MADE IN ARARUAMA/ Recém-lançado, documentário retrata o quilombo Sobara

Beneficiado pela Lei Aldir Blanc, obra do jornalista Marcos Serpa resgata a importância e resistência da comunidade construída a partir dos escravos fugitivos entre o século XVI e 1888

468

Uma comunidade quilombola, localizada no bairro Sobara, em São Vicente de Paulo, 3º distrito de Araruama, se tornou tema de um documentário feito pelo jornalista Marcos Serpa. “Sobara para Sempre!”, lançado em janeiro último, mostra a história e como vivem os quilombolas que habitam o local.

Beneficiado pela Lei Aldir Blanc, o documentário resgata a importância e resistência da comunidade construída a partir dos escravos fugitivos entre o século XVI e 1888, quando houve a abolição da escravatura.

A ideia da criação da obra já tem mais de 10 anos, e seria feito pela AraruTV. “Como era um projeto mais trabalhoso e caro, e não tínhamos patrocínio para tal realização, o documentário foi sendo adiado indefinidamente. É o primeiro trabalho que faço desse gênero, e a cada gravação, passei a acreditar cada vez mais na importância do audiovisual na preservação da memória recente local. Quando soube do edital da Lei Aldir Blanc, chamei alguns amigos fazedores de cultura e propus oferecermos alguns projetos. E o Jorge Carapeba, um desses amigos, se interessou em tomar a frente e protagonizar o Sobara Para Sempre”, conta Marcos.

Durante a produção e execução do documentário, o jornalista Marcos Serpa percebeu as diversas demandas reprimidas da comunidade quilombola, como não existência de um segmento da educação a partir do 6º ano, melhoria das estradas, entre tantos.

“A comunidade vem buscando alternativas e ideias para explorar seus potenciais e viabilizar sua autossuficiência econômica. Capacitação para mão de obra, organização de cooperativas, opções de segurança alimentar a médio e longo prazo, são algumas das demandas urgentes que percebi. Eles têm uma educação considerada satisfatória para as crianças, mas sentem falta do ensino local para além do 6º ano, que tem que ser feito em outros bairros. A acessibilidade em período de chuvas é muito ruim, o que inviabiliza o deslocamento. Problemas com a violência e roubos começam a surgir também. Mas o que mais os preocupa é a saúde. Desde 2019, eles têm um posto local, porém surgem relatos constantes de dores de cabeça sem motivo aparente, e a suspeita é de que possa ser reflexo do uso de agrotóxicos nas grandes plantações de cana do entorno”.

Sobre o autor

Marcos Serpa nasceu no Rio de Janeiro, morou em Duque de Caxias até 1998, quando veio com seu filho com 1 ano de idade e sua espoca Andréa para a cidade de Araruama, “em busca de uma vida mais tranquila”.

Como jornalista, ele começou a trajetória escrevendo em jornais enquanto frequentava a Faculdade Pinheiro Guimarães.

“Depois do Plano Collor, tive que interromper os estudos e só voltei em 2007, na primeira turma de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida – Cabo Frio. Nesse meio tempo, continuei escrevendo e diagramando jornais, mas sempre como uma atividade paralela. Trabalhava principalmente com música (tive uma banda, na qual cantava e tocava teclado, ambos muito mal) e sonorização de shows e eventos nesse período. Em 2010, depois de finalmente formado, editei algumas edições de um bem-humorado jornal chamado “O Carapeba” – o trabalho que mais gostei de fazer até hoje no jornalismo. Logo depois, editei a Revista BPD – Bem Pertinho Daqui, até 2016. No audiovisual, comecei a AraruTV em 2008, a primeira WebTV do interior do Estado, e que hoje faz parte da Rede Canal 10, onde exibimos nossas produções, e atualmente gerencio a programação da Cabo Frio TV, desde 2019”, contou Marcos ao Portal Costa do Sol. 

Recentemente Marcos ministrou uma Oficina Audiovisual no Sindicato dos Servidores Municipais, e pretende fazer outras em breve.

*Com informações do Portal Costa do Sol.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui