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Cenas em Búzios marcam o carinho de Paulo Gustavo pela Região dos Lagos

Artista morreu na terça-feira (4) após complicações da Covid-19; Personagens de sucesso como ‘Dona Hermínia’ e ‘Senhora dos Absurdos’ passaram pelo balneário

Sucessivos erros (intencionais ou não) na resposta à pandemia saíram caríssimo ao Brasil, que já registrou mais de 400 mil mortes em decorrência da doença. Dentre as vidas cruelmente perdidas, um dos maiores atores e humoristas do Brasil: Paulo Gustavo.

Em um de seus diversos trabalhos de sucesso, o 220 Volts, que era exibido no Multishow, onde diversos personagens representavam as particularidades do povo brasileiro, Paulo Gustavo conseguiu transformar em humor a sua proximidade com a Região dos Lagos e Búzios foi tema em um dos episódios, exibido em 2013.

Nas cenas, as personagens ‘Dona Hermínia’ e ‘Senhora dos Absurdos’ parecem avessas às belezas do balneário. Enquanto a primeira se desespera por não encontrar um ovo na cidade, a ‘madame’ descreve o balneário como sem graça: “Quem inventou essa palhaçada foi a Brigitte Bardot. Veio, ficou meia hora, disse que era a Saint Tropez brasileira”.

Durante a estreia do programa, o ator chegou a afirmar que “Quem vive em Búzios é naturalmente feliz”, mostrando sua paixão pela cidade.

Com um estilo de humor acessível, baseado em cenas familiares e cotidianas, Paulo Gustavo conquistou o Brasil e teve uma trajetória de enorme sucesso em produções como “Minha mãe é uma peça: O filme”, que foi campeão de bilheterias.

Na terceira e última edição do longa, dirigido por Susana Garcia, que é Macaense e uma grande amiga de Paulo, a supermãe teve que encarar a vida com os filhos formando novas famílias. Uma das cenas consideradas mais emocionantes, que mostra o casamento do filho Juliano (Rodrigo Pandolfo), foi gravada em um hotel que fica na Marina, também em Búzios.

Kevyn Pádua, morador do balneário, participou das gravações como figurante e afirmou que a experiência foi inesquecível. “Fui escolhido para ser o dj do casamento. Paulo foi incrível com todos, super atencioso, fazendo de tudo pra ficar perfeito, não precisava se esforçar pra nos fazer rir dentro e fora das cenas”, conta.

A comunicação do ator sempre foi muito íntima com o povo brasileiro. As pessoas encontravam no humor de Paulo Gustavo uma aproximação. Suas piadas traziam frases, situações e comportamentos presentes no cotidiano de todos, sendo praticamente impossível não se identificar e arrancar boas gargalhadas.

Paulo Gustavo e Fábio Porchat no palco do Teatro Municipal de Cabo Frio. Foto: Alexandra Barbosa

Esse talento era notável desde o início da carreira. No ano de 2004 o humorista participou do Fesq Cabo Frio, o festival de cenas curtas que ainda estava no início, no Teatro Municipal da cidade. Ao lado de Fábio Porchat, ele encantou a plateia com a esquete “Ovo”.

“O público se apaixonou por eles. Paulo já era uma explosão de carisma 24 horas, dançando no camarim, acordando o alojamento, fazendo performance na calçada, reclamando do sol, dando cantada nos surfistas… Era de longe, a pessoa mais engraçada por perto e sempre! Impossível não notá-lo”, conta Luca Morais, oficineiro e produtor do evento.

O sucesso foi tanto que a os organizadores tiveram que quebrar o protocolo e permitir uma nova apresentação da cena na noite da final, reservada apenas aos premiados.

“Na noite da final, eles assistiam da plateia as cenas escolhidas, aguardando ao menos uma indicação para ‘melhor ator’, que não aconteceu… O público se revoltou! E começou a exigir que eles apresentassem a cena no palco: o que era contra o regulamento, apenas os finalistas podiam reapresentar. A produção negou. No intervalo, a pedido das pessoas, eles começaram a fazer cena na porta do teatro, na rua mesmo… A plateia ficou vazia! Todos correram para fora para ver a dupla. Eu, a produção, Pablo Alvarez, Yuri Vasconcellos, a equipe, ninguém sabia o que fazer… Não teve saída. Abrimos as cortinas e pedimos pra eles subirem no palco. O público enlouqueceu! Enquanto arrumávamos a cena, todos gritavam em uníssono: – ‘O-vo! O-vo! O-vo’”, completa o produtor através de um relato em uma rede social.

O prefeito de Niterói, Axel Grael, decretou três dias de luto no município por conta da morte do ator, que nasceu lá em 30 de outubro de 1978. Uma moção de aplausos, cada um de suas casas, também foi feita no município, às 20h desta quarta-feira (5).

 “Contra preconceito, intolerância, a mentira, a tristeza, já existe vacina: é o afeto, é o amor!”, Paulo Gustavo.

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