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Ordem da prioridade para vacinação contra a Covid-19 gera polêmica em Cabo Frio

A ordem de prioridade dada por algumas cidades da Região dos Lagos à vacinação contra a Covid-19 para um amplo grupo de trabalhadores da saúde, profissionais de educação física e biólogos, entre outros, tem gerado muita polêmica.

Em Cabo Frio, na segunda-feira (8), foi divulgado o calendário de vacinação semanal. Ainda dentro da Fase 1, o município continua imunizando os profissionais da linha de frente da Covid-19, mas também priorizou médicos, biólogos, enfermeiros, farmacêuticos, médicos veterinários e auxiliares, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, biomédicos, psicólogos, profissionais de educação física e assistentes sociais que trabalham na saúde, além de dentistas e auxiliares.

A oferta limitada das doses recebidas pelo município reduz, drasticamente, a velocidade da aplicação de vacinas. A população questiona se, nesse caso, os idosos de forma geral não deveriam receber o imunizante primeiro.

Indignada, a internauta Letícia Tavares critica os critérios adotados pela Prefeitura: “Vergonha! Falta de respeito! Pessoas que não são do grupo de risco tomando a vacina na frente dos idosos. Revoltado com os critérios dessa prefeitura. Todos tem o direito, mas cada um na sua hora. Agora é a hora dos idosos. Não desses profissionais que não são da linha de frente”.

“Nós que temos os pais isolados, com comorbidades, estamos indignados. Em contato com a Secretaria de Saúde recebemos a resposta de que ‘aqui na cidade é assim’. Não sabemos o que fazer. É triste isso”, lamenta a arquiteta Renata Millem, citando ainda que em São Pedro da Aldeia, buscaram ajuda do MP.

Segundo a promotora do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Isabel Kallmann, o município tem seguido o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, emitido pelo Ministério da Saúde. “Temos zelado para que os municípios obedeçam esse documento, para que não vire uma bagunça e a vacinação siga de forma uniforme para todo mundo”, explicou.

Para Kallmann, o maior problema do Plano é o conceito muito amplo de “profissionais da saúde” adotado pelo Governo Federal. Ela esclarece que a priorização adotada por Cabo Frio não está errada, “mas cabe ao gestor municipal priorizar a vacinação dos idosos ou todos os profissionais da rede de saúde, ainda que não estejam diretamente ligados à Covid. Ambos tem que estar na primeira fase, mas a importância é igual para ambos. E é isso que estamos acompanhando”.

 

 

PREFEITURA SE POSICIONA

A Prefeitura Municipal de Cabo Frio se defendeu das reclamações da população e emitiu nota alegando seguir todas as orientações do Ministério da Saúde. O municípiou reafirmou que a fila de prioridades é formulada pelo Governo Federal e que apenas cumpre a lista.

“As fases do calendário federal são executadas pelo município conforme as doses são repassadas pela Secretaria de Estado de Saúde. Até o momento, Cabo Frio recebeu 5.820 vacinas para a primeira dose, e 2.655 para a segunda dose. O calendário feito pelo Governo Federal prevê que todos os profissionais de saúde sejam vacinados na primeira fase, não apenas os que atuam na linha de frente do combate à Covid-19”, disse o município em nota oficial.

Ao Portal RC24h, o Prefeito José Bonifácio declarou acompanhar as reclamações por meio das redes sociais, mas seguirá o que manda o Ministério da Saúde, ainda que não concorde com a ordem da vacinação. A determinação de cumprimento da normativa partiu dele.

A aplicação da segunda dose na cidade começa nesta quarta-feira (10), para aqueles que já receberam a primeira dose.
 
A Secretaria de Saúde de Cabo Frio informou que aguarda o envio de novas doses para o avanço do cronograma de vacinação. A previsão é de que os idosos pertencentes ao grupo da segunda fase comecem a ser vacinados na próxima semana. A data será confirmada assim que o Ministério da Saúde liberar as doses necessárias.
 
Na segunda fase, os idosos serão divididos por faixa etária. Em Cabo Frio, o público total de pessoas acima de 60 anos de idade é de 32.267 pessoas. A vacinação deste grupo será dividida da seguinte forma:
 
– pessoas de 95 anos ou mais;
– pessoas de 90 anos ou mais;
– pessoas de 80 anos ou mais;
– pessoas de 75 a 79 anos;
– pessoas de 70 a 74 anos;
– pessoas de 65 a 69 anos;
– pessoas de 60 a 64 anos.

 

O QUE DIZ O MINISTÉRIO DA SAÚDE

Conforme a segunda versão do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, publicado pelo Ministério da Saúde em 21 de janeiro, na Fase 1 fica estabelecida a ordem de prioridade da aplicação do imunizante. Conforme o Anexo 1, o público alvo são “pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas vivendo em terras indígenas e trabalhadores da saúde”, seguidos dos idosos em geral por classificação etária. 

Ainda conforme o documento, os trabalhadores da saúde são todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, “sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais”. 

O documento cita ainda que os profissionais da saúde são compreendidos em “médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontólogos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares”, além dos trabalhadores de apoio: “recepcionistas, seguranças, trabalhadores da limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias e outros”. Ou seja, todos aqueles que trabalham nos serviços de saúde, incluindo ainda profissionais que atuam em cuidados domiciliares, como cuidadores de idosos, doulas/parteiras, bem como funcionários do sistema funerário que tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados.

O Plano Nacional prevê que a vacina será ofertada, na Fase 1, para acadêmicos de saúde e estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar, atenção básica, clínicas e laboratórios.

Porém, após toda a discussão, o Ministério da Saúde alertou secretários municipais de saúde para que sigam os grupos prioritários e trabalhadores de saúde em geral que não atuam diretamente contra a Covid-19 não sejam vacinados agora.

 

STF DETERMINA QUE GOVERNO DEFINA ORDEM DE PREFERÊNCIA

Após tanta polêmica, na segunda-feira, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Governo Federal divulgue, em até cinco dias, a ordem de preferência entre os grupos prioritários, com base em critérios técnico-científicos.

Lewandowski pede que seja especificado, com clareza, a ordem de preferência dos subgrupos.

“Faltaram parâmetros aptos a guiar os agentes públicos na difícil tarefa decisória diante da enorme demanda e da escassez de imunizantes, os quais estarão diante de escolhas trágicas a respeito de quais subgrupos de prioritários serão vacinados antes dos outros. Os noticiários têm dado conta de que não há uma racionalidade nessa primeira distribuição, insuficiente para todos os milhões de brasileiros com perfil de prioridade”, afirmou o ministro.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Colabora no jornal O Dia e Blog Cutback.
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