O programa Renata Cristiane Online, exibido em formato multiplataforma pela Rádio RCFM, recebeu nesta quinta-feira (15) Lucas Müller, ativista ambiental, educador popular e documentarista. Durante a entrevista, o convidado falou sobre direitos trabalhistas, preservação ambiental na Região dos Lagos, desinformação nas redes sociais e os desafios da comunicação política com a população.
Ao comentar a relação entre a própria trajetória e a defesa dos trabalhadores, Lucas respondeu a uma provocação da apresentadora sobre a dificuldade de pessoas com perfil social diferente de estabelecer diálogo com moradores das periferias. Ele afirmou que começou a trabalhar aos 16 anos, morou sozinho a partir dos 18 e já atuou como entregador de galões de água.
O ativista também contou que utiliza o transporte público para se deslocar entre municípios durante atividades profissionais. Para ele, conhecer a rotina dos trabalhadores envolve compreender dificuldades como ônibus lotados, longos deslocamentos e a falta de veículos suficientes nos horários de maior movimento.
Lucas relacionou essa realidade às dificuldades enfrentadas por trabalhadores para reivindicar direitos no ambiente profissional. Segundo ele, muitas pessoas têm receio de questionar os empregadores por medo de perder o emprego. O convidado também comentou a percepção de pequenos empresários sobre propostas de taxação de grandes fortunas, afirmando que parte deles teme ser atingida pelas medidas.
Outro tema da entrevista foi a preservação ambiental em Cabo Frio. Ao comentar o debate sobre a legislação ambiental e a instalação de grandes empreendimentos, Lucas afirmou que participou de denúncias relacionadas a projetos na região da Boca da Barra e da Ilha do Japonês.
Segundo o ativista, a atuação ligada ao mandato do deputado estadual Flávio Serafini acompanhou denúncias ambientais encaminhadas a órgãos como os Ministérios Públicos Federal e Estadual. Ele também mencionou uma proposta de empreendimento apresentada em 2014 na região da Praia das Conchas, que, conforme relatou, previa a implantação de um projeto imobiliário.
Lucas argumentou que grandes empreendimentos podem dificultar o acesso da população às praias, mesmo quando não há um fechamento formal da passagem. Para ele, a discussão sobre desenvolvimento econômico precisa considerar a preservação dos ecossistemas e o direito de moradores e visitantes de frequentar os espaços naturais.
A entrevista também abordou o comportamento dos eleitores e a influência das redes sociais no cenário político. Lucas avaliou que o crescimento de conteúdos de extrema-direita não ocorre apenas no Brasil e relacionou o fenômeno à circulação de informações em bolhas digitais.
O convidado afirmou que pessoas de diferentes faixas etárias recebem diariamente conteúdos políticos nas redes sociais e aplicativos de mensagens, incluindo informações falsas. Como exemplos, citou vídeos e imagens apresentados como registros de manifestações, mas que, segundo ele, já haviam sido desmentidos ou produzidos por inteligência artificial.
Na avaliação de Lucas, a repetição de informações enganosas dificulta o debate público e pode afastar eleitores de discussões sobre direitos trabalhistas, aposentadoria e condições de vida. Ele também criticou práticas de campanha que, segundo afirmou, envolvem a disseminação de fake news e ataques a adversários políticos.
Ao falar sobre o desempenho eleitoral do deputado Flávio Serafini, Lucas destacou que o parlamentar recebeu cerca de 96 mil votos e defendeu a importância de campanhas baseadas em propostas e mobilização de apoiadores. As declarações sobre condutas de outros grupos políticos foram apresentadas pelo convidado como críticas ao cenário eleitoral.
No quadro Like e dislike, Lucas dedicou o like à aprovação do fim da escala 6×1. A decisão havia sido tomada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), com a aprovação, em dois turnos, da proposta de emenda à Constituição que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. O texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
O ativista afirmou que a mudança representa uma conquista para trabalhadores que enfrentam jornadas extensas e têm pouco tempo para descanso, lazer e convivência familiar. Também relatou conversas com trabalhadores da Região dos Lagos que manifestaram cansaço com o modelo de seis dias de trabalho para um de folga.
Já o dislike foi direcionado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Lucas fez críticas à atuação política do senador, questionou declarações públicas e manifestou preocupação com possíveis impactos sobre direitos trabalhistas e a legislação ambiental. Também criticou o uso da religião para fins eleitorais e apontou o risco de grandes empreendimentos afetarem áreas naturais de Cabo Frio.
Ao longo da conversa, Lucas defendeu maior atenção às condições de trabalho, à preservação ambiental e à qualidade das informações que circulam no debate político. Para o ativista, esses temas estão ligados à participação popular e à capacidade de a população avaliar propostas e decisões que afetam o cotidiano.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.






