InícioCulturaEscritora da Região dos Lagos lança "Poemas de Sangue"

Escritora da Região dos Lagos lança “Poemas de Sangue”

Obra marca início do selo literário "Mulheres de Sal", destinado a escritoras da Costa do Sol

“Estar sozinha, afastada dos amigos e em luto, me fez suportar o corpo como tudo o que tenho para sustentar o mundo”, escreve Aline Moschen, como prenúncio dos sentimentos condensados em “Poemas de Sangue”, obra que será lançada pela Sophia Editora nesta quarta-feira (11). O livro inaugura o selo literário “Mulheres de Sal”, idealizado pela escritora, com o objetivo de incentivar a inserção de mulheres da Região dos Lagos no mercado editorial.

A live de lançamento do livro será no instagram da Sophia Editora (@sophiaeditora), na quarta (11), às 20h. O encontro virtual terá participações Laura Couto, que assina o posfácio e é atriz, pesquisadora, professora e diretora teatral, e Ágatha Íris, atriz, travaturga, comunicadora e pesquisadora.

“Neste livro, falo do sangue como território ancestral”, explica Aline. “Na verdade, é uma ressignificação do processo de luto do meu avô, que foi uma pessoa fundamental na minha vida. Por isso, o título ‘Poemas de Sangue’: há um elo metafísico que fica depois da morte”.

No posfácio, Lara Barbosa Couto analisa que o título da obra “antecipa uma presença recorrente em diversos de seus poemas, a imagem sangue e suas texturas: o sangue quente, que pulsa, escorre e se faz presença dentro e fora do corpo”. E prossegue: “Por vezes, um pulsar fisiológico, movimento interno compartilhado como confidência. Sangue que escorre por dentro, evidenciando feridas internas que latejam no compasso do coração. Por outras, sangue que derrama como rito, menstruação, compromisso com a natureza (compromisso que é escolha, não é obrigação). Por fim, a hemorragia do corte (acidental ou provocado), que faz o sangue pulsar para fora, trançando seu caminho no corpo e para além dele”.

Aline Moschen também propõe desconstruir a associação do sangue feminino à menstruação. Ela escreve: “Se sangrar é prerrogativa feminina, / as mulheres que não sangram são o quê? / Mulheres que não menstruam, / não mais ou que jamais / no sentido biológico, no sentido da escolha, / ou, da infinita possibilidade de ser mulher / Mas paro e penso, volto à pergunta: / se sangrar é prerrogativa feminina, as mulheres que não sangram são o quê? / É fácil responder, / não há mulher que não sangre / a cada vez que lhe castram o gozo de ser / A prerrogativa da mulher é sangrar / e, por isso, hoje eu estou em fúria”.

Nascida no Vale do Rio Doce e radicada no Rio de Janeiro, Aline Moschen é produtora cultural e cursa doutorado em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ. Em 2012, recebeu o Prêmio Troféu Itapuca de Poesia pela Universidade Federal Fluminense, em parceria com a Fundação Euclides da Cunha e com a Imprensa Oficial do Rio de Janeiro. Em sua trajetória profissional, atua na implementação de políticas culturais e de direitos humanos.

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