23/06/2026 — 15:01
  (Horário de Brasília)

Dono de loja em São Cristóvão, em Cabo Frio, perde R$ 29 mil em golpe de falso leilão de veículo

Vítima afirma ter sido atraída por anúncio nas redes sociais e denuncia esquema envolvendo site fraudulento; caso foi registrado na 126ª DP

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Um comerciante de Cabo Frio, dono de uma loja de rações no bairro São Cristóvão, afirma ter sido vítima de um golpe envolvendo um falso leilão de veículos divulgado na internet. Ele relata prejuízo de aproximadamente R$ 29,4 mil após acreditar em uma plataforma que utilizava o nome “João Emílio Leiloeiros”.

Wellington Santos contou que foi atraído por um anúncio no Instagram que oferecia participação em um leilão online de veículos. Segundo ele, era sua primeira experiência com esse tipo de negociação.

O comerciante afirma que acessou o sistema de leilão 100% online, com promessa de ser “100% garantido”, e realizou o arremate de um lote que seria um Hyundai HB20 2024. O valor inicial do lance informado era de aproximadamente R$ 23 mil, mas o fechamento da negociação chegou a R$ 29.400, conforme documentos apresentados.

Após o suposto arremate, ele recebeu orientações por e-mail com documentos de retirada do veículo em um pátio e exigência de reconhecimento de firma em cartório. O prazo informado seria de 48 horas para retirada.

“Eles mandaram toda a documentação por e-mail, pediram reconhecimento de firma e disseram que eu poderia retirar o carro no pátio”, relatou.

Wellington afirma que realizou a transferência bancária no valor de R$ 29.400. No entanto, ao se aproximar da data de retirada, começou a desconfiar da operação.

Segundo ele, ao ligar para o pátio um dia antes, foi informado de que não havia ocorrido nenhum leilão na data indicada. A partir disso, percebeu que havia sido vítima de fraude.

“Quando chegou o dia de retirar o veículo, não tinha leilão nenhum. Aí eu confirmei que era golpe”, disse.

O comerciante relata ainda que, após o pagamento, recebeu uma nova cobrança no valor de cerca de R$ 5.923, referente a uma suposta “condicional do veículo”, justificativa que não havia sido informada anteriormente. O documento apresentado pelos golpistas indicava que o banco não teria aceitado a oferta inicial e que seria necessário um acréscimo de valor. Segundo ele, essa exigência aumentou a suspeita de fraude.

“Quando eu arrematei o lote, não falaram nada disso. Depois veio essa cobrança de quase seis mil reais. Foi aí que eu comecei a desconfiar de tudo”, afirmou.

O boletim de ocorrência registra que o golpe ocorreu entre os dias 05/06/2026 e 08/06/2026, envolvendo transferência bancária via TED no valor de R$ 29.400 para uma conta em nome de Bruno da Silva Santos, CPF informado no documento policial. O comunicante relata que entrou no site por meio de link enviado via Instagram e também teria recebido contato por WhatsApp.

O caso foi registrado na 126ª Delegacia de Polícia de Cabo Frio, onde foi feita a autuação por estelionato. A vítima afirma que, ao procurar informações, encontrou o site oficial do leiloeiro verdadeiro e percebeu divergências nos contatos utilizados pelos golpistas. Ele relata ainda que os números de telefone e QR Codes enviados na fraude direcionavam para uma central controlada pelos criminosos, impedindo contato com a empresa real.

“Os números que eles mandavam caíam em uma central deles mesmos. Não tinha como falar com ninguém de verdade”, disse.

Relatos semelhantes

Casos semelhantes foram registrados no site Reclame Aqui envolvendo páginas que utilizam nomes parecidos com o de leiloeiros reais, incluindo o “João Emílio Leiloeiros”.

Em um dos relatos, uma vítima afirma ter adquirido um lote de veículo após acessar um site falso que imitava a plataforma oficial. Ela relata que recebeu documentos e nota fiscal para transferência e efetuou pagamento de aproximadamente R$ 18.260. Ao tentar localizar o endereço do pátio, descobriu inconsistências e percebeu o golpe, registrando boletim de ocorrência.

Outro depoimento descreve o acesso a um site supostamente oficial, com cadastro completo, envio de documentos e liberação para lances. A vítima relata que foi contatada por suposta área financeira, recebeu cláusulas e condições de pagamento e realizou transferência bancária. Ao chegar ao endereço informado para retirada do veículo, descobriu que se tratava de fraude e que outras pessoas já haviam relatado o mesmo tipo de golpe.

Os relatos destacam ainda o uso de sites visualmente profissionais, suporte por WhatsApp e e-mail, além de pressão para pagamentos rápidos.

Alerta

Wellington afirma que decidiu divulgar o caso para alertar outras pessoas sobre o risco de fraudes em leilões online.

“É dinheiro suado. A gente trabalha, junta e acha que está comprando um bem, mas cai num golpe desse”, disse.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

A redação entrou em contato com dois números dos leiloeiros enviados pela vítima e não obteve retorno.

Sabrina Sá
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