Imagens mostram lixo infectante misturado com comum em hospital de Cabo Frio

Caso aconteceu no Hospital Municipal São José Operário, em São Cristóvão; moradora acusa unidade de descaso

592

Pacientes do Hospital Municipal São José Operário, que fica no bairro São Cristóvão, em Cabo Frio, estão passando por uma situação preocupante. Em denúncia, familiares relatam a mistura de lixo comum com o infectante, o que é extremamente perigoso para a saúde. Além disso, conforme uma denunciante – que prefere não se identificar -, os acompanhantes precisam trocar as roupas de cama e higienizar os pacientes, já que os enfermeiros, segundo relata, não realizam o trabalho.

Uma moradora, que teve a mãe internada entre os dias 24 e 28 deste mês, presenciou de perto o que ela mesma denomina como “descaso”. “Lixo infectante juntamente com o comum, às vezes transbordando no chão e sem nenhuma limpeza. (…) Eu já vi acessórios como agulhas e seringas esquecidas na cama de pacientes, entre várias outras coisas absurdas”, conta.

Imagens feitas por ela mostram a lixeira com placa escrita “comum” colada em sua tampa cheia de lixo hospitalar – incluindo material com sangue. Segundo Instituições de Saúde, o contato de um paciente com esse tipo de resíduo pode causar várias infecções, como doença de Chagas, Hepatite B e, ademais, ocasionar ferimentos acidentais.

A denunciante contou que, além de ficar com medo de possíveis contaminações por parte de sua mãe, teve receio dela mesma pegar alguma doença. “Fiquei com medo de até eu mesma pegar alguma coisa, porque as lixeiras ficam um tempão cheias”, dispara.

Além disso, de acordo com o relato, ela não podia contar com os enfermeiros para higienizar a mãe, que é deficiente física e necessita de cuidados especiais. A mulher conta que, ao chegar para visitá-la, ela mesma precisava trocar as roupas de cama e dar banho. “Deixavam ela suja a ponto de sujar três forros de cama em um dia. Levei todos os medicamentos dela, não davam porque não estava prescrito na prancheta. Inclusive, a acompanhante de outra moça que trocava ela, já que a enfermagem não estava nem aí”, diz a mulher, indignada.

Outra situação que também trouxe indignação foi o fato de enfermeiros andarem sem máscaras pelos corredores. “Eles fazem uma burocracia dizendo que só pode ter acompanhante se o mesmo ficar 72h direto na enfermaria, mediante teste de Covid-19. O problema é que os próprios funcionários transitam sem máscara o tempo todo”.

Apesar da obrigatoriedade da máscara em locais fechados ter sido dispensada, existem exceções, como hospitais, unidade de pronto atendimento e demais unidades de saúde. Nestes locais, tanto funcionários, quanto pacientes devem usar a proteção.

A mulher mostra ainda mais sua revolta quando afirma que sua mãe “apenas tinha as coisas quando ela estava lá”. “É um tremendo descaso com o cidadão cabo-friense, pagamos os nossos impostos! Temos que ter pelo menos uma saúde de respeito, que atenda as necessidades de todos”, conclui.

Sobre a situação, em nota, a Prefeitura afirmou que o descarte foi feito por uma empresa terceirizada. Além disso, reforçou constantes capacitações das equipes, mas não comentou o questionamento sobre os enfermeiros não realizarem a higienização dos pacientes. Confira na íntegra:

“A Prefeitura de Cabo Frio informa que uma vistoria foi realizada em todas as lixeiras da unidade e que os materiais já haviam sido retirados do local. Mediante análise das imagens, a Prefeitura esclarece que os itens identificados são equipamentos referentes ao serviço de diálise, cuja a retirada é de responsabilidade da empresa terceirizada que foi contratada para o serviço. A empresa foi notificada para que a falha na prestação do serviço não volte a ocorrer. A Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria de Saúde, realiza capacitações das equipes constantemente, e vai reforçar ainda mais a vigilância em relação aos procedimentos estabelecidos”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui