Mãe lamenta sinalizador que atingiu filho em jogo do Fla: “Entrou feliz no estádio e saiu chorando”

Reportagem do globoesporte.com conversou com Daniele Carvalho, cabo-friense que mora há 14 anos no Chile. O filho dela, Thiago Carvalho, ficou ferido após a torcida da Universidad Católica arremessar pedras e sinalizadores contra a torcida rubro-negra.

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O que era para ser um momento de alegria se tornou um pesadelo na última quinta-feira (28) durante o jogo do Flamengo e Universidad Católica, no Chile. O pequeno Thiago Carvalho, de 10 anos, foi atingido no olho por um sinalizador durante a partida.

O menino é chileno, mas a mãe Daniele Carvalho é natural de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Ela acompanhava o filho no jogo que terminou com a vitória do time brasileiro por 3 a 2 no estádio San Juan de Apoquindo, em Santiago.

Morando há 14 anos no país, Daniele conta que o filho estava muito feliz e ela ainda mais pois estava compartilhando com ele a paixão pelo futebol e pelo Flamengo.

“Eu olhava pra ele antes de tudo acontecer e ele gritando, cantando as músicas do Flamengo. Ele é chileno e cantando as musicas, tão bonitinho sabe? Com o sotaque dele espanhol. Eu tava feliz ali, tão orgulhosa”, disse Daniele ao globoesporte.com.

“De repente, meu filho entrou feliz no estádio e saiu chorando com uma ferida no olho, é muito forte. O choro dele era uma coisa que eu queria fazer algo, amenizar a dor dele, mas eu não podia. Ele tava com dor, assustado. Imagina eu como mãe como me senti”, completou a mãe.

Tudo aconteceu após o terceiro gol do time rubro-negro. Daniele diz que a torcida adversária ficou furiosa e começou a atirar coisas contra os flamenguistas. O filho estava ao seu lado e ela se colocou em uma posição para protegê-lo.

Ela foi para o jogo sozinha com o filho e diz que um senhor que estava lá os ajudou, pegou o menino no colo e desceu com ele. Foi necessário pedir ajuda para os seguranças facilitarem o acesso.

“De repente olho pro lado e vejo meu filho caído no chão com sangue no rosto e chorando muito. Eu vou falando e vou revivendo a cena. Foi muito forte. Nunca vi meu filho chorar dessa maneira”, relembrou Daniele emocionada.

Thiago sofreu um corte no olho direito e em volta da ferida ficaram queimaduras. Ele está bem e não precisou ficar internado.

Thiago foi atendido no estádio e não precisou ficar internado  — Foto: Daniele Carvalho/Arquivo Pessoal
Thiago foi atendido no estádio e não precisou ficar internado — Foto: Daniele Carvalho/Arquivo Pessoal

Ele recebeu primeiro atendimento no estádio e depois foi levado para um centro médico. O médico revisou o ferimento e passou remédios. A mãe falou que ficou muito aflita ao saber que por milímetros o filho não ficou cego.

“Dentro de tudo o Thiago tá assustado, com medo de voltar a um estádio de futebol. Isso que me dá mais pena, a impotência. Ele estava tão feliz lá, desfrutando, cantando, dançando e de repente aconteceu isso. Ele tá com medo de voltar a um estádio de futebol, porque ele foi vitima dessa marginalidade que as pessoas estão levando para o estádio. Foi muito cruel para uma criança de 10 anos que tava lá feliz. Ele tava radiante”, afirmou a mãe.

Era a segunda vez que o menina ia a um estádio ver um jogo do Flamengo. A primeira tinha sido em 2017, também em São Carlos.

“Ele tava feliz lá, queria ver o Isla que é chileno. Vendo um jogador chileno jogando pelo time da mãe dele, que ele gosta. Vai ser um processo largo para ele superar isso, mas ele é uma criança forte e vai superar”, disse.

Um vídeo gravado pela mãe mostra o pequeno no meio da torcida cantando e pulando antes de tudo acontecer: “Dale, dale oh, mengão do meu coração”, canta o menino

Projeto Estádio Seguro

Daniele fala que o mais irônico é que no Chile tem um projeto chamado ‘Estádio Seguro’ e conta que quando foi para o estádio com o filho, levou um guarda-chuva de plástico, pois havia chovido no dia anterior, mas foram revistados e não conseguiu entrar com o guarda-chuva.

“Como que os torcedores da Católica entraram com pedra? Não venha dizer que tinha pedra na arquibancada. Apesar de ser pequeno, é um local bonito e ornamentado. Não tem como entrar com pedra. A garrafa de vidro? Os sinalizadores?”, questiona.

Sinalizadores jogados contra torcida do Flamengo em jogo no Chile — Foto: Daniele Carvalho/arquivo pessoal
Sinalizadores jogados contra torcida do Flamengo em jogo no Chile — Foto: Daniele Carvalho/arquivo pessoal

A mãe fala que viu as pessoas jogando as coisas na direção dos torcedores, que eram pessoas que estavam separadas de outro grupo, então dava pra ver quem era. Ela dia que falou com um policia que sabia quem era, para levar ela que identificava a pessoa, mas o policial não fez nada.

Ela prestou depoimento para Conmebol no dia do jogo.

Além dos ataques à torcida, o jogo também foi marcado por atitudes racistas de um torcedor da Universidad Católica que imitou um macaco na direção dos flamenguistas.

*com informações do globoesporte.com.

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