24/09/2026 — 19:03
  (Horário de Brasília)

Suposto assédio eleitoral envolve Ramon Gidalte em Casimiro de Abreu

Servidores foram adicionados em grupo de WhatsApp e convidados a comparecer a evento político nesta quarta-feira (23)

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Uma denúncia de suposto assédio eleitoral envolvendo a gestão do prefeito de Casimiro de Abreu, Ramon Gidalte (PL), chegou ao conhecimento da coluna Boca Miúda. Nesta segunda-feira (21), um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp, denominado “Amigos do Luizinho (PP)”, reuniu trabalhadores comissionados e profissionais de saúde do Hospital Municipal Maria Ângela Simões. A finalidade da mobilização virtual era convocar e direcionar a equipe médica e de apoio administrativo para uma reunião política realizada na noite desta quarta-feira (23), no distrito de Professor Souza.

Registros de conversas que circulam na internet apontam a participação direta de ocupantes de cargos comissionados e chefias da administração municipal na articulação da lista de contatos do grupo. Entre as pessoas identificadas nas redes como administradoras do canal figuram integrantes da equipe de campanha e lideranças políticas, além da secretária de Saúde, Luciana de Oliveira Dames Freitas Garcia, e da diretora-geral do hospital municipal, Luana Silva. De acordo com os relatos apresentados, diversos servidores públicos e prestadores de serviço foram adicionados ao canal sem autorização prévia. No espaço virtual, os participantes recebiam comunicados frequentes contendo horários de saída de vans do centro da cidade para o transporte de passageiros, além de cobranças diretas por confirmação de presença no ato político de campanha.

Após o encerramento do encontro comunitário no distrito, as interações no canal de mensagens tiveram prosseguimento durante a noite. Um vereador da base governista publicou uma mensagem de agradecimento dirigida aos integrantes do grupo pela presença no evento presencial. Trabalhadores da rede pública de saúde relatam que esse tipo de abordagem no ambiente institucional estabelece uma pressão velada sobre detentores de cargos em comissão e profissionais com contratos temporários de trabalho.

A Legislação Eleitoral e as diretrizes do Ministério Público do Trabalho (MPT) estabelecem normas rígidas no que diz respeito ao combate ao assédio eleitoral no ambiente de trabalho. A utilização da estrutura da máquina pública, de cadastros institucionais ou da hierarquia funcional para constranger, coagir ou induzir servidores públicos e terceirizados a participarem de atividades partidárias constitui conduta ilícita grave. A prática pode acarretar sanções previstas na lei eleitoral, além de eventual enquadramento em atos de improbidade administrativa por abuso de poder político. O uso de dados de unidades de saúde para formação de comitês virtuais é vedado.

Caio Higor
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