27/10/2026 — 17:00
  (Horário de Brasília)

RCFM / Carlos Magno explica por que pedido de Flávio Bolsonaro para anular eleição pode não prosperar

Advogado e especialista em Direito Eleitoral também analisou os caminhos jurídicos para uma possível nova eleição no Rio de Janeiro, comentou o papel do STF e falou sobre assédio moral no ambiente político

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O programa Renata Cristiane Online, exibido em formato multiplataforma pela Rádio RCFM, recebeu nesta terça-feira (27) Carlos Magno, advogado e professor especialista em Direito Administrativo e Direito Eleitoral. Durante a entrevista, o convidado analisou os questionamentos sobre o resultado das eleições presidenciais, os argumentos jurídicos para uma eventual anulação do pleito, os desdobramentos da disputa pelo governo do Rio de Janeiro e a influência das redes sociais na mobilização política.

Um dos principais temas foi o pedido de Flávio Bolsonaro para questionar a validade da eleição presidencial. Carlos Magno avaliou que a solicitação não deve resultar na anulação do pleito com base no argumento relacionado à prorrogação do horário de votação. Segundo o advogado, o fato de o próprio grupo político ter apresentado pedido semelhante durante a eleição impede que a medida seja posteriormente utilizada como justificativa para contestar o resultado.

Para explicar o raciocínio, Magno citou o princípio jurídico conhecido como venire contra factum proprium, que impede uma parte de adotar comportamento contraditório em relação a uma conduta anterior. De acordo com ele, tanto o PT quanto o PL recorreram à Justiça Eleitoral diante de problemas relacionados ao transporte de eleitores e às condições de votação em algumas regiões do país.

O advogado explicou que o ministro Nunes Marques, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), analisou os pedidos e que a decisão acabou abrangendo todo o território nacional. Magno argumentou que a prorrogação não teria provocado prejuízo capaz de alterar o resultado da eleição e afirmou que a diferença de votos registrada após o horário inicialmente previsto foi pequena diante da margem final entre os candidatos.

Na avaliação do especialista, a anulação de uma eleição exige a demonstração de prejuízo concreto, especialmente em uma disputa nacional, na qual a soberania popular tem papel central. Ele também criticou a atuação das instituições responsáveis pela condução do episódio e afirmou que a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF) falharam na forma como lidaram com a situação.

Outro assunto discutido foi a possibilidade de uma nova eleição para o governo do Rio de Janeiro. Carlos Magno explicou que, além das decisões anteriores envolvendo a candidatura de Anthony Garotinho, havia uma nova iniciativa judicial buscando discutir a validade dos votos recebidos por candidatos posteriormente considerados inelegíveis.

Segundo o advogado, a estratégia jurídica ligada ao grupo de Eduardo Paes passou a discutir a soberania do voto e os limites para a anulação dos votos atribuídos a um candidato impedido de disputar a eleição. Magno afirmou que existe entendimento consolidado sobre a anulação desses votos, mas reconheceu que a nova discussão poderia abrir espaço para questionamentos no Supremo.

O especialista considerou que uma eventual mudança no cenário político nacional poderia influenciar o ambiente em que o caso será analisado, embora tenha classificado a possibilidade de uma nova eleição como juridicamente controversa. Ele ressaltou que a decisão dependerá da avaliação dos ministros e dos argumentos apresentados no processo.

A entrevista também abordou o crescimento da votação de Lula no segundo turno e a mudança no comportamento do eleitorado fluminense. A apresentadora Renata Cristiane observou que o presidente ampliou a votação na capital e em municípios do interior, incluindo Cabo Frio. Magno concordou que a mudança no cenário eleitoral pode ser considerada no debate sobre a soberania popular, mas destacou que a questão jurídica permanece complexa.

Ao comentar a campanha presidencial, o advogado reconheceu o impacto da mobilização nas redes sociais. Ele citou o trabalho de André Janones e afirmou ter se surpreendido com a capacidade de articulação digital que contribuiu para a vitória de Lula. Para Magno, a circulação de conteúdos e a atuação de apoiadores tiveram um papel importante no resultado.

Outro trecho da entrevista tratou de assédio moral no ambiente político e profissional. Carlos Magno explicou a diferença entre o assédio moral vertical descendente, praticado por superiores contra subordinados, e o vertical ascendente, quando funcionários adotam condutas abusivas contra alguém que ocupa posição de chefia.

Ao abordar uma situação envolvendo uma deputada estadual, o advogado afirmou que a exposição pública de comportamentos desse tipo pode ampliar os efeitos da conduta e influenciar outras pessoas. Ele avaliou que representantes eleitos têm responsabilidade adicional diante do alcance de suas declarações e publicações nas redes sociais. A situação foi discutida durante o programa, sem que a entrevista apresentasse uma decisão judicial definitiva sobre o caso mencionado.

No quadro Like e dislike, Carlos Magno dedicou o like a André Janones. Segundo ele, a escolha não foi motivada por alinhamento partidário, mas pela surpresa com a capacidade de mobilização política demonstrada durante a campanha presidencial.

Já o dislike foi direcionado ao Supremo Tribunal Federal e à Justiça Eleitoral. O advogado criticou o que considerou uma intervenção inadequada e inoportuna durante o processo eleitoral e afirmou que a atuação das instituições contribuiu para aumentar a controvérsia em torno da votação.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem – Site do(a) autor(a)

Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.

Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.

Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.

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