A Polícia Civil, por meio da 123ª Delegacia de Polícia de Macaé, instaurou um inquérito para investigar publicações de conteúdo discriminatório atribuídas à procuradora municipal Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro. Segundo a corporação, as mensagens foram divulgadas nas redes sociais em meio ao cenário político-eleitoral brasileiro.
As publicações atribuídas à servidora incluem ataques a nordestinos, mineiros, pessoas em situação de vulnerabilidade social e eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). O conteúdo também apresenta expressões ofensivas contra beneficiários de programas sociais e linguagem homofóbica.
Após a repercussão do caso, Renata publicou um pedido de desculpas, no qual reconheceu que utilizou palavras inadequadas e ofensivas. O prefeito de Macaé, Welberth Rezende (CID), também se manifestou publicamente e repudiou as declarações, afirmando que medidas cabíveis estão sendo adotadas pela administração municipal.
Polícia Civil abre investigação
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito tem como objetivo apurar as circunstâncias dos fatos, analisar o conteúdo das publicações e verificar a possível prática de infração penal. A autoria e o contexto das mensagens serão esclarecidos durante a investigação.
Em uma captura de tela apresentada à reportagem como sendo de uma das publicações, o perfil identificado como “Renata Pimentel Ribeiro” exibe uma mensagem com ataques a nordestinos, mineiros, pessoas pobres e eleitores do PT.
No texto, a autora se apresenta como autoridade pública municipal e afirma que petistas não trabalhariam para ela. A publicação também aconselha empresários e microempresários a não contratarem determinados grupos, incluindo nordestinos e mineiros, e contém a frase: “Aliás, mineiros saem de Macaé!”.
A mensagem ainda faz referências depreciativas à fome e às condições de vida da população nordestina, além de utilizar expressões ofensivas contra pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Em comunicado, a Polícia Civil repudiou manifestações de racismo e discriminação. A corporação afirmou que condutas dessa natureza são incompatíveis com o respeito à dignidade humana e à igualdade e informou que a apuração será conduzida com rigor, responsabilidade e observância da legislação. Até o momento, o comunicado não detalha quais diligências foram realizadas nem apresenta conclusão sobre eventual responsabilidade criminal da procuradora.
Procuradora publica pedido de desculpas
Após a repercussão das declarações, Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro divulgou um texto em que reconhece o caráter ofensivo das palavras utilizadas e pede desculpas às pessoas atingidas.
Na manifestação, a procuradora afirmou que, durante o período eleitoral, deixou que a emoção prevalecesse sobre a razão e reconheceu a responsabilidade pelas declarações.
“Reconheço meu erro e assumo integralmente a responsabilidade pelo que disse”, escreveu.
A servidora também pediu desculpas ao povo nordestino, aos mineiros, aos artistas, aos trabalhadores, às pessoas em situação de vulnerabilidade social e a todos que se sentiram ofendidos.
Em outro trecho, declarou que divergências políticas não justificam desrespeito, discriminação ou humilhação. Ela também reconheceu que, na condição de agente pública, tem responsabilidade adicional sobre suas palavras e atitudes.
“Não pretendo justificar o que aconteceu nem me esconder atrás das circunstâncias. Quero reconhecer que errei, pedir perdão e aprender com esse episódio”, afirmou.
Ao final, Renata manifestou a expectativa de que o pedido de desculpas seja recebido como uma demonstração de arrependimento e respeito às pessoas atingidas pelas declarações.
Prefeito de Macaé repudia declarações
O prefeito de Macaé, Welberth Rezende, divulgou uma manifestação pública em que repudiou as declarações atribuídas à servidora municipal. O texto condena ataques relacionados à origem, à condição social, à orientação sexual e ao posicionamento político de pessoas ou grupos.
Na nota, o prefeito ressaltou que as manifestações não representam os valores da administração municipal nem a conduta dos servidores da Prefeitura.
“As medidas cabíveis já estão sendo adotadas, pois atitudes dessa natureza são inaceitáveis e não serão toleradas”, informou o comunicado.
A manifestação também destaca o respeito às diferenças, à dignidade humana e à diversidade de opiniões como princípios da gestão municipal. A Prefeitura, contudo, não detalhou no comunicado quais medidas administrativas foram adotadas ou quais providências estão em andamento.
Investigação segue em andamento
A abertura do inquérito não representa uma conclusão sobre a responsabilidade criminal da procuradora. A investigação deverá reunir e analisar os elementos necessários para esclarecer a autoria, o contexto e a possível tipificação jurídica das publicações.
O caso reúne três desdobramentos: a apuração conduzida pela Polícia Civil, o pedido público de desculpas da procuradora e o posicionamento da Prefeitura de Macaé, que repudiou as declarações e informou que medidas cabíveis estão sendo adotadas.
Novas informações poderão ser acrescentadas à reportagem conforme houver atualização oficial sobre o andamento da investigação e as providências administrativas relacionadas ao caso.





