Investidores de Mato Grosso do Sul cobram R$ 1 milhão do ‘Faraó dos Bitcoins’

As vítimas relataram golpe com promessa de muito dinheiro, onde os alvos foram fisgados em festa cheia de glamour, regada a uísque importado, champanhe francesa e vinhos caríssimos

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O empresário Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, é alvo de processos em Campo Grande e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, de clientes que investiram em criptomoedas. As ações totalizam R$ 1 milhão.

O maior valor é de R$ 800 mil e consta em processo aberto em fevereiro de 2021 contra a advogada Eliane Medeiros de Lima, que acabou presa neste ano na Operação Kryptos, realizada pela Polícia Federal (PF) contra o grupo.

As vítimas relataram golpe com promessa de muito dinheiro, onde os alvos foram fisgados em festa cheia de glamour, regada a uísque importado, champanhe francesa e vinhos caríssimos.

Contudo, em 7 de outubro, a defesa pediu a inclusão de Glaidson como réu. Treze dias depois, o juiz da 13ª Vara Cível de Campo Grande, Alexandre Corrêa Leite, deferiu a medida.

“De igual maneira, é possível admitir a inclusão no polo passivo de Glaidson Acácio dos Santos, o chamado ‘Faraó das Bitcoins’, posto que os autores o acusam de ter se beneficiado/apropriado ilicitamente dos investimentos que fizeram, atraindo eventual responsabilidade do aludido réu pelo ressarcimento pretendido. Além disso, consoante noticiado pela mídia, a Polícia Federal apurou possível relacionamento entre ele e a ré Eliane Medeiros de Lima”, diz.

Outra ação, que tramita na 2ª Vara Cível de Campo Grande, cobra R$ 138 mil. O processo é contra Glaidson Acácio dos Santos, a empresa G.A.S. Consultoria e Tecnologia Ltda e Mirelis Yiseline Dias Zerpa.

Foragida, a esposa do ‘Faraó dos Bitcoins’ foi citada por edital sobre o processo que tramita em MS. O aviso foi publicado na edição de 25 de março do Diário da Justiça. Morador em Campo Grande, a vítima informa que fez investimentos entre fevereiro e agosto de 2021. A promessa era retorno mensal de 10%.

Segundo a defesa, considerando que a empresa não cumpriu com sua proposta, cabe a rescisão contratual e a imediata devolução dos valores pagos. Também é apontado o dano moral.

“Primeiramente insta consignar que o autor se encontra em difícil situação financeira, buscando incessantemente novas oportunidades de emprego para sustentar sua família. Com muito trabalho conseguiu reunir o investimento mínimo necessário, apostando todas suas fichas neste novo negócio. Portanto, não trata-se exclusivamente de valores perdidos, mas de toda sua esperança em poder garantir o mínimo de dignidade a sua família”, detalha a ação.

De acordo com o advogado Rômulo Ferreira Lemos, apesar de a empresa ter sede em Cabo Frio, pode ser aberta ação na Justiça de MS por se tratar de direito do consumidor. Ainda segundo ele, neste caso, houve apreensão de valores do esquema de pirâmide financeira ruir. “A polícia investigou antes e apreendeu valores”, afirma.

No terceiro processo, ajuizado na 11ª Vara Cível de Campo Grande, o investidor relata o aporte de R$ 20 mil, com retorno mensal de 10% durante 24 meses. Contudo, o pagamento foi interrompido desde agosto, quando foi deflagrada a Operação Kryptos.

“Os réus, por evidente, violaram a boa-fé objetiva, uma vez que incorreram em crime e ludibriaram o Autor, que acreditava estar realizando investimento em criptomoedas, mas em verdade foi inserido em criminosa pirâmide financeira”. As outras duas ações na Justiça de Campo Grande cobram R$ 60 mil.

Em Corumbá, um militar da Marinha cobra R$ 40 mil, sendo R$ 30 mil pelos investimentos e R$ 10 mil por dano moral.

O ‘Faraó dos Bitcoins” é acusado de comandar um esquema de fraudes bilionárias a partir de sistema de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas. Pelo menos, R$ 38,2 bilhões foram movimentados entre os anos de 2015 e 2021 no Brasil e no exterior.

*Com informações do Campo Grande News.

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