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Bacia de Campos sofre mais uma perda com fim das atividades da plataforma P-33

Nesta terça-feira (24), a plataforma P-33 encerrou seu ciclo de produção, indicando que suas atividades devem ser totalmente encerradas em breve. Essa ação é denominada offloading (transferência de petróleo). O descomissionamento da plataforma também reforça que a atual gestão da Petrobrás insiste em priorizar o financeiro, sem pensar no impacto que causará em toda a região.

Para o Sindipetro-NF, essa decisão da empresa é considerada um erro e vai contra a política de crescimento do país. “A gente considera mais um equivoco, um fato lamentável desta gestão, que insiste em fechar plataformas na Bacia de Campos. Isso afeta diretamente toda a região com perda de empregos, de receita, de desenvolvimento”, declarou o diretor do NF, Leonardo Ferreira.

O NF ressalta ainda uma grande preocupação com relação não só aos trabalhadores próprios, como os terceirizados, que irão enfrentar grandes transtornos com essa mudança.

“Trabalhadores tanto próprios quanto terceirizados acabam precisando buscar oportunidades em outros locais, em refinarias, que estão sendo vendidas, por exemplo. Isso causa muitos transtornos. O NF está atento a toda essa situação e dará suporte a todos os trabalhadores, que se sentirem lesados com essa decisão da Petrobrás.”, frisou o diretor

Bacia de Campos completa 44 anos e sofre os impactos da privatização

No último dia 13 de agosto, a Bacia de Campos completou 44 anos de produção e a P-33 esteve presente na produção por mais de 20 anos. No decorrer desses anos, a Petrobras atuou praticamente sozinha e registrou altos níveis de produção. Mas, agora, a história do petróleo no Brasil vem registrando sucessivas quedas de produção e uma pulverização de novas empresas nas atividades de exploração e produção.

“Precisamos entender a natureza deste processo de redução da produção da Bacia de Campos. A Petrobras vinha apostando, desenvolvendo programas para tentar aumentar o fator de recuperação das reservas da bacia, criou programas neste sentido, mas a partir de 2014 adotou uma estratégia de reduzir investimentos na área”,  lembrou Rodrigo Leão coordenador técnico e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), em um webnário que foi ao ar em março, deste ano.

Na ocasião, João Montenegro, pesquisador do Ineep lembrou que a Bacia de Campos atingiu o pico de produção por volta de 2012, quando registrou pouco mais de dois milhões de barris de óleo equivalente (boe)/dia, que inclui óleo e gás natural. Até 2016, a produção se manteve em torno de 1,5 milhão de boe/dia e a partir de 2017 ela se reduziu gradualmente até os 920 mil boe/dia contabilizados em janeiro último.

“A minha pergunta é se esta queda deveria ter sido tão abrupta. Precisávamos passar por uma redução de um milhão de barris por dia? Poderia ter sido adotada uma estratégia gradual que tentasse preservar mais a produção”, comentou Leão, recorrendo aos números divulgados pelo Dieese, em 2019, sobre investimentos na Bacia de Campos para mostrar o quanto a redução foi significativa. Em 2013, a Petrobras investiu US$ 9 bilhões, valor que caiu para US$ 3,5 bilhões, em 2018. As empresas que adquiriram campos maduros da estatal (Perenco, PetroRio, Trident, BW e Dommo), anunciaram até agora somente US$ 3 bilhões de investimento para explorar, informou.

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