02/07/2026 — 10:31
  (Horário de Brasília)

Pastor Márcio Poncio é preso e ex-deputado Rodrigo Bacellar volta a ser alvo da PF em operação contra jogo do bicho

Mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e à Máfia do Cigarro; bloqueio de R$ 22 milhões também foi determinado

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O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira (2) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro no estado do Rio de Janeiro. A operação também teve como alvo o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já está preso, além do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos chefes da organização criminosa e que também já se encontra detido.

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões. Entre os alvos das buscas está o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Márcio Poncio foi localizado por agentes da PF em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Conhecido nas redes sociais, ele é pastor da Igreja da Nuvem, empresário e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.

Segundo a Polícia Federal, esta etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro comandado por Adilsinho e identificar possíveis ramificações da organização criminosa junto a agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. Poncio é investigado por suspeitas de ligação com o grupo.

Rodrigo Bacellar e Adilsinho já estavam presos quando os novos mandados foram expedidos. No caso do ex-deputado, Alexandre de Moraes também determinou a transferência dele do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para um presídio federal.

As investigações que resultaram nesta fase da Operação Unha e Carne tiveram origem na Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para combater o monopólio da venda ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio.

Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu planilhas com registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, os documentos indicavam possíveis repasses de recursos a agentes políticos do estado.

As apurações apontam que pelo menos 20 políticos são investigados por suspeita de receber pagamentos mensais atribuídos ao esquema liderado por Adilsinho.

O contraventor permaneceu foragido por quase cinco anos e foi preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após ser localizado por meio de monitoramento com drones.

Em abril deste ano, durante um julgamento no STF, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter ouvido de um diretor da Polícia Federal relatos de que entre 32 e 34 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) receberiam mesadas do jogo do bicho.

Na ocasião, o ministro não informou quando a conversa ocorreu nem identificou qual diretor-geral da PF teria feito a afirmação. Também não citou nomes dos parlamentares envolvidos.

Ao comentar o cenário político fluminense, Mendes declarou: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo”.

A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 investigando o suposto vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).

Na primeira fase, Rodrigo Bacellar foi apontado como suspeito de repassar informações da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pela PF como articulador político da facção criminosa.

Na segunda fase, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto foi preso preventivamente por suspeita de fornecer informações sigilosas ao então deputado.

Já a terceira etapa resultou em uma nova prisão de Bacellar após a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou indícios da existência de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.

Na quarta fase, realizada em maio deste ano, a Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), investigado por suspeita de comandar um esquema de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação.

Segundo a PF, a quinta fase da Operação Unha e Carne integra as investigações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à corporação a missão de aprofundar as apurações sobre a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro e suas possíveis ligações com agentes públicos.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem  Site do(a) autor(a)

Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.

Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.

Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.

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