O programa Renata Cristiane Online, exibido em formato multiplataforma pela Rádio RCFM, recebeu nesta quarta-feira (2) o professor Ivanir dos Santos, candidato a deputado federal. Durante a entrevista, o historiador e ativista de direitos humanos falou sobre a trajetória de quatro décadas na defesa da igualdade racial e da liberdade religiosa, além da proposta de ampliar a representação das religiões de matriz africana no Congresso Nacional.
Ivanir destacou que pretende chegar a Brasília como sacerdote de matriz africana e chamou atenção para o que considera uma ausência histórica de representantes dessas tradições no Parlamento. Segundo ele, existem aliados de diferentes religiões, mas ainda falta uma representação direta das comunidades de matriz africana.
Para o candidato, essa presença teria importância diante da própria formação histórica do Brasil e da influência africana na cultura e na sociedade brasileira. Ele também lembrou que as religiões de matriz africana passaram por um longo processo de perseguição e de associação com o mal, o que contribuiu para a intolerância religiosa.
Durante a conversa, o professor também analisou a relação entre religião, comunidades e o avanço do crime organizado no Rio de Janeiro. O tema surgiu a partir da discussão sobre a formação de grupos criminosos dentro dos presídios e sobre a atuação de organizações religiosas nesses espaços.
Ivanir afirmou que a presença de grupos evangélicos em presídios não pode ser analisada de forma generalizada. Segundo ele, existem pessoas que atuam na assistência a presos e familiares, inclusive oferecendo apoio e fazendo a comunicação com pessoas que estão fora do sistema prisional.
O candidato também chamou atenção para casos em que pessoas ligadas a igrejas foram investigadas ou presas por envolvimento com crimes. Para ele, é necessário observar essas situações sem transformar uma religião inteira em responsável pelas ações de indivíduos.
Na avaliação de Ivanir, a questão religiosa também passou a ocupar um espaço importante dentro de determinadas comunidades dominadas pelo crime organizado. Ele afirmou que há casos de aproximação entre criminosos e setores religiosos, mas ressaltou que as relações precisam ser analisadas levando em conta interesses econômicos, políticos e sociais.
O professor também defendeu que o tráfico de drogas e de armas não nasce dentro das comunidades, mas chega a esses territórios por meio de estruturas que ultrapassam os limites das favelas.
Outro ponto abordado foi a história da Umbanda e do Candomblé no Brasil. Ivanir contestou a ideia de que a Umbanda teria surgido exclusivamente no século XX e afirmou que existem referências anteriores ligadas às tradições africanas, especialmente à cultura banto.
Segundo ele, a compreensão da história dessas religiões também passa pela necessidade de combater um processo de apagamento das origens africanas. O candidato argumentou que diferentes tradições foram sendo apresentadas ao longo do tempo de maneira dissociada das raízes africanas.
A entrevista também passou pela formação das favelas no Rio de Janeiro e pela presença da população negra nesses territórios. Ivanir citou personagens históricos como Dom Obá II, ligado à Guerra do Paraguai e às reivindicações da população negra, além da chamada Pequena África, na região central do Rio.
Para o historiador, compreender esse processo histórico ajuda a explicar problemas que permanecem presentes na sociedade, como racismo, desigualdade e intolerância religiosa.
Ivanir também fez uma convocação às pessoas que professam religiões de matriz africana e aos líderes de outras tradições religiosas para a construção de um ambiente de maior respeito.
Durante a entrevista, ele citou a relação com pastores que atuam contra a intolerância religiosa e mencionou uma reunião realizada na casa do pastor Kleber Lucas como exemplo de aproximação entre diferentes segmentos religiosos.
A proposta, segundo ele, é construir pontes entre as religiões e defender o Estado laico, sem transformar a fé em instrumento de divisão social.
No quadro Like e Dislike, o professor Ivanir dos Santos escolheu como like a defesa da liberdade religiosa e o respeito às religiões de matriz africana.
Já o dislike foi direcionado à intolerância religiosa, ao racismo, à misoginia, à homofobia e ao desrespeito ao Estado laico.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.






