Uma fiscalização de rotina realizada na noite de domingo (3), no Bar da Feirinha, no Centro de Iguaba Grande, terminou em confusão, acusações de agressão e na detenção do secretário municipal de Defesa Civil e Proteção Animal, conhecido como Júnior Bombeiro.
De acordo com informações, agentes da Secretaria de Ordem Pública estiveram no estabelecimento para solicitar a redução do volume do som. Durante a ação, Júnior Bombeiro, que estava no local, teria reagido de forma agressiva à abordagem dos guardas municipais.
Segundo relatos, o secretário se recusou a atender a solicitação dos agentes e passou a discutir com a equipe de fiscalização. Ainda conforme o registro, ele teria dado um tapa na mão de um guarda municipal, fazendo com que o celular do servidor caísse no chão, além de atingir outro agente com um tapa nas costas.
Policiais militares que estavam nas proximidades deram apoio à ocorrência. O secretário recebeu voz de prisão e foi encaminhado para a delegacia. Há ainda relatos de que uma arma que estaria com ele foi apreendida por precaução durante a condução, embora as circunstâncias envolvendo o armamento ainda não tenham sido oficialmente detalhadas.
Mesmo algemado, Júnior Bombeiro teria continuado alterado dentro da unidade policial, fazendo xingamentos contra agentes e servidores. Um vídeo mostra o secretário proferindo ofensas, incluindo ataques relacionados à religião de um dos envolvidos. “A macumba vai destruir você”, disse.
O caso foi registrado como desacato e segue sendo apurado pelas autoridades.
Outra polêmica
A situação reacendeu outra polêmica envolvendo Júnior Bombeiro. Em 2023, quando ainda ocupava o cargo de vereador em Iguaba Grande, ele foi alvo de críticas após declarações consideradas machistas durante uma sessão da Câmara Municipal.
Na ocasião, ao se dirigir à vereadora Silvana Grimauth, única mulher no Legislativo municipal naquele período, afirmou que não concordava em “encher de mulher” a Câmara. Em um trecho registrado em vídeo, o então vereador declarou: “Deixa a mulher lá fora fazendo outra função (…) é muito bom uma aqui”.
Ofensas de cunho religioso
O episódio mais recente também gerou reação entre lideranças religiosas da cidade e representantes de comunidades tradicionais de matriz africana da Baixada Litorânea. Integrantes do movimento afirmam que as declarações feitas pelo secretário dentro da delegacia configuram intolerância e racismo religioso, após ofensas direcionadas a um guarda municipal praticante de umbanda.
Diante da repercussão, o Fórum dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas divulgou uma nota pública de repúdio ao caso. No texto, a entidade classificou o episódio como grave e afirmou que os fatos representam intolerância religiosa, racismo religioso, violência institucional e abuso de autoridade.
A nota também manifesta solidariedade ao guarda municipal Ricardo e aos povos de terreiro, além de cobrar “apuração rigorosa dos fatos, responsabilização dos envolvidos e providências imediatas para garantir justiça e respeito aos direitos humanos e à liberdade religiosa”.
“O racismo religioso é crime. Os povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas seguem diariamente enfrentando ataques à sua fé, cultura e ancestralidade”, destacou o fórum em trecho do comunicado.
Representantes do movimento também cobram posicionamento oficial da Prefeitura de Iguaba Grande e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) sobre o episódio.
Até o momento, o prefeito da cidade não se pronunciou publicamente sobre o caso.
A reportagem tentou contato com Júnior Bombeiro e também com a Prefeitura de Iguaba Grande, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.





