Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, será levado a júri popular nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. O julgamento está relacionado a acusações de crimes contra a vida atribuídos ao grupo que, segundo o Ministério Público, atuava sob seu comando.
O julgamento estava previsto inicialmente para ocorrer em Cabo Frio, cidade onde a GAS Consultoria ganhou projeção. O júri foi posteriormente transferido para a capital fluminense.
Glaidson está preso desde agosto de 2021, quando foi alvo da Operação Kryptos, da Polícia Federal, que investigou as operações financeiras da GAS Consultoria. A empresa atraía clientes com a oferta de rendimentos mensais relacionados a operações com criptomoedas.
O caso envolve processos por crimes financeiros, organização criminosa e acusações relacionadas a homicídios. A trajetória da GAS também foi retratada no livro “Queda Livre — A história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins”, dos jornalistas Chico Otavio e Isabela Palmeira.
Júri analisa acusações de crimes contra a vida
O julgamento desta quarta-feira não está relacionado diretamente aos processos sobre o funcionamento financeiro da GAS Consultoria. O Tribunal do Júri é responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
Entre os casos relacionados pelas investigações ao grupo atribuído a Glaidson está o assassinato do trader Wesley Pessano, de 19 anos, morto a tiros em São Pedro da Aldeia.
As investigações também apontaram possíveis ataques contra pessoas que atuavam no mercado de investimentos em criptomoedas. Segundo o Ministério Público, Glaidson teria estruturado um grupo armado para eliminar pessoas consideradas obstáculos aos negócios da organização.
Também há acusação relacionada à tentativa de homicídio de Nilson Alves da Silva, conhecido como Nilsinho, investidor do mercado de criptomoedas que sobreviveu a um ataque a tiros.
As responsabilidades criminais pelos fatos submetidos ao Tribunal do Júri serão decididas pelos jurados. Glaidson tem direito à ampla defesa e ao contraditório.
GAS Consultoria cresceu em Cabo Frio
A trajetória de Glaidson está ligada a Cabo Frio, onde a GAS Consultoria expandiu suas atividades. A empresa oferecia contratos a investidores interessados em obter retornos por meio do mercado de criptomoedas.
Segundo registros do caso, a GAS chegou a oferecer rendimentos mensais de aproximadamente 10% aos clientes. A atuação da empresa posteriormente se expandiu para outras regiões.
O livro “Queda Livre — A história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins”, lançado pela editora Intrínseca em maio de 2024, aponta que o negócio movimentou cerca de R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021 e alcançou pelo menos 89 mil pessoas. A prisão de Glaidson ocorreu em 2021, durante a Operação Kryptos.
Condenação de 19 anos em outro processo
Glaidson também foi condenado em outro processo relacionado às investigações envolvendo a GAS. Em outubro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro condenou Glaidson a 19 anos e dois meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a organização ligada à GAS atuava na Região dos Lagos e praticava crimes contra possíveis concorrentes, além de corrupção e ameaças.
Ainda segundo a acusação, vantagens indevidas teriam sido oferecidas a policiais civis para a realização de diligências contra concorrentes da empresa. A condenação é independente do julgamento pelo Tribunal do Júri marcado para esta quarta-feira.
Caso virou livro
A trajetória de Glaidson e da mulher, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, foi retratada pelos jornalistas Chico Otavio e Isabela Palmeira no livro “Queda Livre”, lançado em maio de 2024 pela editora Intrínseca.
A obra apresenta a trajetória de Glaidson, o crescimento da GAS Consultoria em Cabo Frio, os contratos oferecidos aos investidores e as investigações que passaram a envolver o casal. O livro também aborda a relação entre Glaidson e Mirelis e o funcionamento da empresa.
Adaptação para o cinema
Os direitos de adaptação de “Queda Livre” foram adquiridos pela Morena Filmes, produtora de Mariza Leão e Tiago Rezende. O projeto prevê a transformação da história apresentada no livro em um longa-metragem.
Quando a adaptação foi anunciada, em 2024, a previsão era de que as filmagens começassem no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, ainda não havia sido divulgado o ator que interpretaria Glaidson.
Até o momento, não há anúncio público recente da produtora confirmando elenco, data de estreia ou estágio atual da produção. Dessa forma, a adaptação permanece como um projeto cinematográfico anunciado, sem lançamento confirmado.
Julgamento será realizado no Rio
O júri popular está marcado para esta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. O julgamento será realizado na capital fluminense, após a transferência do processo que inicialmente seria analisado em Cabo Frio. A decisão sobre a responsabilidade criminal de Glaidson pelos fatos submetidos ao Tribunal do Júri caberá aos jurados.





