Mesmo sem ter curso superior, ‘faraó dos bitcoins’ é transferido para presídio especial

Para justificar, a Secretaria estadual de Administração Penitenciária afirma que a "realocação de presos foi implementada considerando os perfis dos presos e as condições estabelecidas nas ordens judiciais de cada custodiado, atendendo assim às necessidades identificadas na rotina das unidades prisionais"

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Preso desde agosto do ano passado, quando foi alvo de uma ação da Polícia Federal (PF), Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, foi transferido de unidade dentro do sistema penitenciário do Rio. Na semana passada, o ex-garçom trocou a Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza pela Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, mais conhecida como Bangu 8 — ambas fazem parte do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste da capital. O novo local onde encontra-se Glaidson é considerado uma “penitenciária especial”, onde, de acordo com as normas que gerem o sistema, só poderiam ser alocados detentos com curso superior, o que não é o caso do dono da GAS Consultoria, empresa que prometia rendimentos exorbitantes ao clientes mediante supostas transações com criptomoedas.

Na resolução que rege a distribuição de presos entre as cadeias fluminenses, consta que, para ingressar em Bangu 8, é preciso “apresentar documentação comprobatória de curso de nível superior, devidamente publicada em Diário Oficial”. Está lá, por exemplo, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o doutor Jairinho. Réu pela morte do enteado, o menino Henry Borel, de 4 anos, Jairinho é formado em Medicina. Outro vizinho de Glaidson será o delegado Mauricio Demetrio, acusado de cobrar propinas de comerciantes. A unidade também já abrigou figuras como o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-deputado federal Roberto Jefferson, entre outros nomes de vulto na política nacional, inclusive alvos da Operação Lava-Jato.

Embora o ex-garçom não se encaixe, em tese, no perfil dos ocupantes da Pedrolino Werling de Oliveira, a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) argumenta que a “realocação de presos foi implementada considerando os perfis dos presos e as condições estabelecidas nas ordens judiciais de cada custodiado, atendendo assim às necessidades identificadas na rotina das unidades prisionais”. Segundo a pasta, 40 detentos idosos foram transferidos para a unidade onde Glaidson estava até então, e outros 120 presos da mesma faixa etária passarão pelo mesmo procedimento com “o objetivo de estarem mais perto do hospital penitenciário, uma vez que necessitam de mais atenção em saúde”.

Ainda de acordo com a Seap, “para que este remanejamento fosse feito, 41 presos federais que ocupavam vagas na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza foram realocados na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), que já abrigava presos com nível superior”. Entre esses nomes, estava o de Glaidson Acácio dos Santos — ao fim do texto, veja a íntegra da nota feita pela secretaria, que acrescentou que os dois grupos de detentos estão em alas distintas.

Essa não é a primeira transferência pela qual o “faraó dos bitcoins” passa desde que foi parar atrás das grades. No fim de setembro do ano passado, cerca de um mês após ser preso, o ex-garçom trocou a mesma Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza por uma cela individual em Bangu 1, presídio de segurança máxima no Complexo de Gericinó. Na ocasião, a mudança ocorreu depois que a Corregedoria da Seap encontrou quatro celulares, picanha e linguiça na galeria onde Glaidson se encontrava, flagrante que motivou a exoneração do diretor, do subdiretor e do chefe da segurança da unidade.

Segundo uma informação repassada ao Disque-Denúncia na época, o ex-garçom estaria usando os telefones para comandar seus negócios de dentro da cadeia. Com ele, também foi transferido para a unidade de segurança máxima Tunay Pereira Lima, um dos sócios de Glaidson presos na Operação Kryptos, desencadeada pela PF.

Uma semana depois, o “faraó” retornou para a Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza por determinação da juíza Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal, onde corre o processo que corre contra ele. Após colher depoimentos do próprio Glaidson e de agentes penitenciários que fizeram as buscas nas celas, a magistrada entendeu que não havia relação comprovada entre o material apreendido e o ex-garçom.

No momento da transferência, a Seap divulgou que o empresário ficaria sozinho em uma cela, sem contato com outros detentos e acompanhado 24 horas por dia por uma câmera, com o intuito de impedir possíveis regalias. Nesta quarta-feira (30), a pasta frisou que a situação em Bangu 8 permanecerá a mesma: “O preso está em cela individual, monitorada por câmeras”, assegurou o órgão.

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Seap:

“A Subsecretaria de Gestão Operacional da Seap é responsável pelo monitoramento e gestão constante do sistema de vagas, visando ocupar lugares ociosos de cada unidade prisional e, assim, reduzir a superlotação em outras, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Ministério Público.

A realocação de presos foi implementada considerando os perfis dos presos e as condições estabelecidas nas ordens judiciais de cada custodiado, atendendo assim às necessidades identificadas na rotina das unidades prisionais.

Por isso, 40 presos idosos foram transferidos para vagas na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, em Gericinó, com o objetivo de estarem mais perto do hospital penitenciário, uma vez que necessitam de mais atenção em saúde. Outros 120 ainda serão transferidos.

Para que este remanejamento fosse feito, 41 presos federais que ocupavam vagas na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza foram realocados na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), que já abrigava presos com nível superior.”

** Com informações do Extra

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