Portas arrancadas, móveis quebrados, alimentos espalhados e objetos religiosos danificados. Foi assim que integrantes de um terreiro de Candomblé encontraram a própria casa religiosa após uma invasão em Iguabinha, distrito de Araruama. O caso foi descoberto na segunda-feira (2), feriado de Finados, e registrado na delegacia nesta quarta-feira (4). Como nenhum objeto foi levado, os responsáveis pelo espaço suspeitam de um ataque motivado por intolerância religiosa.
O terreiro, identificado como Igbé Ilé Osàlá Afayiá, estava em situação normal quando o pai de santo Alexandre de Oxalá esteve no local, na sexta-feira (31). Os integrantes retornaram após participarem de um evento religioso fora da casa e encontraram o espaço completamente revirado.
Segundo Dirce Castro, filha de santo do terreiro, a porta da cozinha foi arrancada, embalagens de alimentos foram rasgadas e móveis foram danificados. Apesar da destruição, nada foi levado.
Alexandre acredita que os invasores entraram pelos fundos do terreno, aproveitando um ponto sem cobertura das câmeras de segurança instaladas nas proximidades. A porta da cozinha teria sido forçada e arrancada. Em seguida, os responsáveis reviraram armários, quebraram louças, danificaram assentamentos religiosos e espalharam alimentos.
A destruição também atingiu outros cômodos. No barracão, os invasores entraram em um espaço utilizado para atividades religiosas, mexeram nas roupas dos filhos de santo, abriram malas e espalharam pertences.
Para o líder religioso, a ausência de objetos furtados reforça a suspeita de intolerância. Ele relatou sentimento de insegurança e afirmou que a invasão representa uma tentativa de intimidar os praticantes da religião.
Outros terreiros também relatam ataques
O episódio aumentou a preocupação de lideranças religiosas de Araruama. Segundo integrantes do Coletivo de Terreiros do município, outro terreiro de Candomblé, também em Iguabinha, teria sido invadido nas semanas anteriores. Em julho, uma casa de Umbanda no bairro Areal teve o altar incendiado.
Glaucia Azevedo, Ajoyê e Ekeji do Ilê Asé Opó Aganju e representante do coletivo, afirmou que os episódios têm levado outras casas religiosas a reforçar a segurança. Um dos terreiros da região, segundo ela, já começou a providenciar internet e câmeras de monitoramento.
O coletivo também orienta mães e pais de santo a registrar boletins de ocorrência e guardar provas, como fotografias e vídeos, sempre que houver algum tipo de violência contra os espaços religiosos.
Denúncias de intolerância religiosa no estado
Dados do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que o estado do Rio de Janeiro registrou 329 denúncias relacionadas à violação da liberdade religiosa ou de crença entre janeiro e outubro de 2026. O mesmo número foi registrado no período correspondente de 2025. Naquele ano, Araruama contabilizou quatro denúncias. Até o momento, o painel não apresenta dados específicos do município para 2026.
A Polícia Civil foi procurada para fornecer informações sobre a investigação e os registros de ocorrências envolvendo ataques a terreiros na cidade. O espaço segue aberto para manifestação.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.






