Uma mulher de 35 anos morreu neste domingo (6), em Rio das Ostras, dias após se jogar do segundo andar de uma residência para fugir do marido, que, segundo o registro policial, a perseguia com uma faca durante uma discussão. Gabrielle Pimenta Carvalho chegou a receber alta médica após a queda, mas voltou a ser internada depois de passar mal e morreu no hospital. A Polícia Civil investiga o caso e apura a possibilidade de feminicídio.
O episódio aconteceu na noite de 27 de agosto, no bairro Cidade Praiana. Conforme o registro da ocorrência, o marido da vítima, Alex Pimenta Carvalho, teria chegado à residência aparentemente alcoolizado. Após uma discussão, ele teria pegado uma faca, ameaçado Gabrielle e exigido que ela desbloqueasse o celular.
Ainda segundo o relato registrado pela polícia, Gabrielle desbloqueou o aparelho na tentativa de evitar que a situação se agravasse e conseguir escapar. Mesmo assim, o homem teria continuado a persegui-la com a faca na mão.
Na tentativa de fugir, Gabrielle se jogou pela janela do segundo andar da residência.
Quando a Polícia Militar chegou ao endereço, equipes do Samu já prestavam atendimento à mulher, que estava caída no chão e consciente. Ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal de Rio das Ostras com uma lesão na região cervical e permaneceu sob cuidados médicos, aguardando avaliação de um neurologista.

Alex Pimenta Carvalho foi preso em flagrante pela Polícia Militar ainda naquela noite, após os agentes serem acionados para atender à ocorrência. Ele foi conduzido à delegacia e permaneceu preso em razão do flagrante.
Naquele momento, como Gabrielle ainda estava viva e o episódio ocorreu no contexto de violência doméstica, o caso foi registrado inicialmente como ameaça e lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha.
Três dias depois, em 30 de agosto, Gabrielle recebeu alta. Segundo a irmã, Kelly Pimenta Silva, ela passou mal novamente em 2 de setembro e precisou ser internada mais uma vez no Pronto-Socorro Municipal.
A mulher permaneceu hospitalizada até este domingo (6), quando morreu. Após o falecimento, Kelly procurou a polícia para comunicar o caso e apresentou um documento hospitalar relacionado à morte, que foi anexado ao registro da ocorrência.
Com o óbito, a investigação passou a apurar se existe relação entre a queda sofrida em 27 de agosto, o episódio de violência doméstica e a morte de Gabrielle. A 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras dará prosseguimento ao caso para esclarecer as circunstâncias do falecimento.
A Polícia Civil também apura a possibilidade de feminicídio, considerando o contexto de violência registrado no dia 27 de agosto. A classificação, porém, ainda não está definida e dependerá do avanço das investigações.
HOMENAGEM
A empresa onde Gabrielle trabalhava publicou uma homenagem nas redes sociais após a morte. Na mensagem, a colaboradora foi descrita como uma “mulher forte, profissional competente, leal, amiga fiel, filha amorosa e irmã amiga”.
A publicação também agradeceu a Deus “pelo privilégio que foi conviver” com Gabrielle e afirmou que ela “jamais será esquecida”. A empresa declarou ainda: “Obrigada por tudo! Nós te amamos!”.
A equipe pediu orações para que o Espírito Santo console familiares e amigos e afirmou que os últimos dias foram “extremamente difíceis”.
A reportagem não conseguiu localizar o homem investigado ou a defesa para comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.





