25/06/2026 — 20:36
  (Horário de Brasília)

Mais de 200 pessoas são enganadas por falsa vaga no SUS em Saquarema; suspeitos cobravam até R$ 2,5 mil por “processo seletivo”

Suspeitos prometiam salários de até R$ 5,5 mil em suposto projeto de auditoria ligado à saúde pública; candidatos pagavam até R$ 2,5 mil para participar de processo seletivo que nunca existiu

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A Polícia Civil investiga um esquema de fraude que lesou mais de 200 pessoas em Saquarema. Os suspeitos ofereciam vagas para um suposto projeto de auditoria e fiscalização vinculado ao SUS, com salários de até R$ 5,5 mil, benefícios e possibilidade de trabalho remoto.

Segundo os denunciantes, uma mulher identificada como Aline Fernandes da Cunha oferecia vagas em um suposto projeto do SUS. Para participar do processo seletivo, os candidatos precisavam pagar – valores que variavam conforme a função e chegavam a R$ 2,5 mil. Para convencer as vítimas, os envolvidos apresentavam documentos, organogramas e afirmavam ter ligação com órgãos públicos. Com o tempo, as contratações não ocorreram e o contato foi ficando cada vez mais difícil. Foi então que as denúncias começaram a chegar à polícia.

Embora parte das transferências tenha sido feita para contas ligadas a Aline, os denunciantes afirmam que a maioria dos pagamentos foi destinada a Márcio de Oliveira Castro. Segundo os relatos, Márcio se apresentava como futuro subsecretário de Saúde de Saquarema e responsável pelo projeto.

A Prefeitura de Saquarema confirmou em nota que o projeto não existe e que não realiza qualquer cobrança para ingresso em cargos públicos. O município também negou que as pessoas citadas nas denúncias tenham qualquer vínculo com a administração.

O advogado de Aline Fernandes da Cunha afirmou que a cliente também foi enganada e acreditava que o projeto era verdadeiro. Segundo ele, a cliente recebeu documentos e informações que davam aparência de legalidade à iniciativa.

A Polícia Civil confirmou que diversos boletins foram registrados desde o início do ano. As investigações buscam identificar os responsáveis e apurar os crimes cometidos.

Quem acredita ter sido vítima deve procurar uma delegacia com comprovantes de pagamento, prints de conversas e documentos recebidos. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 181.

O esquema identificado em Saquarema se encaixa num padrão que vem crescendo no país. Criminosos anunciam vagas atraentes, com altos salários e benefícios, despertando o interesse de candidatos em busca de recolocação – e, em alguns casos, exigem pagamentos antecipados sob pretexto de taxas de contratação ou cursos obrigatórios.

Especialistas alertam que empresas sérias não cobram valores de candidatos para participação em processos seletivos, e orienta que nenhum pagamento seja feito a título de taxa de inscrição, exames ou cursos pré-contratação.

Sabrina Sá
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