O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (7), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis que teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, com possível participação e anuência de agentes públicos.
Além de Canella e Amim, outros policiais civis da ativa também são investigados. Até a publicação desta reportagem, as defesas dos citados não haviam se manifestado.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Segundo a PF, a investigação começou após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações financeiras consideradas incompatíveis. Os investigadores afirmam que o grupo movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
De acordo com a corporação, além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que venham a ser identificados durante o andamento das investigações.
A operação faz parte das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A decisão atribuiu à Polícia Federal a responsabilidade de investigar possíveis ligações entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.
A nova fase da operação acontece poucos dias depois da quinta etapa da Unha e Carne, realizada na última quinta-feira (2), quando a Polícia Federal cumpriu mandado de busca contra o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de uma rede de postos de combustíveis.
As investigações buscam esclarecer as ligações do empresário com o ex-governador Cláudio Castro (PL) e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar.
De acordo com a prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante a campanha de reeleição de Cláudio Castro, em 2022, foram gastos R$ 478 mil na compra de cerca de 70 mil litros de diesel. Dez dos 12 postos que forneceram o combustível pertenciam a Fernando Trabach Gomes.
Após a posse de Castro, empresas ligadas ao empresário passaram a firmar contratos com o Governo do Estado. Trabach também já foi investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de integrar uma organização criminosa.
A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025 para investigar um suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações contra integrantes do Comando Vermelho (CV).
Na primeira fase, o principal alvo foi o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, apontado pela PF como responsável por repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pelos investigadores como articulador político da facção criminosa.
Segundo a Polícia Federal, o vazamento teria permitido a destruição ou ocultação de provas e comprometido o andamento das investigações.
Ao longo das fases seguintes, a operação passou a alcançar outros agentes públicos e empresários. Na segunda fase, foi preso o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de fornecer informações sigilosas a Bacellar.
Na terceira etapa, Rodrigo Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em decisão relacionada ao escândalo da Ceperj.
A quarta fase teve como alvo o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), investigado por suspeita de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação.
Já na quinta etapa, realizada na semana passada, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por ligação com a chamada Máfia do Cigarro. Também foram cumpridos mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra Rodrigo Bacellar, que já estava preso.
Durante essa fase, a Polícia Federal informou ter encontrado planilhas com registros de supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem estar relacionadas à lavagem de dinheiro e a repasses para agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.
As investigações continuam.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.







