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OPERAÇÃO KRYPTOS / PF apreende cerca de R$ 150 milhões em bitcoins, carros de luxo, joias e moedas estrangeiras por suspeita de pirâmide

Dono da GAS Consultoria e outras 4 pessoas foram presos durante força-tarefa, considerada a maior da história da Polícia Federal

Em uma operação histórica nesta quarta-feira (25), que resultou na prisão de Glaidson Acácio dos Santos – dono da GAS Consultoria, que tem sede em Cabo Frio – a Polícia Federal apreendeu quase R$ 150 milhões em criptomoedas. Foram 591 Bitcoins – na cotação atual, chega a aproximadamente R$ 147.750.000,00 – que estava em carteiras físicas, um tipo de “pen drive” onde os criptoativos ficam salvos. O fato foi registrado durante a Operação Kryptos.

Na mansão do ex-garçom, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, os agentes ainda encontraram R$13.825.091,00 em espécie, além de 100 libras esterlinas e outros valores em moeda estrangeira, que ainda não foram contabilizados.

A Polícia Federal informou que os valores apreendidos na força-tarefa, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal, já foram depositados na Caixa Econômica Federal.

Foi necessário o uso de um carro-forte para transportar os malotes de dinheiro até um local equipado com máquinas que fazem a contagem das células. Uma empresa de valores foi contratada para contabilizar a quantia, que levou praticamente o dia inteiro e terminou no começo da noite dessa quarta.

A operação Kryptos resultou também na prisão de outras quatro pessoas além de Glaidson. Dois envolvidos foram capturados no Rio de Janeiro: a esposa de Glaidson, a venezuelana Mirelis Yoseline Dias Zerpa; e um trader identificado como Arthur dos Santos Leite, contratado da GAS. Ele estava na sede da consultora, em Cabo Frio, no momento em que foi abordado pela Polícia Federal.

Já em São Paulo, um dos dois presos estava no Aeroporto de Guarulhos com R$ 25 mil dólares. Ele foi identificado como Tunay Pereira Lima e se preparava para embarcar para Punta Cana, na República Dominicana, e participar de um evento promovido pela GAS.

Conforme a PF, tudo indica que esta será a maior apreensão de criptomoedas e valores, em espécie, somados, da instituição. Os agentes chegaram a dizer que nunca viram tanto dinheiro em uma operação, nem mesmo na Lava-Jato.

Cabo Frio entra para a história com o escândalo financeiro que virou assunto no país.

Além do dinheiro, os agentes recolheram 21 carros de luxo, diversos relógios de alto valor, joias, celulares e aparelhos eletrônicos, além de documentos diversos. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão.

Os automóveis, com modelos de marcas como Land Rover, Mercedes Benz, Mitsubishi, Corvetti e Audi, foram encontrados em endereços no Rio de Janeiro e em Cabo Frio.

INVESTIGADA HÁ DOIS ANOS

A GAS Consultoria já era investigada há, pelo menos, dois anos pelo esquema de pirâmide e tinha o maior número de investidores em Cabo Frio.

Glaidson prometia lucros de 10% ao mês sobre os valores aportados pelos investidores em criptomoedas. A empresa não possui site nem redes sociais. O telefone disponível na Receita Federal também não funciona.

Conforme a PF, “nos últimos seis anos, a movimentação financeira das empresas envolvidas nas fraudes apresentou cifras bilionárias, sendo certo que aproximadamente 50% dessa movimentação ocorreu nos últimos 12 meses”.

Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

bitcoin

ASCENSÃO DE GLAIDSON

Conforme registro do Ministério do Trabalho, Glaidson trabalhava como garçom até 2014 e ganhava cerca de R$ 800 por mês.

Neste ano, o empresário comemorou o aniversário com um show particular do cantos João Gabriel e, dois meses depois, mais de R$ 7 milhões foram apreendidos em um helicóptero. Segundo as investigações, o dinheiro, dividido em três malas, seria levado para São Paulo por um casal que trabalhava para a GAS.

Em depoimento à polícia, Glaidson chegou a negar que operava criptomoedas. Ele disse trabalhar com “inteligência artificial, tecnologia da informação e produção de softwares”, exatamente o oposto do que dizia para os clientes: que investia no ramo de moedas virtuais há nove anos.

Letycia Rocha
Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como produtora/repórter na Lagos TV e Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo. Editora no Blog Cutback e colaboradora no jornal O Dia.
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