‘FARAÓ DOS BITCOINS’/ MPF denuncia empresária que ajudou a esposa de Glaidson a ocultar dinheiro em fuga

De acordo com denúncia, Eliane Medeiros de Lima fazia parte da organização criminosas na qualidade de sócia do braço financeiro do grupo comandado por Glaidson e Mirelis

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A empresária Eliane Medeiros de Lima vai responder criminalmente por supostamente ajudar a venezuelana Mirelis Zerpa, mulher de Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, a ocultar das autoridades parte dos R$ 1 bilhão sacados ilegalmente, em agosto do ano passado, após a Operação Kriptos. Em denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF), Eliane e Mirelis foram acusadas de ocultar a origem e a localização de bens oriundos da prática de crimes.

Na mesma denúncia, o MPF também imputa às duas mulheres, ao lado Glaidson e Handerson Gomes Pinto, outro integrante do grupo, os crimes de operação sem autorização legal de instituição financeira e de formação de organização criminosa.

Mirelis evitou a prisão por viajar para os EUA dias antes da operação, deflagrada no dia 24 de agosto do ano passado. Com a ajuda de senhas desconhecidas pelos investigadores, ela conseguiu sacar, entre 24 de agosto e 15 de setembro, 4.330 unidades de criptomoedas. Em valores da época, correspondiam a R$ 1 bilhão.

As investigações, que avançaram após a quebra do sigilo das empresas do Grupo Gas Consultoria Bitcoins, do casal Glaidson e Mirelis, comprovou que a venezuelana transferiu R$ 200 mil destas criptomoedas para Eliane, que liquidou as unidades no mercado e recebeu o valor correspondente em reais nas contas da empresas GLA Serviços.

Os quatro denunciados foram alvos, na segunda-feira, da operação Betka, a quarta fase da operação Kryptos. Eliane, que chegou a ser presa em fevereiro, na terceira fase da Kriptos, também foi responsabilizada por abrir uma empresa no Uruguai, a CointradeCx, para ajudar o Faraó e a sua esposa no esquema de lavagem de dinheiro.

Esta foi a segunda denúncia oferecida pelo MPF contra Eliane. Na primeira, logo após a prisão, a CointradeCx, que opera no Brasil desde 2019, teria movimentado irregularmente R$ 324 milhões em operações do casal Glaidson e Mirelis. A empresária também foi acusada de lavar dinheiro do traficante Luiz Carlos da Rocha, também conhecido como Cabeça Branca, um dos maiores da Região Centro Oeste.

Na nova denúncia, o MPF sustenta que “o crescente protagonismo de Eliane na organização foi tamanho que ela foi a pessoa escolhida pela organização para escamotear a enorme quantia resgatada por Mirelis após a deflagração da Operação Kryptos”.

A Cointrade operava como exchange, como são chamadas as empresas responsáveis por custodiar e fazer transferências de criptomoedas, armazenando os ativos em suas carteiras digitais. São, assim, uma espécie de corretora de criptomoedas, viabilizando as transações entre aquele que deseja comprar e aquele que deseja vender criptomoedas.

Ainda de acordo com a denúncia, Eliane e Handerson agiam como membros da organização criminosa, na qualidade de sócios do braço financeiro do grupo comandado por Glaidson e Mirelis. O MPF sustenta, ainda, que “existem robustos elementos de prova” de que Glaidson pretendia subverter restrições que lhe vinham sendo impostas pelo sistema financeiro nacional, abrindo empresas com a ajuda de comparsas, um deles Handerson Gomes Pinto.

*Com informações do Extra.

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