O Ministério da Saúde anunciou que vai reforçar os estoques de vacinas contra a mpox no estado do Rio de Janeiro diante do aumento de casos da doença em 2026. Até outubro, o Brasil contabilizou 665 notificações, sendo 218 no território fluminense, mais de um terço do total nacional. A estratégia de vacinação contra a mpox continuará direcionada a grupos específicos considerados mais vulneráveis ou com maior risco de exposição ao vírus, devido à disponibilidade limitada de doses no cenário internacional.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que pretende reforçar os estoques no estado para contribuir com o controle dos casos atuais e preparar a rede de saúde para o fim do ano, período marcado pela maior circulação de pessoas. A pasta ressaltou que a imunização seguirá as recomendações estabelecidas para os públicos prioritários.
Entre os grupos contemplados estão profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids que apresentam imunossupressão e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados da doença, após avaliação da vigilância em saúde.
O imunizante é administrado em duas doses, com intervalo de 28 dias entre as aplicações. Quando há disponibilidade de doses excedentes, a vacinação também pode ser ampliada para usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
Rio concentra mais de um terço dos casos no Brasil
Apesar da redução dos registros nacionais em comparação com os primeiros anos de circulação do vírus, o Rio de Janeiro apresenta uma elevação recente nas notificações. Segundo o Ministério da Saúde, os 665 casos registrados no país até outubro representam uma queda de aproximadamente 94% em relação a 2022, quando foram contabilizados 10.821 casos.
No estado fluminense, a redução também é expressiva quando comparada ao mesmo ano de referência. Em 2022, foram registrados 1.381 casos, enquanto os números atuais apontam uma diminuição de 84,2%.
Os dados nacionais também mostram uma tendência de queda nos últimos anos. Em 2024, foram confirmados 1.989 diagnósticos no Brasil. Já em 2025, o número caiu para 1.074, conforme o painel epidemiológico da pasta.
Mesmo com a diminuição no panorama nacional, a situação no estado exige atenção das autoridades sanitárias. Dados mais recentes do painel epidemiológico fluminense apontam 269 casos confirmados em 2026, contra 119 durante todo o ano passado, uma elevação de aproximadamente 126%.
Capital registra maior número mensal desde 2022
Na cidade do Rio de Janeiro, os números também chamam a atenção. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que outubro terminou com 55 casos confirmados de mpox, o maior volume registrado em um único mês desde outubro de 2022, quando o surto internacional da doença ainda estava em evidência.
Em setembro, a capital já havia contabilizado 47 confirmações, número 261,5% superior aos 13 registros de agosto. A sequência de aumentos acendeu um alerta entre as autoridades sanitárias, principalmente porque, desde 2024, o município não registrava um mês com mais de 20 infecções.
Apesar da elevação, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que os números permanecem dentro das oscilações esperadas desde a introdução da doença no país, em 2022. A pasta reconheceu que houve uma elevação da curva em setembro, mas ponderou que o cenário epidemiológico atual é diferente daquele observado no início da circulação do vírus.
A secretaria também citou dezembro de 2023 como exemplo de outro período de aumento nas notificações. Na ocasião, foram registrados 46 casos, seguidos por uma redução nos meses posteriores.
Em nota, a SMS informou que mantém monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação dos casos, acompanhamento clínico dos pacientes e ações de prevenção e controle em conjunto com outras áreas técnicas da secretaria.
O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que mantém vigilância ativa em parceria com estados e municípios e que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os pacientes.
O que é a mpox e como ocorre a transmissão?
A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. Originalmente associada à transmissão entre animais em determinadas regiões do continente africano, a infecção também passou a se disseminar entre seres humanos.
A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões na pele de pessoas infectadas, secreções corporais e objetos contaminados. Roupas, toalhas, lençóis e utensílios compartilhados também podem representar uma fonte de exposição.
O contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de pessoas infectadas também pode favorecer a transmissão. O período de incubação, intervalo entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas, geralmente varia de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Erupções cutâneas e lesões na pele;
- Ínguas, caracterizadas pelo inchaço dos linfonodos;
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Dores no corpo;
- Calafrios;
- Fraqueza.
As lesões podem apresentar diferentes características, sendo planas ou elevadas e contendo líquido claro ou amarelado. Com a evolução da doença, podem formar crostas que secam e caem. Elas podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos genitais, no ânus e em outras partes do corpo.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com lesões na pele associadas a febre ou ínguas procurem atendimento em uma unidade de saúde. A recomendação também vale para quem teve contato próximo com alguém com suspeita ou confirmação da infecção.
Diagnóstico, tratamento e cuidados para evitar a doença
O diagnóstico da mpox é realizado por meio de exames laboratoriais, com coleta de amostras, preferencialmente da secreção das lesões na pele. A identificação do vírus permite confirmar a infecção e orientar o acompanhamento do paciente.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada, com recuperação entre duas e quatro semanas. Não existe, atualmente, tratamento específico aprovado para a doença. Por isso, os cuidados médicos são direcionados ao alívio dos sintomas, à prevenção de complicações e ao suporte clínico nos casos que exigem acompanhamento mais próximo.
Pessoas vivendo com HIV/Aids, especialmente aquelas com imunossupressão, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos estão entre os grupos que precisam de atenção especial devido ao maior risco de complicações.
Além da vacinação para os públicos elegíveis, a principal medida de prevenção é evitar o contato direto com pessoas que apresentem suspeita ou confirmação da infecção.
As orientações incluem não compartilhar objetos pessoais, higienizar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel, lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente e limpar e desinfetar superfícies que possam estar contaminadas.
Também é recomendado que pessoas diagnosticadas cumpram o isolamento até o fim do período de transmissão, seguindo as orientações dos profissionais de saúde.
Ministério prevê reforço para o fim do ano
A ampliação dos estoques de vacinas no Rio de Janeiro também considera a proximidade das festas de fim de ano, quando aumenta a circulação de pessoas entre municípios e estados.
A estratégia do Ministério da Saúde é manter a imunização direcionada aos grupos prioritários e fortalecer a capacidade de resposta da rede pública diante do crescimento recente das notificações.
Embora os números nacionais estejam abaixo dos registrados em 2022, a elevação das confirmações no estado e, principalmente, na capital reforça a importância da vigilância epidemiológica, do diagnóstico e da adoção de medidas preventivas.
Observação editorial: o material apresenta dois números diferentes para o estado do Rio de Janeiro: 218 casos notificados até outubro, segundo o Ministério da Saúde, e 269 confirmações em 2026, segundo o painel epidemiológico estadual. Recomendo conferir as datas de atualização e os critérios de contabilização antes da publicação para evitar divergências na reportagem.





