InícioCovid-19'Kit Covid' oferecido em São Pedro da Aldeia causa polêmica

‘Kit Covid’ oferecido em São Pedro da Aldeia causa polêmica

Cerca de cinco mil kits compostos por azitromicina, prednisona, ivermectina e dipirona são ofertados pela Prefeitura. Especialistas afirmam que ‘tratamento precoce não adianta nada’

Uma publicação feita pela Prefeitura de São Pedro da Aldeia, nesta quinta-feira (25) vem gerando polêmica. Através dela, o município afirma que testes e kits de tratamento precoce para a Covid-19 estão sendo disponibilizados nos postos de saúde com o objetivo de “descentralizar o diagnóstico e as possibilidades de tratamento da doença para demais áreas da cidade”.

As unidades de saúde agora disponibilizam medicamentos para combate precoce da doença após avaliação e receita médica. Cerca de cinco mil kits de medicamentos, composto por azitromicina, prednisona, ivermectina e dipirona são ofertados pela gestão municipal. O tratamento é direcionado aos pacientes que apresentam sintomas, para administração no período entre a realização da testagem e a divulgação do resultado do exame, que pode levar até uma semana em determinados casos. Cada paciente é avaliado individualmente. De acordo com a prefeitura , o uso é opcional e de caráter preventivo. 

A medida dividiu opiniões, principalmente nas redes sociais. Por um lado, muitas pessoas comemoraram e agradeceram a atitude.

Por outro lado, muitas munícipes criticaram a ação, já que evidências científicas apontam que esses remédios não têm efeito de prevenção ou tratamento precoce de covid.

Apparecida Castorina Monteiro, médica infectologista dos municípios de Cabo Frio e Arraial do Cabo há mais de 30 anos, acredita que a medida é um retrocesso.

Apparecida Castorina Monteiro, médica infectologista

“Estou assustadíssima. Já está mais do que comprovado que esse tratamento precoce não ajuda em absolutamente nada. O que adianta é termos acesso adequado à saúde, que o paciente seja atendido precocemente e orientado em relação a riscos de evoluir com gravidade. Não existem medicamentos que previnam evolução ruim da doença. Quanto maior o número de infectados, maior o número de mortes e o quanto maior o descaso no atendimento adequado, maior vai ser esse número de óbitos. Se não tivermos oxigênio, se não tivermos profissionais que saibam lidar adequadamente com o material disponível. É muito triste se deparar com isso. As pessoas insistem em aglomerar, em não usar máscaras. O negacionismo é triste!”, lamentou a especialista.

PREFEITURA DESTACA IDA AO MÉDICO E DIAGNÓSTICO CORRETO

A prefeitura de São Pedro da Aldeia destacou que “a ida ao médico, o diagnóstico correto com início imediato do tratamento, que inclui a prescrição do medicamento mais adequado para cada caso, pode fazer grande diferença na cura da doença”.

Os sintomas mais comuns da Covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes podem apresentar dores, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarreia, perda de paladar ou olfato, erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés.

(*) Pacientes precisam transplantar fígado após uso do ‘kit covid

Cinco pacientes que utilizaram o ‘kit covid’ — combo que reúne medicamentos sem eficácia comprovada para combater o coronavírus —, precisaram entrar na fila do transplante de fígado em São Paulo. O uso das medicações está sendo apontado como a causa de três mortes geradas por hepatite, de acordo com médicos que foram ouvidos pelo jornal Estado de São Paulo.

Imagem: Estadão

Foram observadas hemorragias, insuficiência renal e arritmias nos pacientes que tiveram doses do ‘kit covid’ administradas para o tratamento do vírus com remédios como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes. Os médicos apontaram que o aumento de casos dentro desses perfis coincide com o agravamento da pandemia no país.

Apesar de não haver indícios de que os remédios funcionem contra a covid-19, médicos continuam prescrevendo receitas com as medicações. As indicações seguem o aconselhamento do Ministério da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que durante conversas com apoiadores e pronunciamentos públicos compartilhou que os remédios devem ser usados.

Um dos indicadores dos efeitos gerados pelo incentivo presidencial e do Ministério da Saúde para o uso de medicamentos sem eficácia é observado nos números de vendas desses remédios. Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontam que as vendas de ivermectina subiram 557% em 2020, em comparação com o ano de 2019, quando ainda não havia a pandemia.

O uso de cloroquina, ivermectina e de outros fármacos recomendados pelo presidente da República para tratamento ou prevenção da covid-19 deve ser banido, de acordo com o Comitê Extraordinário de Monitoramento da Covi-19, organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB). O grupo que reúne mais de 80 sociedades médicas emitiu uma nota essa semana, afirmando que, para superar a pandemia, o Brasil deve ‘vacinar com celeridade todos os cidadãos’. (*Com reprodução do UOL)

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