Ex-advogada da mulher do ‘Faraó dos bitcoins’ diz que ‘plano de pagamento’ aos clientes ‘está suspenso’ por decisão de Glaidson

Segundo a profissional, há condição de pagar a todos, mas há um impedimento jurídico nisso

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As sucessivas guinadas relativas à promessa de um plano de pagamento elaborado pela GAS Consultoria com o intuito de ressarcir clientes ganharam mais um capítulo na última quarta-feira (9). Durante uma transmissão ao vivo no Instagram, a advogada Mônica Coelho Lemos anunciou que foi destituída da defesa de Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, mulher de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “faraó dos bitcoins”. E, além disso, afirmou que a situação não deve ser solucionada tão cedo, já que, segundo ela, a intenção de acertar desde já as pendências “está suspensa”.

A mesma advogada havia participado, no dia de 24 de janeiro, de uma outra live na qual foi informado que a GAS estava apresentando à Justiça o plano de pagamentos, que teria o objetivo de quitar em breve todos os valores devidos. A notícia deu esperança aos investidores, mas acabou desmentida uma semana depois em um comunicado evasivo divulgado pela própria empresa, no qual o grupo informava que o tal plano ainda estava em “fase de elaboração” e que, “muito embora haja uma real intenção de apresentação”, até aquele momento não havia “formalização de tal proposta perante o Poder Judiciário”. Também foi revelado que um documento do Ministério Público Federal (MPF), com a data de 16 de fevereiro, indicava que não havia menção “a qualquer acordo, bem como não foi identificado procedimento para esse fim” em nenhuma das mais de 200 peças do processo criminal contra a GAS que tramita na Justiça Federal. Nesta quinta (10), já depois de deixar o caso, Mônica Coelho assegurou que essas tratativas só não avançaram por determinação do próprio Glaidson.

“Em momento algum nós enganamos alguém. Havia sim, uma intenção, um plano de pagamento em elaboração, praticamente pronto para ser apresentado”, discorreu a advogada na transmissão, na qual ela fez várias referências a Glaidson, parte delas sem citar diretamente o nome do marido da ex-cliente: “Todos sabemos que a dona Mirelis não é administradora da empresa. Embora seja a pessoa que está com margem de manobra aqui fora (a venezuelana está foragida), ela não pode decidir isso sozinha. Eu via na senhora Mirelis uma vontade muito grande de pagar, de honrar. Porém, essa decisão não dependia apenas dela. E acho que ficou claro (de quem foi a decisão). Diante das circunstâncias, até esse presente momento, o plano de pagamentos está suspenso”.

Durante a live, de pouco mais de uma hora, Mônica Coelho também afirmou que, “em todas as circunstâncias” nas quais foram questionados a respeito, tanto Mirelis quanto Glaidson sempre responderam que possuíam “ativos suficientes para pagamentos dos clientes”. Por isso, ainda de acordo com a advogada, “a equipe toda estava trabalhando” na elaboração da proposta de acerto, que, para entrar em prática, dependeria de o Poder Judiciário determinar o desbloqueio de contas da empresa.

“Há condição de pagar a todos, mas há um impedimento jurídico para isso”, pontuou a advogada.

Na transmissão, Mônica Coelho revelou que chegou à defesa de Mirelis depois que sua conta no Instagram passou a ganhar muitos seguidores “em função do assunto GAS”. Na condição de, ela própria, investidora da empresa, a advogada chegou a organizar uma associação que reuniu outros clientes, com a missão de defender os interesses daqueles que haviam perdido dinheiro. A contratação como advogada da venezuelana, segundo a própria profissional, gerou “celeuma” e “deu problema”, por conta de desconfianças sobre um possível conflito de interesses.

“Houve o convite para colaborar com a defesa da senhora Mirelis. Eu não poderia estar associada a uma instituição e estar na linha de defesa da Mirelis. E eu pensei: dentro da linha de defesa dela, como cliente, eu posso ajudar muito mais. Porque ali eu estaria de perto, no olho do furacão”, argumentou.

Mônica Coelho relatou também que, ao ingressar no caso, viu em Mirelis “uma pessoa indefesa” e “talvez fragilizada”, e que “sentiu muita vontade de fazer algo para colaborar”. De acordo com as autoridades, a venezuelana encontra-se nos Estados Unidos, onde, já foragida e com o nome incluído na difusão vermelha da Interpol, sacou o equivalente a R$ 1 bilhão em criptomoedas. A partir de agora, a esposa de Glaidson será defendida, no âmbito do processo criminal, apenas pelos advogados André Espanhol e Ciro Chagas.

A saída de Mônica Coelho da defesa de Mirelis ocorreu uma semana depois que ela própria figurou como alvo de uma ação coletiva movida contra a GAS pela Associação Nacional Centro da Cidadania em Defesa do Consumidor e Trabalhador (Acecont). A entidade incluiu Mônica Coelho como ré por entender que ela teria cometido supostos crimes contra as relações de consumo. A Acecont afirma que ela é casada com um consultor da GAS e sócia de um suspeito foragido em uma das muitas empresas que compõem o grupo.

“Em lives nas redes sociais, ela garantiu que a GAS tem dinheiro para pagar todo mundo. Se tem, que deposite numa conta judicial. Se não tem, ela induziu o consumidor ao erro, ao desestimular que cada um busque seu próprio direito. É publicidade enganosa. Além disso, se ela, na condição de sócia, ajuda a ocultar o dinheiro, passa a se favorecer pessoalmente”, disse à reportagem a advogada Renata Mansur, uma das responsáveis pela defesa da associação, logo que depois que o processo passou a tramitar na 2ª Vara Empresarial da Capital.

*Com informações do Extra

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