01/10/2026 — 09:22
  (Horário de Brasília)

Operação investiga fraudes em reformas de escolas estaduais e cumpre mandados na Região dos Lagos; ex-secretária é alvo

Ação do Ministério Público e da Polícia Civil apura contratos milionários, cumpre 19 mandados de busca e apreensão e investiga possível prejuízo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.

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Contratos milionários para reformar escolas estaduais do Rio de Janeiro estão no centro de uma investigação sobre possíveis fraudes, desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro. Deflagrada nesta quinta-feira (1), a Operação Escola de Papel, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil, cumpre 19 mandados de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,6 bilhão. A pedido do MPRJ, a Justiça também autorizou o bloqueio de bens dos investigados no valor de aproximadamente R$ 19 milhões. A operação não conta com mandados de prisão.

A apuração envolve contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ), firmados entre 2024 e 2025, durante a gestão da ex-secretária Roberta Barreto de Oliveira. Entre os alvos citados estão Roberta Barreto, o genro dela, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, o ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc, David de Andrade Marinho Filho, e Fabio Martins Pereira, apontado pelos investigadores como operador financeiro do suposto esquema.

Empresa é suspeita de receber contratos direcionados

De acordo com as investigações, contratações teriam sido direcionadas à empresa MCK Reformas e Construções Ltda., responsável por obras em unidades da rede estadual. Segundo as informações divulgadas, cerca de R$ 6 milhões teriam sido recebidos em contratos relacionados ao esquema, dos quais aproximadamente R$ 4 milhões teriam sido repassados a Fabio Martins Pereira.

Os investigadores também apontam que a empresa não teria estrutura compatível com a execução de obras de grande porte. Conforme a apuração, o negócio funcionaria em um endereço residencial, não teria empregados registrados e, ainda assim, teria sido contratado para realizar reformas em escolas estaduais.

A análise financeira identificou que a empresa recebeu mais de R$ 11 milhões em recursos públicos somente em 2025, segundo informações relacionadas à investigação.

Apreensão de R$ 500 mil ajudou a avançar nas apurações

Um dos episódios que contribuíram para o avanço do caso ocorreu em 16 de janeiro de 2026, quando o administrador de uma empresa contratada para realizar obras em escolas estaduais foi abordado após sacar R$ 500 mil em uma agência bancária em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Segundo os investigadores, o dinheiro estava em uma sacola plástica dentro de uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte dos valores. A abordagem ocorreu após informações de inteligência financeira encaminhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em depoimento, o administrador afirmou que, dos cerca de R$ 6 milhões recebidos para aproximadamente 15 obras, apenas R$ 2 milhões teriam sido utilizados na execução dos serviços. Os outros R$ 4 milhões, segundo ele, teriam ficado com um intermediário responsável por organizar as contratações e controlar a movimentação bancária.

A análise dos contratos e das movimentações financeiras também identificou saques de aproximadamente R$ 8,93 milhões em dinheiro. Para os investigadores, esse tipo de operação pode dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos destinatários finais.

Como funcionaria o suposto esquema

Segundo o MPRJ, os recursos saíam da Secretaria de Estado de Educação, eram repassados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) e chegavam às contas das empresas contratadas para executar as reformas.

As AAEs são entidades sem fins lucrativos ligadas às unidades escolares, responsáveis por administrar recursos públicos destinados à manutenção e às melhorias nas escolas.

A suspeita é de que parte dos contratos apresentasse indícios de direcionamento e valores superiores ao custo efetivo dos serviços. Após os pagamentos, parte do dinheiro seria retirada em espécie ou transferida para outra empresa ligada ao grupo investigado.

Entre os crimes apurados estão corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O que diz a Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que já vem realizando uma revisão dos contratos e dos procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas escolas estaduais. Segundo a pasta, o objetivo é fortalecer os mecanismos de controle, corrigir eventuais fragilidades e assegurar a aplicação correta dos recursos públicos.

A secretaria afirmou que uma das medidas adotadas foi a definição de um limite de até R$ 130 mil para contratações destinadas a serviços de manutenção e pequenos reparos, em conformidade com a legislação vigente.

De acordo com a Seeduc-RJ, intervenções que ultrapassem esse valor passaram a ser classificadas como obras de maior porte e são executadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).

A pasta também declarou que continua colaborando com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado, a Polícia Civil e os demais órgãos competentes. A secretaria reafirmou o compromisso com a transparência e o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle da gestão pública.

Investigação continua em andamento

A Operação Escola de Papel é conduzida pelo MPRJ, por meio da Atribuição Originária Criminal do Procurador-Geral de Justiça, em conjunto com a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF), da Polícia Civil. A ação conta ainda com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público.

A investigação continua em andamento e tramita sob sigilo. O objetivo é reunir provas, esclarecer a participação dos envolvidos e identificar os possíveis beneficiários dos recursos investigados.

Até a última atualização das informações fornecidas, as defesas dos citados não haviam se manifestado sobre as acusações. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam uma condenação dos envolvidos.

A reportagem tentou contato com os citados e as respectivas defesas, mas não conseguiu localizá-los até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem – Site do(a) autor(a)

Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.

Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.

Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.

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