo a paciente, foi necessária uma lavagem exaustiva da cavidade e uma reconstrução umbilical. Ela afirma ainda que os médicos teriam informado que um atraso na intervenção poderia ter levado a um quadro de sepse, caracterizado por uma infecção generalizada.

Atualmente ela conta que permanece em tratamento domiciliar, ainda utilizando drenos e fazendo antibioticoterapia venosa de seis em seis horas.

Ao final do relato, ela agradeceu ao Hospital Geral de Arraial do Cabo e a toda a equipe do centro cirúrgico pelo acolhimento e pela assistência recebida. Também fez um agradecimento especial ao cirurgião Dr. Ricardo Duque, que, segundo ela, atuou com empatia, humanidade e dedicação e fez o possível para ajudá-la diante da situação.

Relato sobre assistência

A paciente também afirma que sua cunhada entrou em contato com Alice Maia para solicitar o suporte financeiro e assistencial que considerava necessário diante das complicações relatadas. Segundo ela, a profissional teria recusado a prestar assistência e atribuído o que ela descreve como insucesso do procedimento a uma suposta “dermatite capilar”.

Ainda conforme o relato, a biomédica teria comparecido ao hospital apenas uma vez para entregar itens que, segundo a paciente, seriam incompatíveis com suas necessidades no período pós-cirúrgico: sabonete em barra, roupas íntimas inadequadas e vestimentas de tamanho incorreto.

A mulher afirma que, quando foi solicitada a adequação do suporte, a profissional teria declarado que não prestaria assistência por não considerar que essa seria sua obrigação.

A paciente afirma ainda que está afastada do trabalho e sem garantias quanto à manutenção do emprego, por estar em contrato recente com uma nova empresa. Segundo ela, a situação provocou extrema vulnerabilidade financeira e emocional, além de dificuldades para garantir o sustento da família.

Clínica apresenta posicionamento

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Procurada pela reportagem, a Clínica Elegância informou que não vai comentar o atendimento ou o estado de saúde da paciente por questões de sigilo profissional e proteção de dados. Veja nota na íntegra:

A Clínica Elegância informou que não vai comentar o atendimento ou o estado de saúde da paciente por questões de sigilo profissional e proteção de dados. A clínica também disse que não reconhece, neste momento, qualquer falha ou irregularidade no atendimento e afirmou que eventuais questões técnicas ou administrativas devem ser apuradas pelos órgãos competentes. Sobre a fiscalização, a clínica declarou que respeita as determinações da Vigilância Sanitária e que possui a documentação profissional da equipe. O estabelecimento também pediu cautela na divulgação das informações enquanto a apuração não for concluída.”

A reportagem segue acompanhando o caso e as providências adotadas pelos órgãos de fiscalização.

Sabrina Sá
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