A disputa pela Presidência da República segue acirrada a dez dias do segundo turno das eleições de 2026. Pesquisa do instituto Palver, divulgada nesta quinta-feira (15), mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro de 2,3 pontos percentuais.
O levantamento ouviu 5 mil pessoas pela internet entre os dias 10 e 13 de outubro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08028/2026 e tem nível de confiança informado de 95%.
Além da intenção de voto, os dados mostram uma disputa marcada pela rejeição aos dois candidatos, por diferenças entre os grupos de eleitores e pela influência de temas como economia, segurança pública e defesa da democracia.
Rejeição também mantém disputa equilibrada
A pesquisa aponta que 49% dos entrevistados afirmam que votariam com certeza em Flávio Bolsonaro, enquanto 48% dizem o mesmo sobre Lula. Quando o assunto é rejeição, o presidente aparece com 50% dos eleitores afirmando que não votariam nele em nenhuma circunstância. Para o candidato do PL, o índice é de 48%.
O resultado mostra que os dois candidatos enfrentam resistência de uma parcela significativa do eleitorado, o que torna a mobilização dos apoiadores um dos desafios da reta final da campanha.
Eleitores que não votaram no primeiro turno podem influenciar disputa
Um dos dados favoráveis a Lula aparece entre os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Nesse grupo, 59% afirmam que preferem o presidente, enquanto 28% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro.
Apesar dessa diferença, transformar a preferência em votos efetivos depende da participação desses eleitores no segundo turno. Entre os entrevistados que não votaram na primeira etapa, 37% disseram que estavam viajando e 21% afirmaram ter título eleitoral registrado em outra cidade.
Os números indicam que parte das ausências pode estar relacionada a dificuldades para comparecer às urnas, embora não seja possível afirmar que todos esses eleitores deixarão de votar novamente.
Eleitores de candidatos derrotados se dividem
A pesquisa também investigou como os eleitores dos candidatos que ficaram fora do segundo turno pretendem votar.
Entre aqueles que escolheram Augusto Cury (Avante) no primeiro turno, 64% afirmam que pretendem votar em Lula, enquanto 32% preferem Flávio Bolsonaro.
Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), o cenário é diferente: 61% declaram preferência pelo candidato do PL, contra 35% do presidente.
No grupo que votou em Renan Santos (Missão), os dois candidatos aparecem empatados, com 41% cada. Outros 18% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.
Esses recortes exigem cautela, pois os grupos são menores e apresentam maior incerteza estatística do que o resultado nacional.
Economia e custo de vida pesam na avaliação do governo
A situação econômica também aparece como um dos pontos centrais da disputa. Segundo a Palver, 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 48% aprovam a gestão. Quase metade também avalia que a situação do país piorou nos últimos 12 meses.
O custo de vida é apontado como a principal preocupação das famílias por 34% dos participantes. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, esse índice chega a 51%. Já entre os apoiadores de Lula, fica em 15%.
Quando questionados sobre quem estaria mais preparado para enfrentar os problemas do país, os entrevistados dão vantagem a Flávio Bolsonaro em temas como segurança pública, controle da dívida, combate à inflação e enfrentamento da corrupção. Lula aparece à frente no combate à pobreza, enquanto os dois empatam nas avaliações sobre saúde e educação.
Apesar das preocupações econômicas, 70% dos entrevistados acreditam que a economia brasileira vai melhorar nos próximos 12 meses.
Defesa da democracia e rejeição ao PT aparecem entre as motivações
Os motivos que levam os eleitores a escolher cada candidato também são diferentes. Entre os apoiadores de Lula, 37% apontam a defesa da democracia como principal razão para o voto. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% citam a rejeição ao PT como fator determinante.
O receio em relação ao resultado também está dividido: 48% dizem temer mais uma eventual reeleição de Lula, enquanto 47% demonstram maior preocupação com uma vitória de Flávio Bolsonaro.
O levantamento identifica diferenças regionais e sociais. Lula apresenta maior força no Nordeste e entre beneficiários do Bolsa Família. Flávio tem desempenho mais favorável no Sul, no Centro-Oeste e entre os evangélicos. A pesquisa também aponta diferenças expressivas entre homens e mulheres na intenção de voto.
Maioria manteve escolha no primeiro turno
Outro dado da pesquisa diz respeito à estabilidade do voto. Segundo o levantamento, 95% dos entrevistados mantiveram a decisão tomada antes da última semana de campanha do primeiro turno. Apenas 4% disseram ter mudado ou definido a preferência nesse período.
Entre os que alteraram o voto, 23% afirmaram que a mudança ocorreu por perceberem que o candidato inicialmente escolhido não tinha chances de chegar ao segundo turno. Outros 9% disseram que queriam contribuir para definir a eleição já na primeira votação, enquanto outros 9% mudaram para tentar impedir a vitória de um candidato rejeitado.
Debates e propaganda eleitoral foram citados por 7% dos entrevistados que mudaram de escolha. Outros 7% mencionaram notícias ou denúncias.
Como o grupo que alterou o voto reúne menos de 200 entrevistas, esses percentuais devem ser interpretados com cautela.
Como foi feita a pesquisa
A Palver entrevistou 5 mil pessoas por meio de questionários on-line, entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro máxima informada é de 2,3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08028/2026.
A metodologia utiliza uma amostra on-line não probabilística, formada por participantes recrutados por anúncios em redes sociais. Os resultados são posteriormente calibrados com base na votação do primeiro turno. Por isso, os números representam as respostas dos entrevistados dentro desse método e não eliminam as incertezas próprias de uma pesquisa eleitoral.
Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.
Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.
Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.






